Agora ninguém mais pode duvidar do plano que o PT tinha (tem?) para levar o Brasil a um regime autoritário. Atitudes discricionárias, como bem comenta Dora Kramer, são o pano de fundo de um grupo cujo padrinho político é Fidel Castro. Nunca se viu, a não ser em épocas de explícitas condições de exceção, como após 1964, tentativa do Poder Executivo de dar as cartas, abocanhando os demais poderes de nossa democracia, infiltrando-se nas decisões do Legislativo e do Judiciário. Um grupo de pensamento e ações incoerentes à luz da razão só pode estar preparando o golpe final. Maquiavel descreve tão bem esse movimento que mais parece uma pitonisa, ao enxergar em tempos tão afastados ações como as perpetradas neste governo. Augusto Nunes (coluna
Sete Dias, 9/5) não deve, pois, se admirar da omissão governamental em relação a uma posição quanto aos mortos do Araguaia. Faz parte da estratégia a cooptação dos militares. Treme de medo, paralisado, o ministro José Viegas, assim como não são ''convenientes'' manifestações de José Genoino, ex-guerrilheiro, ou de companheiros do Partido Comunista do Brasil, como Aldo Rebelo. O jogo de xadrez está apenas em seu início, e os jogadores são bem treinados.
Cláudio Tavares Cals de Oliveira, Rio de Janeiro
Exército nas ruas
Segundo notícias, o Exército patrulhará as ruas do Rio de Janeiro com cerca de 2000 homens e com o uso de veículos blindados.Considerando que as tropas enviadas serão a elite do Exército, estarão elas com uma capacidade de dissuasão baseada no poder de fogo e mobilidade do blindado. Se essa capacidade de dissuasão funcionar, tudo estará bem. Entretanto, caso não seja suficiente para intimidar os traficantes, corremos dois riscos: no primeiro caso, a guarnição do carro de combate ter de utilizar o seu armamento para se defender. Os estragos causados pela explosão de granadas de canhão dentro de uma área habitada serão terríveis. O Exército será execrado pela população. No segundo caso, o carro de combate, impedido de usar o armamento por razões óbvias, ter de fugir da área ou, pior, ser incendiado. As Forças Armadas ganham o combate pela aplicação da violência. A exibição do poderio armado pressupõe a decisão de empregá-lo, se necessário for. Será que nossos comandantes já perceberam que qualquer das alternativas será um enorme desgaste para as Forças Armadas?
Dion de Assis Tavora, Rio de Janeiro
Bush
Fica cada vez mais transparente a estratégia do presidente Bush para se manter no poder. Sua administração e seus apoios são constituídos dos remanescentes da Guerra Fria. Nutriram-se, durante décadas, do combate ao comunismo. Precisavam eleger um novo inimigo. O permissivo atentado às torres fortaleceu essa estratégia. A política está calcada na segurança, sendo o terrorismo seu núcleo central. Agora é acompanhar essa aventura e torcer por lucidez na manipulada opinião pública americana.
Antonio Negrão de Sá, Rio de Janeiro
Bush disse que a tortura que os soldados americanos praticaram contra iraquianos foi uma vergonha e mancha a honra americana. Acho que quem mancha e envergonha a brilhante nação americana chama-se George W. Bush.
Vitalino Carvalho, Rio de Janeiro
Bingos
O Senado cassou a Medida Provisória editada pelo governo federal para o fechamento dos bingos. O governo insiste na edição de nova MP, alegando que os bingos fazem lavagem de dinheiro, traficam, estimulam o vício etc.. Se isso é verdade, por que o governo atual, antes do escândalo Waldomiro, tinha pronta uma MP voltada para a regularização dessas casas de apostas?
Wanderley Jorge Bueno, Rio de Janeiro
Roberto Campos
Parabéns a Gilberto Paim pelo artigo (Paixão ideológica, publicado em 9/5) no qual presta homenagem à memória de Roberto Campos, apóstolo do bom senso que sempre foi tão escasso neste país onde a emoção, até hoje, fala mais alto. Seria importante que a BMF de São Paulo liberasse o texto da tese de mestrado de Campos, elogiada por economistas como Joseph Schumpeter, para ampla divulgação ao público.
Roberto César de Castro, São Paulo
Maluf
Paulo Maluf vai lavrar em cartório declaração de que repassará a alguém tudo o que for encontrado em contas (espúrias) que alega não ter na Suíça ou na Europa. Se as contas existem, como parece, e foram abarrotadas com o nosso dinheiro, são objetos de confisco. E assim a tal declaração em cartório é nada mais do que um golpe eleitoreiro.
Paulo José Silva Ferraz, São José dos Campos (SP)
Planos de saúde
O governo, para não oferecer aumento sério do salário mínimo, usa a justificativa de que, se o fizer, leva à falência a Previdência Social, os Estados e as prefeituras. No entanto, não tem pejo de levar à falência a classe média, concedendo aumento maior do que o dobro da inflação aos ''barões'' dos planos de saúde, que não corrigem os valores pagos aos profissionais há mais de dois anos. Qual é a justificativa? É realmente o medo derrotando a esperança, pelas beiradas, como se come mingau quente.
Que decepção!
Juvenal Ferreira Fortes Filho, Rio de Janeiro
Os planos de saúde aumentarão quase 12%, o que representa o dobro da inflação no período. Se o povo tivesse um SUS decente, para ser usado, como nos países sérios, por qualquer cidadão, independente de classe social, essa noticia só preocuparia aqueles que quisessem ter um plano de saúde. Mas parece que neste país de pobres - e com salários achatados - tudo é feito para que o cidadão procure essas agências. Aviltam o atendimento público para empurrar o ''cliente'' para esses planos. Parece que fazem isso deliberadamente e até com o incentivo da classe médica.
Panayotis Poulis, Rio de Janeiro
Penas alternativas
É inaceitável que o país, com a maioria de seus presídios abarrotada de apenados, não evolua objetivamente no sentido de adotar com mais freqüência, quando isso couber, as chamadas penas alternativas. Muito ao largo disso, prevê-se a construção de mais presídios. E isso quando um numero expressivo de sentenciados já com direito à liberdade, por terem cumprido suas penas, persistem detidos, pela mera ineficiência do sistema. O contra-senso serve de amostra da dimensão do problema, que só faz agravar-se, num modelo que pouco ou nada investe na ressocialização dos apenados, etapa divisora de águas quanto ao futuro dos mesmos.
Marcelo Frick, Rio de Janeiro
Fotos
Semana passada (3 a 9 de maio) o JB nos brindou, em sua primeira página, com pelo menos duas fotos maravilhosas (a do eclipse da lua e a de um nadador em uma piscina). Tais fotos foram um colírio para os olhos do leitor e um alívio para as suas mentes cansadas de retratos de tiroteios em favelas e de figurinhas difíceis como Waldomiro, Sarney, Palocci, Meireles, Benedita, Genoino, Dirceu e tantos outros, que cuidam apenas das suas próprias realidades e que deveriam constar somente das páginas de política, às vezes, como já foi o caso, de polícia. Parabéns pelas fotos.
Eduardo de Braga Melo, Niterói
Futebol confuso
Consumou-se no campeonato de estádios vazios (quem vai aos jogos da madrugada, iniciados depois da última novela da rede de TV que dita as regras do torneio?) o absurdo de um clube escalar jogador que já atuou por outro time na mesmíssima competição. Em nosso futebol, como diria o grande escritor, a confusão é geral.
José Carlos Mendes, Rio de Janeiro