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Corrupção


Os jornais estão publicando que o Banco JP Morgan rebaixou o Brasil para fins de investimento, por considerar nosso governo permissivo. Venho há muito insistindo que nenhum país do mundo pode fechar os olhos para a corrupção, mormente o nosso, onde o Ministério do Planejamento acabou de informar que a sangria da corrupção já alcança a R$ 181 bilhões de reais anuais, o equivalente à 12% do nosso PIB, que por isto mesmo caiu 0,2% em 2003. Se os atuais dirigentes quiserem continuar como simples espectadores desta tremenda tragédia que se aproxima a olhos vistos, continuem neste caminho, mas, por via das dúvidas, comprem suas passagens de avião para Miami. Caso queiram cumprir suas obrigações para com nosso povo, arregacem as mangas e entrem de imediato na luta contra a corrupção, começando por fazer aprovar no Congresso, em regime de urgência, uma lei ordinária, limpando as leis processuais de todas as espertezas ali inseridas.
Gilberto Souza Gomes Job, Rio de Janeiro, por e-mail

Educação

Vimos nos jornais de hoje que o presidente Lula condena projeto do PT, sancionado em gestões anteriores, que aprovam alunos sem o mínimo preparo para seu futuro. Agora, fazendo uso de seu vocabulário populista como sempre, compara a leitura de um livro com uma esteira. Sem argumentos convincentes, prevê que o mal está nos professores e não nos alunos. Duvidar da capacidade dos professores, que em muitos casos se desdobram em três ou quatro estabelecimentos escolaress para completar os míseros salários pagos pelo Estado, mostra que nenhum governo se sensibiliza com seu preparo. Comparar a leitura de um livro com uma esteira só pode dar no que estamos vendo. Um presidente que teve 25 anos para se formar e desce na esteira da impopularidade.
Abrahão Taublib, Rio de Janeiro, por e-mail

Terra

Quer dizer que o nosso glorioso exército brasileiro agora também é proprietário rural? Seria cômica, se não fosse trágica, a notícia que circulou na imprensa brasileira, dando conta de que tropas dos exército haviam tomado ''posição de combate'', inclusive com a utilização de tanques e outros veículos blindados, para garantir a integridade de uma fazenda em Mato Grosso do Sul, de sua propriedade, que estava prestes a ser invadida por trabalhadores rurais, ligados ao MST. Desse episódio dois aspectos devem ser destacados: é fácil evitar que terras sejam invadidas, mas é uma pena que o exército, em se tratando de proteção de áreas rurais, só atue em causa própria; e cai por terra a teoria de que o exército não pode ser utilizado para auxiliar na segurança pública das grandes cidades brasileiras, por ter funções específicas constitucionais.
Júlio Ferreira, Recife, por e-mail


Sobre o assassinato de 29 garimpeiros por índios em Rondônia (JB 28/4 pag A5), o presidente da Funai disse que ''os índios têm o direito de defender suas terras. Os garimpeiros estão ilegais e, lamentavelmente, essas coisas acontecem''.

O mesmo raciocínio vale para o conflito entre o MST e os fazendeiros? Isto é, se fazendeiros matassem invasores do MST, o ministro da agricultura poderia dizer que ''os fazendeiros têm o direito de defender suas terras. Os invasores do MST estão ilegais e, lamentavelmente, essas coisas acontecem''?

Coincidência ou não, abaixo da notícia acima aparece a fotografia ''Abril Vermelho'', onde são mostrados invasores do MST em uma fazenda no Norte Fluminense.
Jose Francisco Guimarães Costa, Rio de Janeiro, por e-mail


Um diretor do Incra declara que os índios, acusados de matar 29 garimpeiros, o fizeram para defender suas terras e o exército coloca soldados, carros de combate e tanques, com canhões voltados para os invasores, com o propósito de evitar invasão às terras de sua propriedade. Não que eu goste de garimpeiros devastadores, aprecie o aparato militar voltado em defesa do seu solo e muito menos do vandalismo dos participantes do MST, mas uma coisa deve ser discutida: por que só os proprietários de fazendas privadas, que tem legalmente suas terras produtivas, são considerados perigosos por se armarem para defenderem seus patrimônios? Se o comportamento é aceitável para uns por que não para todos? Os sem-terra invadem, depredam o que estiver plantado e muitas vezes os imóveis e, depois que são expulsos legalmente, saem deixando para o dono da terra todas as despesas de reconstrução daquilo que foi destruído. Não estará na hora de, objetivando evitar destruição vandálica, determinar multas pesadas para a entidade responsável pelo movimento invasor? Talvez isso iniba o comportamento destrutivo de invasores, seja lá quem ele for.
Wanderley Jorge Bueno, Rio de Janeiro, por e-mail

Rocinha

Empolgante a aguda análise que o Alberto Dines (JB, 17/4) faz sobre a guerra na Rocinha, que cresceu fruto da demagogia e do populismo, como ele bem diz. Ainda bem que temos jornalistas que espelham tão bem a indignação do contribuinte carioca. Ele remonta ''ao pedacinho de roça'' que se transformou em gigantesco reduto do narcotráfico incontrolável: ''show room da falência do Estado, terra de ninguém da República...'' Continuaremos, portanto, reféns dos bandidos e dos usuários.
Walter Gonçalves, Rio de Janeiro, por e-mail


Atenta à pergunta do leitor Braulio Correa (ontem, 18/04), sinto-me no direito de esclarecer porque este que se intitula Secretário de Segurança do nosso

Estado não acaba com a festa. É simples. A Rocinha a maior favela do Rio, elege 3 deputados estaduais e tem 200 mil votos. Entendeu?
Lêda Jacintho, Rio de Janeiro, por e-mail

Sociedade

As notícias do final de semana, de que metade dos mais de 3 mil frequentadores de uma festa rave em Vargem Grande usavam drogas , a libertação por defensores públicos do assassino confesso do casal Staheli e a prisão e a rápida libertação do ator global Marcello Antony, preso com 100 gramas de maconha na porta de um hotel, indicam que tipo de sociedade vem cobrando ações enérgicas para combater a criminalidade no país.
Ailton Silva, Rio de Janeiro, por e-mail

Bancos

O presidente Lula, em sua correta ideologia popular, poderia pensar em redefinir a função dos bancos federais - CEF e BB - e dos bancos estaduais e de fomento, para sair da atual concorrência com os bancos particulares e servir aos seus propósitos sociais originais. Vejo mais sentido na Caixa Econômica Federal e no Banco do Brasil deixarem a linha Ourocard, Cheque Azul, etc., em direta competição com bancos comerciais, e se voltarem para o financiamento de moradias, terrenos e materiais de construção para as classes mais humildes, com a fixação de ações de mutirão e projetos populares realizados com instituições, como o Clube de Engenharia e até empresas particulares de arquitetura. O mesmo se poderia aplicar ao financiamento facilitado para as pequenas empresas, que são os maiores criadores de empregos do país. Não há sentido em bancos do governo prestarem serviços às classes mais favorecidas. Já há bancos suficientes para isto.
Claudio M. Zyngier, Rio de Janeiro, por e-mail


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[19/ABR/2004]


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