Esquerda unida é ficção. No Brasil, até o fim da Guerra Fria, nunca aconteceu. Após 1990, a esquerda, órfã e perplexa com os acontecimentos internacionais, entrou em hibernação. A conquista do poder pelo PT é fato inédito, no Brasil, e surpreendente para os demais países. Ganhou a esquerda, mas quem a elegeu, em sua maioria, não é de esquerda. Alguns intelectuais e militantes, da esquerda do PT e de fora do partido, devem refletir bastante acerca de suas responsabilidades. O Brasil não é um partido, um sindicato, uma ONG. O que está ocorrendo, no Brasil, extrapola suas fronteiras. A
plantinha ainda é muito frágil.
Antonio Negrão de Sá, Rio de Janeiro, por e-mail
Lula
Realmente, presidente Lula, a partir de 1º de janeiro, segundo suas palavras, ''o Brasil será muito melhor''. Pois sim, teremos aumentos na gasolina, no IPVA, no IPTU, na tabela do IR congelada, os funcionários públicos poderão comemorar neste ano dez anos sem aumento, uma maravilha, de fato. Nem é preciso desejar ao sr. e ao seu primeiro-ministro um feliz ano novo, pois continuarão as viagens internacionais e provavelmente ganharão as eleições com a máquina do governo e o bilhãozinho que seu partido tem guardadinho no banco.
Luiz M. Leitão da Cunha Vieira Souto Costa, São Paulo, por e-mail
Indenização
Concordo plenamente com o artigo de Fritz Utzeri, intitulado Aposentadorias régias para prejuízos duvidosos, e acrescento o seguinte: e se os Estados Unidos fossem indenizar os confederados ou rebeldes que perderam a Guerra de Secessão na América? Como é que ficaria? Se a sra. Condoleezza Rice ficar sabendo que o Brasil indenizará todos que pegaram em armas ou conspiraram para derrubar um governo que de quatro em quatro anos era eleito por um colégio eleitoral eleito pelo povo, ela vai cair da cadeira de tanto rir deste absurdo.
Gilton F. Silvério, Volta Redonda (RJ), por carta
Agiotagem
''Dizei-me vós Senhor Deus, se é mentira se é verdade tanto horror perante os céus... (Castro Alves). Dívida externa de R$ 1 trilhão, mais de R$ 800 bilhões de dívida interna. É impagável se não fosse trágica a herança dos oito anos de FHC! Mas que não pode ser paga, não pode! Não pode e não deve ser paga! Como brasileiro desejo que em 2004 o presidente Lula decrete a nossa verdadeira independência e a abolição socioeconômica imposta ao Brasil pela agiotagem internacional.
Fernando d'Ávila, Rio de Janeiro, por fax
Privilégios
O tratamento preferencial e discriminatório que a polícia está dando ao senhor Wolf Maya, que teve a sua casa assaltada, é abuso de poder e falta de respeito com os demais moradores cariocas que não trabalham na Rede Globo e nem são famosos e que tiveram também a sua casa assaltada. Quem está pagando a patrulha em sua porta por 24 horas? Na nossa Constituição, ser funcionário global não é o suficiente para ter tratamento vip pelas nossas autoridades que fazem questão de ser boazinhas para quem tem dinheiro e poder !
Teresa Abreu de Almeida, Rio de Janeiro, por e-mail.
Criminalidade
Para se evitar mortes por armas de fogo, desarma-se a população civil, mas os bandidos continuam a importar sofisticadas armas de guerra. Para que jovens carentes entre 16 e 18 anos parem de trabalhar para o tráfico de drogas, pede-se a responsabilização criminal aos 16 anos, mas não se aumenta a oferta de empregos decentemente remunerados. Para se compensar a falta de alimentos, distribuem-se cestas básicas que duram duas semanas, mais ou menos. Só que o ano tem mais 351 dias de fome e desespero. Enquanto as ''soluções'' encontradas forem estas, crescerão neste país apenas a mentira, o embuste e a marginalidade.
Mariúza Peralva, Niterói (RJ), por e-mail
A origem de um número considerável de crimes vem do analfabetismo e da má distribuição de renda. Atualmente, tem-se discutido muito sobre a maioridade para responder a cada crime cometido. Ela é de 18 anos, mas há uma grande maioria que quer essa maioridade reduzida para 16 anos. A declaração do bispo da Basílica de Nossa Senhora Aparecida, D. Aloísio Lorscheider, merece ser analisada com respeito, pois ele não deixa de ter as suas razões, pois o menor que tem a sua vida normal e digna nada tem a perder com a redução da idade. Mas aqueles que praticam o crime devem ser incriminados, pois se têm vocação para o crime, também devem ser penalizados como adulto, porque devem estar cientes de que praticar crimes é um mal terrível para a sociedade brasileira.
Razões pelas quais entendo que a redução da idade seria uma solução importante para a redução dos crimes em nosso Brasil.
Geraldo Miquelotti, Nova Iguaçu (RJ), por carta
Transgênicos
Os dados que alimentam o debate sobre a soja transgênica não apontam uma definição clara onde se deve chegar. São tantas informações desencontradas, que acabaram virando uma salada de palavras e embaralhou o assunto na cabeça do povo, gerando incertezas e desinformação. Os transgênicos causam medo por resultar de um emaranhado feito científico e que deixam muita controvérsia quanto aos riscos à saúde dos consumidores. A tendência de algumas discussões sobre o tema é colocar o ganho mercantilista acima de tudo. As atitudes interesseiras do mercado não podem prevalecer sobre as ações que defendem a vida, a saúde e o ambiente. Esperamos que a comunidade científica dê uma conclusão sobre a polêmica da soja, sem se envolver em conflitos de interesse. Os transgênicos também não dispensam a química. E se a ciência é pela vida, não podemos deixar de incentivar o crescimento da agricultura orgânica. Pelo menos ela não produz alimentos recheados de venenos.
João Evilázio Gomes, Barbacema (MG), por fax.
Saddam
É inacreditável que o mundo se mobilize por um julgamento ilegal contra Saddam Hussein! Além de todas as mentiras que se dizem a seu respeito, omissões e calúnias, ainda querem um julgamento num país ocupado pelos americanos, com um governo que não tem respeito algum no Iraque e que não é reconhecido pelos árabes. Exige-se o mínimo de justiça. Que Bush e Blair sejam levados ao Tribunal Penal Internacional.
Michel Bazargan, Itaipava (RJ), por e-mail
Transporte coletivo
Uma coisa que o nosso povo (sempre conformado) não sabe são os efeitos colaterais dessa esdrúxula alteração da localização das roletas que os proprietários das empresas de transporte coletivo nos impuseram. Como exemplo, citamos dois deles: 1) Os idosos e deficientes físicos, agora localizados na frente, estão mais expostos a ferimentos graves em caso de batidas frontais do ônibus. 2) A aproximação da roleta (e, conseqüentemente, do trocador) do motorista resultou um permanente bate-papo entre os dois membros da tripulação do coletivo, com agravamento se um dos dois for mulher e, ainda por cima, atraente. Eu pergunto: como é que fica a famosa inscrição: ''Pede-se não falar ao motorista''? Enfim, coisas do Brasil neoliberal, o qual prossegue, mesmo após a saída de FHC.
Roberto Haroldo Accioly Fragelli, Rio de Janeiro, por fax