''Tanto já se falou e escreveu sobre a violência, que fica difícil acrescentar algo novo. Mas ninguém ignora que ocorre uma guerra declarada do crime contra o Estado brasileiro. A força da indústria sanguinária dos bandidos continua avançando, enquanto a atualização das leis processuais parou no tempo e no espaço. O código, que é cheio de brechas que facilitam a impunidade, está velho demais para ser aplicado na situação atual. O rigor de suas normas é sinônimo de benevolência diante do crescimento da bandidagem e da crueldade dos marginais. E acho que o crime não é organizado. Se o fosse, seria mais fácil combatê-lo. O que se vê é uma minoria de facínoras bem armados, que tem um acúmulo de dinheiro e ataca, sem regras , aqui e ali. Organização é tudo o que não interessa aos bandidos, que perderam o medo da polícia e da justiça. A sociedade está acuada e sem expectativa otimista, pois se sente insegura com a proteção do próprio Estado, que perdeu o controle da situação.''
João Evilázio Gomes, Barbacena (MG), por e-mail.
''Onde estão os manifestantes vestidos de branco, e os apelos pela proibição da fabricação de armas no Brasil? Onde estão os advogados da abordagem social do problema? Onde estão os que diziam que a violência no Rio era um problema infanto-juvenil? E também que estávamos longe de nos transformar numa Colômbia? Por que em todo o mundo democrático e civilizado, quando existem situações dessa gravidade, o Exército e forças policiais federais são convocados, modificações na legislação penal são adotadas e, no Brasil, continuamos ainda planejando a médio prazo?''
Everton Jobim, Rio de Janeiro, por e-mail.
''A cada repetição das ações de terror do crime organizado do narcotráfico internacional contra o Rio de Janeiro, os seus barbarizados habitantes perguntam: até quando o governo federal vai permitir que a cidade continue a afundar nesse lodo colombiano do narcotráfico internacional? Está mais do que claro que para enfrentar esse flagelo a cidade terá de ser transformada temporariamente em território federal ou em município neutro, sob controle do governo federal, com toda a força do seu peso político e dos seus recursos materiais e humanos, até que seja eliminada a base brasileira de operações criminosas que o narcotráfico internacional nela instalou, graças à negligência dos governantes locais dos últimos anos.''
Fernando Salinas Lacorte, Rio de Janeiro, por e-mail.
''Políticos, assassinos, jornalistas do crime e outros bandidos fluminenses comandam o banho de sangue do Rio de Janeiro.''
Jandira P. Vasconcellos, São Paulo, por e-mail.
Fome Zero
''O Fome Zero foi lançado com banda de música, ônibus, helicópteros, caravana de ministros, enfim, uma festa completa. Supunha-se, como o PT se preparou durante 20 anos para governar o país, que o programa estivesse pronto e preparado, inclusive com fonte de recursos e mecanismos de controle. Tais mecanismos são importantíssimos, pois o programa abrange todo o Brasil, e é fundamental que se prestem contas, em nome da transparência de ações. Ora, estamos em maio e até agora nada nos foi apresentado. Não sabemos o valor das doações, a quantidade de alimentos doados e de famílias beneficiadas com o programa. A opinião pública não deseja saber nomes, apenas quanto foi arrecadado no período, pois fica a impressão de que só quem ''mamou'' nesse programa foram as agências de propaganda.''
Ernani A. B. Filho, Rio de Janeiro, por e-mail.
Previdência
''Nessa tal ''reforma'' da Previdência, será que escorchar os inativos será suficiente para tapar o rombo do sistema? Não seria mais rápido, legal e efetivo obrigar a União, os Estados e os municípios, a pagarem o que descontam de seus funcionários e não repassam ao INSS, na mais autêntica, oficializada e impune apropriação indébita? Até quando vão deitar e rolar, renegociando sempre os débitos que nunca pagam? Antes de qualquer outra coisa, é necessário reformar a seriedade e a honestidade neste país.''
Silvio de Barros Pinheiro, Santos (SP), por e-mail.
''A volúpia do governo em garantir, no primeiro turno, a votação das reformas tributária e da Previdência custará caro ao contribuinte. Numa espécie de ''sedução'', esperando a colaboração dos políticos, o governo implementará uma manobra criada por nossos parlamentares que lhes proporcionará uma triplicação do confortável salário de R$ 12.720, ou seja, um total de R$ 38.160 no mês de julho. Essa é a dinâmica atual: para manter a máquina pública, o governo cria um imposto transitório para a saúde (obviamente desviado para outros setores) e, posteriormente, o transforma em permanente. Evidentemente que a pobre CPMF, por não suportar tanta ''sangria'', carece de reforço de caixa. Cria-se então a taxação sobre os nativos. Amanhã, os vorazes do poder criarão um imposto sobre o oxigênio que respiramos.''
Fernando Monçores Velloso, Rio de Janeiro, por e-mail.
''Tenho lido e escutado muitas críticas ao governo Lula, principalmente no que diz respeito à reforma da Previdência. O presidente foi muito feliz ao dizer que se alguém tem outra fórmula que apresente, e pare de uma vez por todas de fazer barulho. Divergências existem em qualquer grupo: esportivo, religioso e, principalmente, na política. É bom lembrar que a Constituição brasileira garante a qualquer cidadão o exercício da liberdade de expressão, o que não pode é usar esse direito de forma destrutiva. Também não podemos esquecer que existem verdadeiros ''marajás'' recebendo gordos benefícios enquanto a maioria de aposentados e pensionistas recebe míseros R$ 240. Será que isso é justo? Com certeza, se pararmos para pensar, alguma coisa tem de ser feita para que a diferença do maior para o menor salários não seja tão grande.''
Euclides Neto, Rio de Janeiro, por e-mail.
''Vejo o trabalho intenso dos novos governantes querendo mudar o sistema da Previdência para o funcionalismo público. Fala-se em previdência complementar como se fosse fácil para um funcionário do Poder Executivo, que é o que menos ganha, tirar do seu salário uma quantia que, de acordo com sua idade, será significante no fim do mês. Existe outra dúvida: já que essas previdências são ligadas a bancos e estes vivem quebrando, quando chegar a hora de recebermos os respectivos benefícios, essas instituições (os bancos) estarão aqui para nos pagar? Certamente, tais instituições, pelo que já conhecemos dos banqueiros, serão no futuro mais um sucateado INSS.''
Paulo Cesar de Araujo, Rio de Janeiro, por e-mail.
''Na qualidade de prestador de serviço ao público leitor, desejo que o JB seja o veículo do meu veemente protesto. Não concordo, assim como qualquer brasileiro cioso da soberania nacional, com a entrega - praticamente gratuita - do derradeiro patrimônio nacional, que é a Previdência pública, ao capital privado e especulativo nacional e internacional.''
Regina Fátima Rachide Menezes, Niterói, pelo Correio.
Museus
''Parabéns pela reportagem O enigma do museu (Caderno B, 7/5). ''É preciso trabalhar com os 700 mil alunos da rede municipal'', eis a questão mais importante, pois são eles, os alunos, que serão os cidadãos de amanhã. E como moro na rua em que se situa o Museu do Índio, diariamente visitado por milhares de alunos, sinto sempre uma especial alegria em vê-los esperando a entrada no Museu da História. Acompanho também como se manifestam curiosos, quando têm de esperar em frente do MNBA, pelo momento de poder enriquecer a sua sede de cultura das belas artes! Permitam-me apenas retificar um pequeno lapso: o Museu Nacional de Belas
Artes se situa em frente ao Teatro Municipal, na Avenida Rio Branco, e não na Cinelândia, que começa no Monroe e termina na Lapa.''
Werner Nehab, Rio de Janeiro, por e-mail.