''O que mais me encanta na época do Natal é a manifestação de bondade, alegria, ternura e solidariedade que atinge as pessoas. Algumas, é claro, não precisam esperar o mês de dezembro para acolher o outro, somar e dividir direitos e deveres. Para elas, a solidariedade faz parte integrante do ser humano. Olho por outro ângulo e fico sem entender o porquê de certas manifestações de bondade para consigo mesmo, no mês de Natal. Procuro quem poderá definir o desencanto que nós, brasileiros, sentimos ao receber a notícia do aumento de salário dos representantes do povo. Por que não estender essa bondade e ser solidário com os assalariados, que precisam sobreviver? Onde está o dinheiro que atende à elite, ao outro Brasil, o Brasil que não sabe de onde tirar o dinheiro para o reajuste do salário mínimo? Este bem poderia ser considerado o Natal do desencanto com as autoridades e da certeza de que ao povo está destinado um presente que mais parece um presente de gregos.''
Antônia Margarida Félix, Belo Horizonte, por e-mail.
''É lastimável que o Natal tenha perdido seus belos significados e se transformado na celebração máxima de rituais consumistas. Pouco se ouve falar da cerimônia religiosa cristã que festeja o nascimento do Menino Jesus. Muito menos da festividade pagã do Sol Invictus, anterior. Na verdade, este dia corresponde ao solstício de inverno no Hemisfério Norte. As comemorações natalinas não se restringem aos aspectos religiosos e sazonais, mas celebram também a beleza do grande evento cósmico que acontece a cada ano.''
Mariúza Peralva, Niterói, por e-mail.
Indulto
''O quase ex-presidente FH acaba de presentear 5 mil presos, assinando um superindulto de Natal. No pacote estão incluídos até presos que cometeram crimes sob grave ameaça, que antes ficavam de fora dos indultos. É preocupante para a sociedade saber que, além dos criminosos que ainda estão em liberdade, aterrorizando nosso dia-a-dia, serão soltos mais 5 mil. Essa atitude de FH é populista e ameaçadora da integridade dos cidadãos brasileiros.''
Ana Rita Chede, Rio de Janeiro, por e-mail.
Aumentos
''Às vésperas da mudança do ano e de governo, e a propósito da generosidade de Papai Noel, ao presentear nossos parlamentares, vale a pena ler de novo a nota Que país!, da coluna Boechat (6/11): ''Dissecando os gastos públicos no Brasil, um economista descobriu barbaridades no Orçamento da União deste ano. Por exemplo: considerada a despesa geral da Câmara, cada deputado federal custa ao país, diariamente, R$ 3.700. Ou R$ 1,3 milhão por ano. Entre os senadores, a loucura é ainda maior, pois o custo individual diário pula para R$ 71.900. E o anual, acreditem, para R$ 26 milhões. Comparados a outras ''rubricas'', os números beiram o delírio. A mesma União despende com a saúde de cada brasileiro apenas R$ 0,36 por dia. E com a educação, humilhantes R$ 0,20''.''
Gercy Telles de Menezes, Rio de Janeiro, por e-mail.
Nelson Hoineff
''Li o artigo Ponto de exclamação, de Nelson Hoineff (17/12). Era um grito de muitos brasileiros que estava entalado na garganta e ele conseguiu traduzir na medida certa, com palavras que vão tocando o coração com a mesma intensidade com que vão abrindo nossas mentes.''
Aldo Anísio, Rio de Janeiro, por e-mail.
Millôr
''Millôr, em 22/12, esteve demais: ''No Brasil temos apenas, em fim de mandato, um pavão que não se manca'', a propósito de lame duck, pato manco, que é como se chama, nos EUA, um presidente em fim de mandato. Mereceria o Prêmio Barão de Itararé, caso houvesse. Aliás, não sei se Millôr se deu conta da frase presidencial mais inteligente e profunda dos últimos oito anos. Foi num congresso evangélico, vejam no arquivo do JB: ''Aleluia, como disse Haendel''. Lembrando o inesquecível Vão Gogo, do ''Pif-Paf'' (O Cruzeiro, anos 50): corre o pano, rápido!''
Orlando de Barros, Rio de Janeiro, por e-mail.
Fritz Utzeri
''Sempre votei no PT. Lendo a coluna de Fritz Utzeri de 22/12, compreendi o ponto de vista, embora não concorde com ele. Manter a estabilidade é fundamental para evitarmos uma crise maior - não possuímos margem de manobra. É impossível nos divorciarmos da realidade. O primeiro ano do governo Lula será difícil. Neste momento não temos como erradicar a miséria acumulada em 500 anos. Caberá ao governo, através de políticas sociais, iniciar o resgate dessa dívida injusta. Os anos FH deixaram o Brasil numa posição tão vulnerável que não podemos romper os contratos estabelecidos, sob pena de repetir aqui o que ocorre na Venezuela. Acredito e confio em que o novo governo implementará programas de desenvolvimento que a médio prazo darão ao Brasil condições de mudar o rumo. Precisamos crescer a partir de um ponto, iniciar um ciclo capaz de se sustentar por muitos anos. Respeito e admiro os utópicos de uma sociedade socialista, pena que milagres não ocorram.''
Jorge Nogueira Rebolla, Rio de Janeiro, por e-mail.
''Mais uma vez Fritz Utzeri acertou, na coluna de 22/12. Muitos de nós deveríamos estar lamentando este momento e mentalizando aquele famoso bordão: ''E eu acreditei!''.''
Silvio Leite, Rio de Janeiro, por e-mail.
Dólar
''Esse dólar que anda nas páginas dos jornais foi criado de forma errada. Muito mimado, parece criança com birra. Sensível ao extremo, não pode ver um cheirinho de crise, que sobe nas tamancas.''
Domingos Oliveira Medeiros, Brasília, por e-mail.
Compras
''Segunda-feira, 23/12, 15h, em frente ao Ponto Frio da Rua da Carioca, estaciona viatura da Policia Civil 67.8145, placa LNK 1691. De seu interior sai uma mulher loura (ou oxigenada), retira duas crianças do banco traseiro, repleto de presentes, e vai às compras, deixando o carro aberto e estacionado onde não é permitido. Depois não sabem o porquê do aumento da violência.''
Alfredo Figueiredo Silva Filho, Rio de Janeiro, por e-mail.