''Lamentável o mau gosto da primeira página do JB. Será que precisa
apelar tanto? Há que se resgatar o bom senso, o respeito, o bom gosto
sem deixar de ser verdadeiro.''
Rosemarly Wisniowski Rebelo, Niterói.
''Foi difícil deparar-me, ao abrir o jornal, pela manhã, com a cena grotesca, violenta e sem sentido, do soldado morto e esfaqueado. Atos como esse, e até piores, acontecem todos os dias, nas inúmeras guerras que assolam o mundo, e em nossas próprias guerrilhas urbanas. E nem por isso a mídia em geral sai por aí documentando e exibindo a crueza de fotos ilustrativas similares, que, tenho certeza, devem rodar cotidianamente pelas redações. Assassinados, mutilados, vítimas de desastres, deve haver aos montes. Começar a mostrar isso acende uma luz e faz soar uma sirene. Informe-se, igualmente, sem ilustração, com textos, comentários, artigos. Informe-se, com foto de outro ângulo. Sem a necessidade de uma foto de quase página inteira, um ''nu frontal da violência, da barbárie'', que revolta e causa engulhos. Não há mais parâmetros para o que deve ou não ser mostrado? Será que o JB está adotando os parâmetros dos jornais menores, do tipo que se espremer, sai sangue?'' Uma pena.''
Verônica de Mendonça, Rio de Janeiro.
''Depois de brindar seus leitores com uma bela primeira página na terça-feira, o JB de quarta, 13 de março, errou feio. Na mesma edição que traz ótima entrevista no Caderno B com Jurandir Freire Costa, falando contra a banalização do sexo, a primeira página do jornal apela para a banalização da violência, com a dispensável foto do cadáver de Raed al-Liftawi sendo esfaqueado por um palestino. Que o mundo é cão nós já sabemos. Mas quando ele nos invade dessa forma, o resultado (perverso) é uma progressiva anestesia. Se é verdade que uma imagem vale mais que mil palavras, as mil palavras que estamos precisando ouvir seguramente não são essas.''
Adriana Lisboa, Rio de Janeiro.
''Desculpas. É o mínimo que o JB deveria pedir aos seus leitores por nos brindar com a bárbara foto estampada na primeira página de ontem. Se já não bastassem as violências diárias que sofremos, cometidas por bandidos, policiais, políticos, temos ainda que suportar a estúpida e infeliz idéia de estampar em grande estilo a foto de um ser humano sendo esfaqueado. Lamentável começar o dia vendo tal barbárie que, sabemos, acontece diariamente, mas que é dispensável de ser mostrada por jornal tão prestigioso.''
Marco Rodrigues, Rio de Janeiro.
''O equilíbrio e o bom senso sempre foram marcas registradas do JB. Sou seu leitor diário há muitos anos. Mas ultimamente tenho notado que determinados ''apelos'' fotográficos, ainda que retratando a cruel realidade, têm sido publicados, fugindo a essas regras. A foto estampada na primeira página de ontem foi chocante. Meus filhos não leram a edição, como o fazem costumeiramente. Não se trata de censura. Trata-se do papel de formador de opinião, que pode estimular a decência ou afetar comportamentos de forma negativa, sobretudo nos jovens. A quem serve esse recurso? Será que isso ajuda a vender mais jornais? Não combina com os consagrados padrões éticos do JB, que conquistaram uma legião de fiéis leitores ao longo de sua história centenária.''
Eduardo Constantino de Lima, Juiz de Fora (MG).
''Qual a necessidade de colocar essa foto na primeira página? Todos nós estamos a par dos conflitos recentes no Oriente Médio e temos idéia das atrocidades cometidas nestes últimos meses nessa e em outras partes do mundo. Esse rapaz é filho, irmão e neto de alguém, e tenho certeza de que a publicação dessa foto em qualquer jornal que seja apenas agrava o desespero dos familiares. Nos dias de hoje, com tanta violência e desrespeito à humanidade essas imagens podem parecer comuns e aceitáveis. No entanto, ainda existem aqueles que como eu se chocam com tal falta de sensibilidade.''
Valéria Rosales , Memphis, Tennessee (EUA).
''É um completo absurdo a publicação da foto da primeira página de ontem em um jornal como o JB. Sabemos que a violência existe, que o conflito do Oriente Médio está passando dos limites, as rebeliões dos presídios, idem. Que pessoas morrem de forma brutal todos os dias. Que o mundo é cão. Que aviões invadem edifícios em Nova York e prisioneiros andam amarrados e encapuzados pelo mundo. Mas abrimos o jornal e lemos. A publicação na primeira página nos obriga a ver cenas que preferíamos esconder de filhos pequenos.''
Angela Fatorelli, Rio de Janeiro.
''Claro que se tratava de informação nua e crua do terror que se instalou no Oriente Médio, mas repudio veementemente a estampa escandalosa, em primeira página, de atos infames de violência. Nesse aspecto, o JB aproximou-se perigosamente de jornais como Povo e A Notícia (que descanse em paz). Aquela foto não merecia a primeira página!''
Romay Conde Garcia, Rio de Janeiro.
''Lamentável e chocante a foto estampada na primeira página do JB de ontem. Digna de jornal de periferia, que só trata de assuntos sensacionalistas. Não consigo acreditar que seja no JB, tido por todos como padrão de seriedade, modelo de jornal. Jamais vi algo igual. Vulgar demais para o gosto das pessoas de bem, sensíveis, equilibradas, como são os leitores do JB.''
Juraci R. de Oliveira, Niterói.
''Foi com profunda consternação que vi a foto de um homem sendo esfaqueado, mesmo depois de morto. Foi chocante para mim, aos 45 anos, e para meus filhos, todos menores de 14 anos, que estavam ao meu lado. Não sou nenhum religioso puritano, aliás, não acredito em nenhuma religião, mas a foto foi extremamente agressiva e dispensável. Não creio que um veículo de comunicação do gabarito do JB necessite recorrer a esse tipo de espetáculo para vender jornal.''
G. Campello, Rio de Janeiro.
''Lamentável o mau gosto da primeira página do JB. Será que precisa apelar tanto? Há que se resgatar o bom senso, o respeito, o bom gosto sem deixar de ser verdadeiro. Rosemarly Wisniowski Rebelo, Niterói.
''Precisavam agredir o leitor - e todos os que passam pelas bancas de jornais - com a foto da primeira página da edição de ontem? Bela contribuição para a banalização da violência! Por favor, me expliquem o por quê?''
Enrique Saravia, Rio de Janeiro.