E-mails e telefones
Shopping JB Online
Home
Tempo Real

Colunistas
Solucionática
Impressora matricial

Informe JB
Herança bendita

Cartas
O Iraque é aqui

Horóscopo

Língua Viva
Palavras de política

Gente
Em família

Charge Online

Marcia Peltier
Festança

InSite
Cabe não

Nas Páginas da História
12 de Abril no JB

Informe Econômico
Artilharia pesada

Boechat
Guerra à gordura 1

Gilberto Amaral
Transgênica

Marcus Barros Pinto
Só nos resta o ''Grita Brasil''

Marcos Caetano
De cabeça para cima

Conexão Blogger
A alta gastronomia dos X-Salada

Hildegard Angel
Valentino no Rio!

Machline
Esqueçam as lindas, mídia nas feias

 


Só nos resta o ''Grita Brasil''


Se há um programa em que o governo investe, e com sucesso, é o ''Grita Brasil''. Não foi lançado oficialmente, com solenidade no Planalto ou discurso do presidente. Mas é nítido que tem sido o de maior sucesso desta gestão federal. Com formação sindical e, portanto, no que se convencionou chamar de ''sociedade civil organizada'', o presidente Lula é um ardente defensor da união setorial na reivindicação por direitos.

As montadoras gritaram, ganharam isenção do IPI. O ministro da Agricultura gritou, conseguiu de seu colega do Planejamento verba para pagar os fiscais dos portos e acabar com a greve em Paranaguá que fazia apodrecer a safra de soja. Os militares gritaram e, de nenhum aumento, ganharam a promessa de algum ainda este ano. O MST gritou, dobrou a verba reservada no Orçamento para assentamentos. A base governista idem, e o governo separou R$ 2,5 bilhões para atender às emendas parlamentares. Os governadores chiaram, levaram mais uma fatia do imposto sobre combustíveis para incentivar seus correligionários a aprovar as reformas. E os juízes, irritados com o teto fixado para salários, protestaram e o valor ganhou alguns significativos reais. Por enquanto, só a Polícia Federal grita mas não leva.

Em recente encontro com jornalistas, o presidente Lula os exortou a reestruturar a Associação Brasileira de Imprensa, instituição suprema do poder de organização da categoria (com eleições agora, no fim do mês). Fica nítido, pelo listado acima, que o Partido dos Trabalhadores, por determinação interna, chegou ao poder com a missão de tirar a sociedade do imobilismo egoísta em que se plantou e mostrar que só o povo organizado alcança seus objetivos. Povo, no caso, entendido por qualquer categoria profissional ou social, independentemente de classe, raça ou credo.

Um exemplo de atitude imediata dentro da linha de ação do ''Grita Brasil'' é a derivação carioca do movimento: o ''Grita Rio''. Não há civilidade, cidadania, paciência, humanidade ou decência que sobreviva à facilidade com que o tráfico de drogas e o crime atuam no Rio. Durante o feriadão de Páscoa uma criança de 4 anos morreu vítima de bala disparada por traficantes em luta numa favela da Zona Sul. Uma mulher, assustada ao ver uma arma apontada para sua cabeça quando entrava na garagem de casa, soltou inadvertidamente a embreagem, o que fez o carro pular e o imbecil do assaltante disparar mortalmente. Outra não atendeu à gangue que fechou a Avenida Niemeyer e foi assassinada por balas de fuzil. E 60 traficantes armados passearam pela noite da Zona Sul do Rio antes de atacar a Favela da Rocinha. Armas, armas, armas, armas e drogas. Sem controle. Acima da lei.

A disputa na Rocinha põe frente a frente Luciano Barbosa e Eduíno Eustáquio. O segundo, temido por moradores. Já foi chefe do tráfico no morro e mantinha, na caixa d'água próxima ao seu bunker, um jacaré vivo. Tinha por hábito pôr o bicho para triturar tornozelos (ou algo mais) de quem o contrariava. Invadiu a Rocinha apoiado por tropas do traficante Patrick Salgado. Este domina o Vidigal há mais de 10 anos e sua crueldade está mencionada no livro Abusado, do jornalista Caco Barcelos.

A polícia tem nomes, sobrenomes, sabe como age cada um e identifica quando haverá tentativa de invasão. Agora, promete entupir a Rocinha com 300 policiais por turno, durante 24 horas, concentrando ali 900 homens. Vêm as perguntas: este efetivo vai proteger Luciano e mantê-lo no domínio do tráfico local, que movimenta R$ 10 milhões por semana? E quando esta tropa sair? Se prenderem Luciano, Eduíno vai sentir-se com o caminho livre e vai tomar conta das bocas? Qualquer idiota sabe que a Secretaria de Segurança não pode manter 900 policiais ali por tempo indeterminado. E o restante do Estado? E os outros morros do Rio?

Caso a polícia - a mesma que claudica para identificar quem matou o casal Staheli - consiga prender Luciano e Eduíno, imagine a disputa que se abrirá para dominar o maior ponto de venda de drogas da cidade do Rio de Janeiro. Seja entre as facções, seja entre jovens traficantes que sempre receberam em espécie e hoje são viciados em cocaína, agora com armas ilegais e potentes nas mãos. A quem irá servir o exército de bestas-feras de Patrick do Vidigal?

No dia 2 de fevereiro, neste mesmo espaço, avisei: ''A Rocinha é um divisor de águas.''

Pois volto a repetir: esta guerra vai determinar quem de fato manda nessas terras.


Aumentar letras Versão para imprimir Diminuir letras Enviar matéria

[12/ABR/2004]


   Home > Colunas > Marcus Barros Pinto

Tempo Real | Brasil | Economia | Esportes | Rio | Internacional | Colunas
Internet | Caderno B | Domingo | Programa | Musicalidade | Viagem | Acelera
Idéias | Horóscopo | Especiais | Opinião | Editorial | Charge | Cartas