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A exposição Moi - Autoportraits du XXème siècle permanece, até julho, no Museu de Luxemburgo, onde é uma das atrações da temporada parisiense. Ela reúne cerca de 150 auto-retratos de um time de importantes artistas do século 20, como Picasso, Vlaminck, Giacometti, Baselitz, Bernard Buffet, Derain, Malevitch, Mondrian, entre outros. As obras são provenientes de diferentes museus e coleções particulares de arte moderna.

Os dois lados

Ainda em Paris, o Museu Maillol-Fundação Dina Verny abriga, até 30 de junho, uma retrospectiva consagrada a Francis Bacon, morto em 1992 aos 83 anos. A mostra O sagrado e o profano é composta de 37 quadros e cinco trípticos cedidos por museus e coleções privadas - alguns deles raramente expostos. O curador da mostra Michael Pepriatt conviveu com o artista nos seus últimos 30 anos de vida. Ele é o autor da mais completa obra escrita até hoje sobre o pintor inglês: o livro Francis Bacon, anatomia de um enigma.

Aos olhos

Pela primeira vez será exibido ao público parte da coleção de 900 peças criada, na década de 60 pelo magnata americano David Rockeffeler, para o JPMorganChase. O conjunto de 34 obras da instituição financeira estará ao lado de outras 31 peças do acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo, na mostra Gesto e Expressão: O Abstracionismo Informal, que o MAM inaugura, quinta-feira. A seleção de pinturas, gravuras, aquarelas, nanquins, relevos e esculturas resgata o movimento surgido na arte brasileira, no fim da década de 50.

Telas e papéis

O pintor, gravador e desenhista pernambucano Newton Cavalcanti apresenta, a partir de sexta-feira no Conjunto Cultural da Caixa, suas séries de trabalhos baseados nas obras Navio Negreiro, de Castro Alves, e A Mensagem, de Fernando Pessoa. A mostra é composta de 40 obras, entre pinturas, gravuras e aquarelas, e vai ocupar duas salas. Desde 1958, quando realizou as primeiras exposições, o artista já teve trabalhos exibidos em galerias de Londres, Barcelona e Paris. Sua trajetória foi tema de dois filmes: o curta-metragem Um artista brasileiro, de Mário Carneiro e Vitor Lustosa, e o documentário Newton Cavalcanti Quadro a Quadro, de Paulo César Sarraceni.

Desnudos

O fotógrafo americano Spencer Tunick, aquele que anda fotografando multidões em pêlo, mundo afora (como fez com os brasileiros no Parque do Ibirapuera, durante a bienal passada), está virando seu foco para o México. Em recente visita ao país de Frida Kahlo, ele anunciou a intenção de fazer das pirâmides de Teotihuacán um de seus próximos cenários.

Figura

O excêntrico e, atualmente, muito comentado marchand nova-iorquino, Maverick Larry Gagosian, está dando o que falar em Londres. Ele vai inaugurar a maior galeria de arte comercial da cidade, um espaço de 1.400 metros quadrados que permitirá a exposição de trabalhos monumentais nunca vistos antes na capital inglesa. Por exemplo, as imensas esculturas de Richard Serra, tema de uma mostra de Gagosian em Chelsea, Nova York, ano passado.

Sebo no mercado

O Al-Fárábi, um misto de sebo, galeria e café, recentemente inaugurado no Centro do Rio, vai promover seu primeiro leilão de gravuras, dia 26. Serão oferecidas ao público cerca de 150 obras de nomes como Cícero Dias, Volpi, Milton DaCosta, Caribé, Carlos Bracher e Rubens Gerchman, entre outros. A inovação do evento fica por conta do editor de gravuras e produtor de vídeos de arte Pedro Paulo Mendes. Durante o leilão, ele vai dar uma rápida aula sobre artistas, obras e técnicas de impressão.

Literária

O Ensaio sobre a Cegueira, do escritor José Saramago, inspirou Rosana Ricalde a criar seu novo trabalho, Seriações. Trata-se de um conjunto de obras, todas utilizando palavras do texto, ora recortadas, formando labirintos, ora compondo desenhos. Aparecem ainda na instalação montada com páginas do livro. A série integra a mostra que a artista inaugura, quinta-feira, no Espaço Antonio Bernardo, em Ipanema.

Foto de Divulgação - Sotheby‘s

Para provocar

Depois de chocar o público e indignar autoridades, as três esculturas dos meninos enforcados, do italiano Maurizio Cattelan, instaladas numa praça de Milão, foram desmontadas. Elas reproduziam as imagens em tamanho natural de garotos descalços, pendurados por cordas nos pescoços. A tarefa começou a ser feita por um transeunte que derrubou duas delas. Os bombeiros terminaram o serviço. Semana passada, uma obra do artista foi arrematada por cerca des de US$ 2 milhões, em leilão da Sothby's -NY. O trabalho Ballad of Trotsky (acima) é um cavalo empalhado, selado e suspenso do teto.

PERGUNTAS PARA RODRIGO MOURA

O Projeto Pampulha, criado há três anos, no Museu de Arte da Pampulha, em Belo Horizonte, já vem sendo apontado como uma referência na arte contemporânea emergente. O atual curador, o jornalista mineiro Rodrigo Moura, 29 anos, sucedeu Adriano Pedrosa que deixou a curadoria ano passado. Ele fala sobre o trabalho que vem sendo desenvolvido.

- Em que consiste o projeto?

- Ele promove uma série de mostras individuais de artistas em meio de carreira. Está voltado principalmente para instalação, escultura, performance e vídeo, favorecidos pelo espaço arquitetônico do museu que está abrigado no poderoso Cassino, de Niemeyer. Paralelamente, o Projeto Pampulha traz exposições de artistas mais jovens, no mezanino do museu ou nos jardins. Ambos estimulam o diálogo entre as obras e a arquitetura ou o entorno do edifício.

- Que obras já foram instaladas?

- O museu tem de quatro a seis aberturas anuais, com uma média de três mostras em cada uma. No programa do salão principal, já fizemos 13 exposições. Atualmente, estamos exibindo uma instalação de José Bento de grande impacto conceitual e visual. Outros projetos também lidaram com especificidades da natureza, como a Fonte, do Thiago Rocha Pitta. Este ano, estamos mostrando no mezanino exposições da Bolsa Pampulha - um projeto radical no panorama institucional, algo conservador e paternalista, da arte emergente no Brasil. Ele rompe com o modelo burocrático do salão, que gasta todos os recursos em eventos mais festivos do que artísticos e, que pouco ou nenhum resíduo, deixam no circuito das cidades onde acontecem.

- Qual tem sido o critério da curadoria?

- Priorizar a individualidade do artista para que ele faça aqui a principal ou maior exposição de sua carreira até o momento. Em termos teóricos, está voltado para transformações que o têm levado mais para o campo da experiência do que da ilustração, como diria o curador Nicholas Serota. Isso entendido no sentido de priorizar projetos monográficos, onde o espectador é convidado a se imergir em um trabalho ou uma poética. Mantemos grande interesse pela escultura brasileira, campo que tem se mostrado, historicamente, vivíssimo.

- Que outros artistas devem participar do projeto?

- Entre outras exposições, este ano vamos fazer uma grande exposição com obras inéditas do Ernesto Neto. Em outubro, mostraremos um projeto site-specific do mexicano Damián Ortega, que significa um passo adiante no sentido de internacionalização.

- Os artistas são comissionados?

- A maioria das obras é comissionada. Este é o grande ponto do museu: entender a dinâmica da arte contemporânea, que exige investimento em produção. Na Pampulha, escolhemos projetos que possam ser executados dentro de um orçamento não muito alto, mas que muitas vezes possibilita a execução de obras novas que o artista não teria oportunidade de fazer em outra instituição brasileira. O museu é financiado pela Prefeitura de Belo Horizonte e recebemos patrocínio por meio de leis de incentivo. Somos a única instituição brasileira, até onde eu saiba, que organiza, faz a curadoria e produz 100% da programação que exibe.

  • Os 40 artistas do Imaginário Periférico estão expondo na Faculdade de Educação da Uerj, em Duque de Caxias, até segunda-feira.

  • O francês Luc Simon exibe Suíte africana, reunindo 20 aquarelas, no Centro Cultural Correios.

  • O Instituto de Artes da Uerj está oferecendo aperfeiçoamento para artistas e estudantes em novas oficinas de arte.

  • A Dom Quixote Galeria de Arte, no Rio Design Barra, coloca em exposição e à venda 70 obras de artistas brasileiros, a partir de sábado.


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    [18/MAI/2004]


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