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Uma luz se apaga


Ao morrer semana passada, aos 75 anos, Lygia Pape deixou, além de um vazio na arte, uma agenda repleta de exposições internacionais. Entre elas, uma mostra que será inaugurada, dia 5 de junho na galeria Graça Brandão no Porto, em Portugal. E ainda outras em Los Angeles, Zurich e França. Em compensação, nos últimos tempos, a artista andava meio desligada das vendas em galerias. Estava sem representantes - mesmo nos mercados do Rio e de São Paulo. Há quatro anos, junto com a filha Paula Pape, vinha se dedicando ao levantamento de sua produção.

Movimento

A maior exposição do venezuelano Jesús Soto, no Brasil, se realiza ano que vem, no CCBB do Rio. O curador Paulo Venancio Filho esteve com o artista, há dois meses em Paris, para tratar da escolha das 45 obras que irão compor a mostra Soto: A construção da imaterialidade. São trabalhos monumentais que ocuparão todo o segundo andar. Aos 81 anos, o mestre da arte cinética, que participou da Bienal de São Paulo em 1998, virá ao Rio para a inauguração.

De gol em gol

Felipe Barbosa adentra o mercado com o pé direito. Na noite da abertura de sua primeira mostra no circuito das galerias comerciais, semana passada na Laura Marsiaj, metade dos trabalhos já estava vendida.

Balanço milionário

Nas duas noites de leilões promovidos semana passada pela Sotheby's, em Nova York, foram negociados aproximadamente US$ 314 milhões em arte. Só as obras da Coleção Whitney totalizaram US$ 189 milhões 894 mil, com quatro recordes quebrados. Além da tela Rapaz com o cachimbo, de Picasso, que atingiu US$ 104 milhões - o maior preço já pago por uma pintura no mundo - os outros recordistas foram Munnings, Bazille, Dufy e Blake. Com um salão lotado por mais de mil convidados, em black-tie como antigamente, a casa leiloeira foi obrigada a limitar em 60 o número de jornalistas e autorizar apenas a presença de 16 equipes de televisão.

Alquimia

Há sete anos sem expor no Rio, desde a mostra realizada no MAM, em 1997, Dolino apresenta novas pinturas, a partir do dia 18 na Patrícia Costa Galeria de Arte, no Shopping Cassino Atlântico. O artista geométrico e ex-pupilo de Ivan Serpa, um de seus grandes incentivadores, está incorporando metais nobres ao seu trabalho. Ele inseriu ouro, prata, estanho, cobre e bronze nas suas obras recentes, produzidas entre 2002 e 2004.

Como se fosse

Na nova instalação, criada para a mostra que inaugura dia 18 na Galeria Brito Cimino, em São Paulo, Nelson Leirner transpôs objetos de uso pessoal, garimpados na biblioteca de seu ateliê para a apreciação do público. Das prateleiras saíram bibelôs, reproduções de Vênus, anjinhos em biscuit, imagens de Santa Terezinha, Nossa Senhora Aparecida, livros e até catálogos de leilões. A exposição, intitulada Era uma vez... , traz também em outra parede uma série de oito módulos de fotografias da mesma biblioteca, em escala real, medindo 2,73 x 4,28 metros. É uma reconstrução do espaço do artista e, ao mesmo tempo, uma síntese de sua obra em tom de paródia.

Eles lá 1

Sete artistas cariocas de diferentes gerações vão estar reunidos numa mesma mostra londrina, a Unbound. Além da anteriormente citada nesta coluna, Anna Maria Maiolino, Brígida Baltar, Eduardo Coimbra, Felipe Barbosa, Jarbas Lopes, João Modé, Tatiana Grimberg e Eduardo Coimbra estarão mostrando instalações, a partir do dia 18 até 27 de junho. A curadoria é de Ziba de Weck.

Eles lá 2

A curadora escolheu de Eduardo Coimbra um trabalho de 1994, Passos Silenciosos. Já montado em diferentes lugares, a obra vai se adequando a cada espaço em que é instalada. Desta vez, ela ocupará uma área de 140 metros quadrados, e serão usadas oito toneladas e meia de sal grosso.

Perguntas para Ernesto Neto

Aos 40 anos, Ernesto Neto é um dos artistas contemporâneos brasileiros de maior prestígio no exterior, com obras em importantes coleções nacionais e internacionais. Já no início de sua trajetória em meados dos anos 80, ele ganhou o reconhecimento de crítica e admiradores com os trabalhos feitos de meias de náilon preenchidas com bolas de chumbo - uma de suas séries mais populares. Na segunda metade da década, ele passou a criar esculturas com malha translúcida e fina contendo especiarias de sabores, cheiros e cores diferentes. A prestigiosa coleção do Thyssen-Bornemisza Contemporary Art Foudation de Viena, acaba de adquirir uma instalação de 12 metros, recentemente apresentada na galeria Max Hetzler de Berlim.

Como está sua agenda nos próximos meses?

O que me espera é muito trabalho com algumas mostras que farei na Europa EUA e Japão. Além disso, no fim de junho será inaugurada uma exposição no Museu da Pampulha, em Belo Horizonte, lugar que está acolhendo um trabalho maravilhoso e virando centro de referência na arte atual. No fim do ano, estamos planejando algo para Fundação Eva Klabin.

A que você atribui seu sucesso internacional?

Acho que é uma soma de oportunidade, sorte e conteúdo. Poderia atribuir a vários aspectos, do lastro histórico da arte brasileira, minha fonte principal, ao contexto histórico gerador de oportunidades; de uma matemática estrutural a uma sensualidade estratégica. Mas o mais importante reside no fato de o trabalho acontecer na pele, sob efeito quase divino da força gravitacional, o relacionamento do corpo com a gravidade é comum a todos os seres vivos. Outro motivo que me parece importante é o estado ''camelô-nômade'' dos trabalhos, gerando uma surpreendente praticidade espaço e temporal.

O crítico inglês Guy Brett, em recente visita ao Rio, disse que a arte brasileira não é diferente da produção contemporânea mundial? Você concorda?

Ih! aí fica difícil. O Brasil é muito grande e o mundo muito maior, em todo caso... Não sei qual foi o contexto da afirmacão, se foi em relação à qualidade eu concordo. Acho, porém, que existe uma descontração e uma sensualidade no nosso fazer artístico que reflete um pouco esse jeito moreno misturado de ser. Penso que o modelo anglo-saxônico dominante é muito produtivo, mas um tanto quanto triste. Existe um certo equívoco na super valorização da morte na civilização ocidental, que a particularidade da nossa cultura talvez sublime. No entanto, aqui em nossa maravilhosa terra de ''vira-latas'', a cultura, nosso maior tesouro, é subvalorizada. E, infelizmente, discute-se economia no lugar de riqueza, que é fruto da capacidade humana de gerar conhecimento, pensar , educar, enquanto a economia se torna consequência dela. Sem a valorização de nossa cultura, ficaremos sempre dependentes do modelo e do juízo estrangeiros.

O público e o mercado correspondem -a produção atual?

Se a pergunta se refere ao Brasil, acho que o público e o mercado correspondem ao estado cultural do nosso país hoje. Acredito que estamos num estado de suspensão, à espera de algo que nunca vai acontecer, pois existe um erro de foco em nosso destino, que, a meu ver, gera uma crise de valores. O valor está colocado mais na visibilidade que é algo volátil, (quem, quanto) do que no conteúdo (como, porque). É divertido viver a vida dos outros, mas é a nossa que está em jogo

Você é um dos sócio-fundadores da Gentil Carioca. O novo espaço se dedica à divulgação e comercialização de obras de arte para um público de menor poder aquisitivo?

A venda é uma consequência, se o trabalho é bom e não vendeu hoje, certamente, vai vender amanhã. O negócio da Gentil é simplesmente deixar a arte acontecer, tentar ser generoso com o artista e o público. Acreditamos num público ativo e queremos maior proximidade entre ele, a arte e o artista. Nós, na Genti,l estamos mais interessados na vontade aquisitiva do que no poder aquisitivo. Não fala para ninguém, mas é porque dizem por aí que a gente só vive uma vez.


‘A CRUCIFICAÇÃO DE CRISTO’, de Jan van Dornicke, recentemente doada ao Masp, está avaliada em US$ 1 milhão


A restauradora Segolene Bergeon Langle, Conservadora Geral de Patrimônio Francês, faz palestra quarta-feira, no MNBA

  • Começa dia 18, no Museu Nacional de Belas Artes, o ciclo de palestras sobre a Missão Francesa.

  • Gösta Palmér apresenta pinturas, a partir de quinta-feira, no Forte de Copacabana.

  • A Embaixada do Brasil em Londres abriga, até o dia 31, a exposição Cândido Portinari - Visões de uma Infância Brasileira, reunindo pinturas e desenhos do artista brasileiro.

  • A Associação Brasileira de Pintores sobre Porcelana inaugura exposição internacional, quinta-feira, no Clube Monte Líbano.

  • O Brasil não vai deixar passar em branco o Dia Internacional de Museus, comemorado em 18 de maio. Na semana de 17 a 23, o Ministério da Cultura vai realizar cerca de 350 eventos, em 21 Estados brasileiros, envolvendo 77 cidades.


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    [11/MAI/2004]


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