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Divulgação/Paulo Innocêncio

Paiva Brasil com a tela que esteve na 5ª Bienal de São Paulo

Aos 73 anos, o pintor campista Paiva Brasil vai comemorar cinco décadas de pintura, no segundo semestre, com uma grande retrospectiva no MAC de Niterói, intitulada A forma lúdica. O artista, que começou pintando quadros figurativos, foi aluno de Santa Rosa e Samson Flexor, no antigo barracão do MAM do Rio. O reconhecimento veio depois que ele se tornou um construtivista. Esteve por duas vezes entre os selecionados para a Bienal de São Paulo, em 1959 e em 1975.

Do impuro na arte

Os herdeiros do suprematista russo Kazimir Malevich (1878-1935), o primeiro a resumir a pintura à pura abstração geométrica, estão processando a cidade de Amsterdã. Querem recuperar 14 obras que se encontram no acervo do Stedelijk Museum, na capital holandesa. Os 31 parentes do artista - que morreu, em Leningrado, na pobreza e no esquecimento - alegam que os quadros foram comprados, em 1950, por uma mixaria. Hoje, estariam valendo US$ 150 milhões. A querela foi levada aos tribunais de Washington.

De peso

A Tate Modern de Londres está apresentando, até 25 de abril, uma retrospectiva do escultor americano Donald Judd, morto há dez anos. A exposição inclui 40 obras do principal representante do minimalismo que, nos anos 60, se destacou no grupo de artistas interessados nas formas abstratas e nos materiais industriais, entre os quais estavam também Dan Flavin e Sol LeWitt. Os trabalhos de Judd significaram uma revolução na escultura e seu ensaio Objetos específicos, de 1965, é considerado um verdadeiro manifesto sobre sua forma de conceber a arte.

Bem-amado

Leilão realizado semana passada na Christie's de Londres mostrou que Picasso continua sendo um dos artistas mais cobiçados do planeta. Com o salão de sua sede na capital inglesa lotado, a casa leiloeira vendeu quatro quadros do artista por US$ 12,4 milhões. Na mesma noite, obras do também espanhol Salvador Dalí foram recebidas com frieza.

Melhorou

Falando em MAC, o museu também está em fase de comemoração. As exposições Apropriações e Hermelindo Fiaminghi na Coleção Sattamini foram visitadas por 21.575 pessoas. Este é um recorde de público, se comparado aos 18.463 visitantes, em sua maioria turistas em férias, que passaram pela casa no mesmo período do ano passado.

Viva México

Com uma mostra de 90 obras do pintor e gravador mexicano Francisco Toledo, o Instituto Moreira Salles abre, hoje, a sua agenda de exposições em 2004. Os trabalhos combinam a atmosfera onírica a uma temática de primitivismo gráfico, sempre fazendo referência ao passado de sua terra natal, o árido Oaxaca, no coração do México. Nascido em 1940, o artista estudou pintura, escultura e gravura em Barcelona e Paris, nos anos 80. Hoje, de volta à casa, ele se dedica a difundir a cultura e a arte em seu Estado.

Para alemão ver

Uma mostra do MoMA-NY, que ocupará a Nova Galeria Nacional de Berlim entre 20 de fevereiro e 19 de setembro, promete ser o acontecimento cultural da Alemanha nesta temporada. Tendo como principais promotores o ministro alemão de Assuntos Exteriores, Joschka Fischer, e seu colega americano, Colin Powell, a exposição é integrada por 200 obras de Cézanne, Van Gogh e Chagall, entre outros. O custo da montagem: US$ 10,6 milhões.

Saravá

Radicado há 30 anos nos EUA, o baiano Fernando de Jesus Oliveira, o Ferjó, assina a capa do catálogo da International Artexpo 2004 Nova York, que será inaugurada dia 26. O artista, conhecido pelos americanos por suas suas casas surreais, onde objetos flutuam e portas e janelas se abrem para o infinito, já recebeu por uma obra encomendada US$ 120 mil. Este ano, ele ocupa também um dos estandes do Jacob Javits Convention Center com um amostra de 70 trabalhos.

Ponto com nó

O carioca Walter Goldfarb participa da ARCO, a feira de arte contemporânea de Madrid, que movimenta a capital espanhola durante seis dias, a partir de quarta-feira. Ele está entre os artistas selecionados pela galeria madrilena Fernando Pradilla. Vai mostrar trabalhos inéditos de corte e costura de imagens extraídas de revistas pornográficas sobre obras de Rembrandt e Crispin Passe.

No martelo

Pertencente a uma expressiva coleção particular mineira - de onde nunca saíra antes a não ser para retrospectivas e salões de arte - a tela Casamento na roça, de Inimá de Paula, vai ao mercado. O leilão será no dia 16, na Vitor Braga Rugendas Galeria de Arte, em Belo Horizonte. A obra datada de 1947 traz no verso o carimbo do Salão Nacional de Belas Artes de 1949, onde obteve a medalha de prata. Lance inicial: R$ 230 mil.

PERGUNTAS PARA JOSÉ BECHARA
Depois de uma longa espera para que o Ministério da Cultura analisasse o seu novo projeto, o carioca José Bechara conseguiu, enfim, ter a exposição aprovada na Lei Rounet. Trata-se de uma experiência escultórica em grande escala – como ele mesmo define – intitulada A casa, que será apresentada no MAM do Rio, em agosto. O artista (uma revelação dos anos 90, hoje com trajetória reconhecida) diz que é incompreensível a demora do MinC para analisar os pedidos, mesmo sabendo que houve necessidade de adequações do projeto.

Para esta sua mostra no MAM você teve de arregaçar as mangas. O que as instituições cariocas têm feito pelos artistas do Rio?

Para mim, tudo bem quanto a arregaçar as mangas. Hoje a gente tem mesmo de viver como tubarão: se fechar os olhos ou dormir, morre asfixiado. Não estou propriamente bancando o projeto. Essa é uma exposição que tem recebido atenção do MAM e que é do interesse da instituição. O museu tem feito um notável esforço para superar dificuldades comuns às instituições e manter-se como o mais importante museu brasileiro, capaz de sustentar uma agenda importante, abrigar e exibir a coleção Gilberto Chateaubriand e dar suporte aos artistas. A casa não é uma exposição fácil de montar porque é uma experiência escultórica em grande escala, que depende da atuação de outros profissionais. Mas o museu está empenhado em viabilizá-la. De qualquer forma, tive a informação, na semana passada, de que a mostra foi aprovada na lei Rouanet, numa iniciativa da D+ Produções e da Luiza Mello. Assim, talvez, tenhamos recursos para trabalhar melhor.

Hoje são raras, nas instituições cariocas, grandes exposições individuais com trabalhos inéditos de artistas contemporâneos de trajetória reconhecida. Por que isso está acontecendo?

Porque ficou caro produzir, ficou caro expor e, sem o suporte das galerias, das instituições e de patrocinadores, a tarefa é muito desgastante. Mas acho que as instituições no Rio procuram fazer o que lhes é possível para produzir e receber exposições. E, se há uma redução quantitativa na agenda, ela é temporária . Esse não é um problema, em minha opinião, com origem nas instituições cariocas. Acho que temos problemas na oferta de recursos privados e na locação de recursos públicos para as artes plásticas. Além disso, o ano passado foi meio perdido por conta das adequações de uma nova estrutura de poder que afeta decisões relativas ao uso de dinheiro. Mas no fim a gente se vira. A gente sempre se vira.

Que condições as galerias cariocas oferecem aos artistas?

Esse assunto traz idéias novas e acho difícil falar resumidamente sobre isso. Considero a venda somente uma das atribuições da galeria e acho que, de um modo geral, poucas galerias cariocas e paulistas têm essa percepção. Hoje, no Rio, trabalho exclusivamente com a Lurixs, que está atenta e comprometida com a circulação do que produzo no ateliê. E isso não se dá só na venda, mas também em projetos editoriais, mostras institucionais, catalogação de obra e comunicação com o exterior. Mas reconheço que isso não seja muito comum. Ainda assim existem indispensáveis divergências entre o artista e a galeria.

O circuito de arte paulista parece mais desenvolvido e vigoroso. Você concorda?

O circuito paulista, do ponto de vista do mercado, dinheiro circulante etc, pode parecer mais vigoroso. São Paulo tem mais dinheiro e mais gente. Mas só nisso – mesmo que só isso já seja muito. Na criação, não, porque a base do circuito é a produção artística. E nisso o Rio é muito poderoso, tem uma tradição muito forte. Há uma mudança de atitude em curso nas galerias cariocas atentas ao circuito no Brasil no exterior. Lá fora o território é vasto e de muitas possibilidades.

  • O Espaço Trilhos Urbanos, em Santa Teresa, inaugura dia 13 a exposição Madeira sem lei, de Nilton Pinho, com peças feitas de materiais recolhidos nas ruas e feiras da cidade.

  • A exposição Fome de água permanece até o dia 29 no Centro Cultural Correios.

  • Rafael Alonso é um dos sete alunos da Escola de Belas Artes da UFRJ cujos trabalhos foram selecionados para serem expostos na Galeria de Arte da Faculdade Salgado de Oliveira, de hoje até 10 de março.

  • A Galeria Mira Schendel da Estácio de Sá inaugura, logo mais, mostra de cerâmica artística e utilitária.

  • Rafael Vicente apresenta, a partir de amanhã na Grande Galeria da Cândido Mendes, exposição reunindo 15 pinturas inéditas em grandes formatos.

  • [10/FEV/2004]


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