Passarinhos vão tomar conta da Galeria Anna Maria Niemeyer, a partir do dia 11, com a inauguração da mostra !Mis recuerdos son lo único que me queda!, de Efrain Almeida. Entre os trabalhos expostos, o artista cearense apresenta 18 esculturas de beija-flor, em madeira umburana e cristais, alinhadas na parede como se estivessem em pleno vôo. Em outra série, traz um bando de oito colibris em marchetaria.
Da discórdia
A direita italiana está pulando nas tamancas com a decisão do governo de devolver à Etiópia o Obelisco de Axum, um marco da cultura antiga etíope. A peça funerária de 180 toneladas e 24 metros de altura foi trazida por Mussolini como prêmio de guerra na campanha africana, em 1937. O monumento começou a ser desmontado na Piazza di Porta Capena, após lentas negociações iniciadas em 1947, quando os dois países selaram a paz. Os descontentes alegam que a obra já fazia parte da paisagem de Roma.
Toma lá, dá cá
A Bienal de Havana foi inaugurada, sábado, de caixa baixa. Na oitava edição, a mostra perdeu aportes financeiros de três fundações européias, equivalentes a US$ 200 mil. Os 13 artistas e grupos que representam o Brasil, este ano, não estão reclamando. Contam com um patrocínio de R$ 114 mil da Petrobras, que bancou a viagem e ainda está dando uma mãozinha na montagem das obras.
Papelão do bem
O mineiro José Alberto Nemer mostra aos cariocas, a partir do dia 19, no Instituto Moreira Salles, sua nova produção de aquarelas. O destaque é uma série em grande formato medindo até 120cm por 180cm. A proeza só foi possível depois que o artista descobriu um papel francês em rolo que ele manda cortar no Brasil.
Pouco para um mestre
Será leiloada hoje, em Madri, a primeira obra de Velásquez já levada a pregão na Espanha. A Cabeça de apóstolo pertence à fase juvenil do artista e é uma das quatro pinturas de sua autoria ainda em coleção particular. O preço está estimado entre US$ 1,4 milhão e US$ 2,1 milhões. Uma bagatela que, para os especialistas, só se justifica pelas modestas dimensões da tela: 38cm x 29cm.
Off-Broadway
A cidade de Tiradentes vai ganhar seu primeiro museu de arte - não histórico. A sede será na Quinta das Pitangueiras, na propriedade do pintor Mário Mendonça. Ele já acertou os ponteiros com a Secretaria de Cultura do Estado de Minas, através do ex-secretário Angelo Oswaldo. A nova instituição vai abrigar, além de pinturas do artista, obras de Aluísio Carvão, Guignard, Portinari, Milton Dacosta e até um desenho de Picasso. A inauguração está prevista para 2005.
A mesma praça...
A Exposição dos 19, que reuniu, em 1947, jovens artistas como Mário Gruber, Marcelo Grasman e Flavio Shiró, será relembrada em São Paulo. O Masp-Centro, antiga Galeria Prestes Maia, será o palco do lançamento do Anuário arte & artistas, dia 18. Foi lá, há 56 anos, que o júri composto por Di Cavalcanti, Lasar Segall e Anita Malfati analisou as obras dos artistas, até então desconhecidos.
Perguntas Fernando Cocchiarale
A exposição Corpus, de Alair Gomes, em cartaz no MAM do Rio, foi prorrogada até janeiro. Composta por 250 fotografias, é a maior já dedicada ao artista, no Brasil. O curador do museu e da mostra Fernando Cocchiarale fala sobre a importância do trabalho do fotógrafo, morto em 1992.
- Qual a importância do trabalho de Alair?
- A obra dele teve difusão restrita até sua morte, mas a partir da exposição da Fundação Cartier, em Paris, ela começou a ser revista e exposta no Brasil e no exterior. Sua produção possui traços que coincidem com diversos índices da mais recente produção contemporânea: o teor narrativo fragmentário (shot cuts), a tematização do corpo, do desejo, do anonimato (sintoma da crise de identidade em curso) e o uso da mídia fotográfica.
- O tratamento que ele dá a imagens do corpo masculino não é muito erótico?
- O erotismo é um tema ancestral e próprio da arte, difere, em essência, da pornografia. Creio que se fossem imagens da nudez feminina esta questão seria sequer cogitada. Mas imagens da nudez masculina parecem incompatíveis, para um certo tipo de machismo, com situações estéticas.
- Como a representação do corpo humano evoluiu ao longo da história da arte?
- Ele sempre foi um dos objetos privilegiados da arte, desde a pré-história, passando pela arte hindu ou japonesa, até a atualidade. Teve um de seus períodos áureos na estatuária helênica, na pintura e escultura renascentista e na arte moderna. No século 19, com a invenção da fotografia, o corpo logo ocupou um lugar de destaque dentre as imagens registradas. Nada de estranho, pois, na permanência do interesse pelo tema na produção contemporânea (body art, happenings, performances), que muitas vezes vem tomando o corpo do público e do próprio artista como objeto e suporte poético. E ainda como sintoma da fragmentação do sujeito no mundo de nossos dias.
O Centro de Visitantes do Jardim Botânico apresenta, a partir de amanhã, pinturas de Elias Fajardo.
Daniel Grosman abre mostra de desenhos e pinturas, amanhã, na Casa de Cultura Estácio de Sá-Barra.
A Galeria Toulouse inaugura, dia 18, a exposição Série amarela do artista plástico Araken.
Hoje, no Centro Cultural da Uva, Jorge de Salles inaugura a exposição Rio de Janeiro em mapas.