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Marteladas 1

Semana quente no mercado do Rio. Amanhã, a Bolsa de Arte dará a largada colocando em leilão 156 obras. Entre elas, o óleo O consertador de porcelanas, pintado por Oscar Pereira da Silva, em 1894, e que já está sendo disputado por meia dúzia de pretendentes. Com valor estimado entre R$ 50 mil e R$ 70 mil - um recorde do pintor - o quadro poderá chegar a R$ 120 mil. Um dos motivos da valorização: a tela consta do livro Primores da pintura brasileira, de Francisco Acquarone e A. de Queirós Vieira, editado em 1941 e, hoje, uma raridade.

Marteladas 2

Quarta-feira, Horácio Ernani dá início ao grande leilão de inverno. Estarão à venda pinturas de Di Cavalcanti, Djanira, Marcier e outros. Destacam-se, entre as porcelanas, peças do serviço de D. João VI, conhecido por Pavões. Sábado, Roberto Haddad leva a pregão, na Rua do Lavradio, 500 lotes de particulares, incluindo pinturas nacionais e estrangeiras, prataria, cristais, móveis e esculturas.

Mudança na escola

A Escola de Artes Visuais do Parque Lage tem novo diretor. O crítico de arte Reynaldo Roels só espera a publicação da nomeação no Diário Oficial para assumir o cargo, que era ocupado há cinco anos pelo artista plástico Luiz Ernesto.

Carregando pedra

O coordenador do Ano Internacional Gaudí, Rossend Casanova, aproveita as férias no Rio para negociar a vinda, em 2003, de um resumo das 40 exposições programadas em Barcelona para as comemorações dos 150 anos de nascimento do artista catalão. Na montagem carioca o público verá maquetes - algumas com 7 metros de altura, como a da nave central da Sagrada Família - moldes originais e cópias de peças de mobiliário.

Eles merecem

Depois de levar meio milhão de visitantes à Tate Gallery, em Londres, a mostra Matisse-Picasso poderá ser vista no Grand Palais de Paris, a partir do dia 22. Através de cerca de 160 obras, a montagem estabelece as diferenças e as afinidades entre os dois artistas. A montagem parisiense ressalta o período de Demoiselles d' Avignon, pintado pelo espanhol em 1907.

Titãs

Ainda em Paris, dois outros gigantes da pintura estarão reunidos no Museu d'Orsay, que abre, dia 17, a mostra Manet-Velásquez, uma das atrações do outono na capital da França. A exposição enfoca as consequências do descobrimento dos mestres do século de ouro espanhol pelos artistas franceses. Em setembro de 1865, de volta de uma breve temporada em Madri, Manet escreveu a Baudelaire: ''Velázquez é o melhor pintor que jamais existiu''.

Pesadelo

Trabalhos de Picasso, Matisse e Frida Kahlo foram roubados da casa do médico Richard Garcia, em Santo Antonio, Texas (a mesma cidade que perdeu o Pan para o Rio), enquanto o dono dormia no andar de cima. A obra mais valiosa desse prejuízo, calculado em US$ 700 mil, é a da pintora mexicana, avaliada em US$ 500 mil. O colecionador, que não identificou as peças publicamente a conselho de seu advogado, disse que elas não foram seguradas porque ''o prêmio era muito alto''.

À la grega

Em sua primeira visita ao Brasil, o artista plástico italiano Maurizio Cannavacciuolo está criando um trabalho exclusivo para as paredes da Galeria do Catete, a partir do desenho das colunas de um templo dórico. Ele entrelaça um número gigantesco de símbolos do imaginário ocidental em grafite finíssimo. O vernissage será quinta-feira.

-Pinceladas-

  • Toma posse, sábado, a diretoria do Instituto Fayga Ostrower, criado há um ano pelos filhos da artista.

  • Lauro Cavalcanti, diretor do Paço e curador da mostra Caminhos do Contemporâneo, faz a última visita comentada, quarta-feira, às 13 horas.

  • Arthur Omar dá palestra, amanhã, às 18h30, no CCBB.

  • Carlos Muniz abre mostra na Galeria Toulouse, amanhã.

  • Rubem Ludolf inaugura exposição de 60 peças, entre pinturas, trabalhos em papel e objetos, amanhã, no MNBA.

  • Ricardo Ventura expõe esculturas na Galeria Anna Maria Niemeyer, a partir de quinta-feira.

    Após 20 meses na direção do Centro de Arte Hélio Oiticica, Charles Watson deixa o cargo dia 27 de outubro. Ainda sob os ecos do sucesso da mostra de pinturas de Sean Scully, a segunda mais visitada desde o inauguração do HO em 1996 - superada apenas pelo argentino Guilhermo Kuitca - Watson não quer alimentar polêmicas sobre sua saída. Ele diz que admira o trabalho de Luciano Figueiredo, o novo diretor da casa e espera que a mudança de filosofia não afete os compromissos já assumidos. Enquanto uma reunião entre o ex e o futuro diretor não acontece, mostras importantes programadas para o Rio ficam em suspenso.

    Qual o motivo de sua saída?

    Acho que talvez tenha sido uma exigência da família, mas não posso afirmar, pois não acompanhei as reuniões. Parece que alguns acordos não foram cumpridos. Todos sabiam que o acervo de Hélio Oiticica sairia para as reformas do prédio. O que não se sabia é que não iria voltar para o HO. Mas posso dizer que fui a pessoa que mais tentou fazer exposições do Hélio, sem sucesso.

    Como ficam as mostras já acertadas como a de Nelson Félix para outubro?

    Ele deveria fazer a próxima exposição com instalações criadas especialmente para as galerias do primeiro e do segundo pisos. Suponho que vá acontecer, mas ainda não estive com o Luciano Figueiredo, que está fora do país.

    E os compromissos para os dois próximos anos com instituições internacionais e com as estrelas mundiais Rachel Whiteread e Mona Hatoum, que jamais expuseram no Brasil?

  • [09/SET/2002]

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