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Luciana Rangel (interina)

Reprodução
Ron Mueck

Ron Mueck, escultor australiano radicado em Londres, faz sua primeira exposição individual, no Museu Hirshhorn, em Washington. Mueck tem feito sucesso com suas esculturas realistas. Sua técnica foi desenvolvida fazendo efeitos especiais para cinema e televisão

Chega esta semana ao Rio, a artista plástica iraniana Shirin Neshat. Radicada em Nova York, nos últimos dez anos Shirin tornou-se presença obrigatória nas principais mostras do planeta e um fenômeno no cenário da arte contemporânea.

Com curadoria de Marcello Dantas, a exposição Entre Extremos _ In Between é composta de quatro instalações de vídeo, divididas em salas de referência de seu universo simbólico, de sua referência musical e de referência literária da artista.

A mostra abre dia 9, no Centro Cultural Banco do Brasil.

Cultura do povo

A Casa França-Brasil inaugura, dia 13, a exposição Arte popular no Estado do Rio. Com curadoria da presidente da instituição, Dalva Lazaroni, a mostra será dividida em três salas.

A primeira, Cem anos de carrancas do Guarani, conta com 36 carrancas, a maioria feita pelo baiano Francisco Guarani.

Na segunda sala, a mostra A arte do barro conta, com 1.800 peças de todo o país, a história do barro no Brasil. Em destaque, as peças do Mestre Vitalino , um dos pioneiros dessa arte.

Na última sala, a exposição Esculturas monumentais do Chico Tabibuia. Morador de Barra de São João, Tabibuia recebeu este apelido por usar madeira de mesmo nome em suas obras. Nesta mostra, serão 5 peças de 4 metros de altura.

Museus étnicos

O projeto do Museu Nacional da Cultura e História Afro-Americana está prestes a sair do papel.

Esta semana, acontece a primeira reunião da comissão criada no Congresso para discutir o local e o custo do museu, que teve sua criação aprovada por lei assinada ano passado pelo presidente George Bush.

A lei que criou o Museu Nacional do Índio Americano levou alguns meses para ser aprovada, em 1989, diferentemente do Afro-Americano que demorou 12 anos para ser assinada.

Um dos lugares prováveis para o museu, é o prédio Arte e Indústria, do Instituto Smithsonian, que é usado para exposições temporárias. Mas a hipótese de novo prédio não foi descartada.

Muitos criticam a criação do museu por achar que ela abre espaço para que outros grupos étnicos demandem museus similares. A comunidade hispânica já luta no Congresso pela criação de um museu que fale de suas origens.

Rumo à América

Em setembro, o artista plástico Rubens Gerchman parte para Nova York.

Vai expor suas obras mais recentes na galeria Latin Collector, de Frederico Seve, situada no coração de Tribeca. A mostra vai apresentar um pout-pourri do trabalho do artista: telas, jóias e algumas esculturas. Em dezembro será a vez do público de Miami conhecer a obra de Gerchman, que foi convidado para apresentar suas caixas de charuto na Art Basel Miami Beach, versão americana da feira internacional de arte suíça.

Medalhas

No Congresso Mundial de Arquitetura, realizado em Berlim, o governador do Paraná, Jaime Lerner, dividiu com o irlandês Justin Kilcullen o prêmio de arquitetura que responde às necessidades sociais.

O evento, que terminou sexta-feira passada e foi organizado pela União Internacional dos Arquitetos, teve como tema a arquitetura e o urbanismo, como forma de controlar o crescimento da periferia e de estimular construções que promovam bem-estar.

O italiano Renzo Piano ganhou a medalha de ouro, por sua obra inovadora, e o britânico Norman Foster levou o prêmio Auguste Perret, pelo uso de novas tecnologias em seu trabalho.

Pinceladas

  • A exposição Natureza e Arte no Brasil Central, com fotos de Lena Trindade, abre dia 6, na Galeria do BNDES, no Centro.

  • Quarta-feira, abertura da mostra Países Lusófonos: Paralelos e Meridianos, no Palácio Itamaraty, em Brasília.

  • Em eleição promovida pela revista Design Gráfico, Victor Burton foi eleito profissional do ano.

    Três perguntas para Simon Njami

    O fotógrafo e jornalista suíço Simon Njami está no Rio para a abertura da mostra Bamako: 4º encontro da fotografia africana, que abre quinta-feira, no Centro Cultural da Justiça Federal.

    Editor-chefe da publicação francesa Revue Noir, Njami, que é filho de camaroneses, tem viajado pelo mundo para divulgar a fotografia africana.

    Como será a exposição?

    Trata-se de uma parte da grande exposição que foi o 4º encontro da cidade de Bamako, no Máli, África Ocidental. Além do Rio, a mostra irá para Brasília, Recife e Salvador. Serão 14 fotógrafos apresentando 100 fotografias e um vídeo. Ela é dividida em quatro blocos distintos: exposição nacional, internacional, o Congo e o Marrocos.

    Qual a importância de um evento deste porte para o continente africano?

    Enorme. Este evento dá a África uma visibilidade mundial jamais conhecida e contra todos os estereótipos. Nós congregamos fotógrafos de todo o continente e da diáspora africana. Esta edição repercutiu até na China, que receberá uma parte dela em setembro. São retratos de um continente que as pessoas não estão acostumadas a ver e é muito importante divulgar este outro lado.

    Há influência e troca entre a fotografia africana e a brasileira? Identifica-se com os fotógrafos brasileiros?

    Claro. Sebastião Salgado é mundialmente conhecido. Em 1997, fizemos a exposição A África por ela mesma, na Pinacoteca de SP, que contou com a participação de 20 talentosos fotógrafos brasileiros. Como editor-chefe da Revue Noir publiquei um número especial sobre a criação artística brasileira contemporânea. Para a próxima bienal de fotografia de Bamako eu programei uma exposição monográfica de Eustáquio Neves.

    É importante restabelecer o contato entre a África, a América Latina e o Caribe. O apoio da AFAA no projeto e, no Brasil, da Aliança e da Embaixada francesa são primordiais para a globalização não-estereotipada da África.

  • [29/JUL/2002]

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