Ninguém discute mais que os dois melhores times do ano são o Cruzeiro e o Santos. Da mesma forma, ninguém discutirá outra realidade, essa, sem dúvida, surpreendente: a volta por cima dada pelo Goiás, que sacudiu a poeira do turno e, aí está, convertido na mais ardente atração da reta final do campeonato. Na maré montante do returno, o Goiás já somou mais pontos que o Cruzeiro. Pelas contas do meu guru informático, o Lauro Araújo, a taxa de aproveitamento do Goiás, neste turno, é de 75% (a do Cruzeiro, 59%).
É impressionante a recuperação do Goiás que, no primeiro turno, passou 16 rodadas na rabeira da tabela, algumas vezes, até, condenado ao rebaixamento. Então, todo mundo jurava que a sorte do Goiás seria dali pra pior. Pois bem, uma vez dobrada a esquina do campeonato, aquele mesmo time, deserdado da sorte, respira fundo e começa a reagir, bravamente.
Por que apanhava tanto o Goiás, no primeiro turno? Nunca ninguém ousou explicar o estranho fenômeno de uma equipe que jogava bem e perdia invariavelmente? São os insondáveis caprichos do futebol. O Goiás de hoje, como formação, é o mesmo de cinco meses passados. Pois bem, sem alterações aparentes, o time goiano como que se reinventa. Muda da água pro vinho. Agora, ele está em 8º lugar, depois de ter mofado semanas e semanas no beco escuro da desclassificação.
Que me desculpe o atacante Araújo, com seu belo futebol, mas, pra mim, que sempre acreditei na força sobrenatural da beleza, o que explica a ressurreição do Goiás seriam os fluidos celestiais de uma certa moça, filha da terra, bonita moça, que, depois de longo e amoroso inverno, voltou a morar em Goiana, de onde, pelo visto, nunca devera ter saído.
Uma ver-go-nha!
A Comissão de Arbitragem da Fifa discute, no momento, pontos importantes do papel do juiz. Pena que os experts, convocados à Suíça, não possam ver uma cena altamente expressiva da subversão de valores morais no futebol. Foi no jogo Atlético Mineiro x Criciúma.
Em dado momento, descontentes com uma decisão da juíza Silvia Regina, o time do Criciúma voou, em peso, na direção da moça, como se fosse esganá-la. No fim do jogo, o time do Atlético faria o mesmo papelão. Cercada, mãos às costas, a moça suportou, com altivez, o peso do constrangimento. Ninguém ousou tocá-la, fìsicamente, mas o cerco, do ponto de vista da autoridade, me pareceu uma afronta intolerável. E ninguém pense que a insubordinação tenha tido inspiração machista. A insolência dos jogadores não distingue sexo. Diante da brutalidade do gesto, torna-se irrelevante saber se a juíza cometeu erros de julgamento. É um desregramento que se tornou costume, justamente, por força da impunidade.
Venho de tempos em que jogador algum, a não ser o capitão, tinha a prerrogativa de falar com o árbitro. E, assim mesmo, o tom era de total reverência. Ai de quem se metesse a besta com um Mário Vianna, um Armando Marques! Hoje, a hierarquia já foi pro brejo, faz tempo. Por tudo e por nada, qualquer jogador investe contra o juiz. Alguns chegam a peitá-lo literalmente. É uma falta de respeito que compromete seriamente a ordem e a ética do esporte.
Eu sempre disse que o futebol é uma legítima imitação da vida. Então, a quantas anda o princípio da autoridade no cotidiano da sociedade brasileira? A meu ver, já chegou ao limite da degradação. Pois, meus amigos, o que desanda aqui fora, certamente, desandará dentro de campo.
Como costuma dizer o Boris: é uma ver-go-nha!
O sonho de uma cadete
Registro, com imensa alegria, e-mail de Karla Kedani Quintão, agradecida pela nota em que falei, com entusiasmo, das 20 cadetes aviadoras da Academia da Força Aérea, em Pirassununga. A aviação militar, sonho antes proibido à mulher, é fruto de uma abençoada teimosia do ten-brigadeiro-do-ar Carlos de Almeida Baptista (querido amigo!), quando era Comandante-Geral da Aeronáutica, no governo FHC. Eis aí um bom paraninfo pra turma da cadete-aviadora Keldani, do 1º Esquadrão da AFA.