A reação desapontada da crítica à parca vitória brasileira em Manaus me leva a fazer algumas perguntas: será que o Brasil foi, mesmo, o máximo, contra a Colômbia? Não terá havido, em Barranquilla, um certo clima de ação entre amigos, que acabaria facilitando a barra da Seleção?
A verdade é que, três dias depois, a banda tocaria um dobrado bem diferente. O time do Equador, sem ser uma maravilha, não deu trégua, nem tempo, nem espaço, momento algum. Dividia todas. Defendeu-se com raro ardor.
Findo o primeiro tempo, a Seleção Brasileira tinha conseguido uma única finalização, que foi a do gol; por sinal, patrioticamente, atribuído a Ronaldinho Gaúcho, mas que, no duro, foi uma bola sem querer que bateu no corpo de um zagueiro equatoriano. O mérito de Ronaldinho foi grudar no beque, no instante do salto.
A Seleção do Equador deixa longe a da Colômbia, em todos os níveis: na organização tática, na combatividade, no trato individual com a bola.
Outra observação interessante: fisicamente, o time do Equador me pareceu mais bem apurado que o colombiano e, até mesmo, que o brasileiro. Tem mais fôlego, mais força nas pernas, mais forma atlética. No corpo-a-corpo, a superioridade era sempre mais equatoriana que brasileira. Chegaram primeiro nas divididas. A rapaziada tem a solidez do jequitibá, a chamada madeira de dar em doido. Quem esbarrava neles levava a pior, invariavelmente.
Em nenhum momento, a Seleção Brasileira foi dominada, mas, também, em nenhum momento, teve chance de impor seu notório estilo, baseado, ora na troca de passes curtos, com lançamentos agudos, ora nas incursões individuais baseadas em dribles desnorteantes.
A Seleção Equatoriana foi de tal modo impiedosa na marcação que os dois Ronaldinhos simplesmente não jogaram. Aliás, recebi e-mail de um amazonense, perguntando, ironicamente, se de fato Ronaldinho esteve em Manaus. Que eu visse, nem um nem outro.
Rivaldo, prazo de validade
De Rivaldo, ainda nitidamente fora de jogo, nem é bom falar. Carlos Alberto Parreira está bancando Rivaldo, certamente, em nome de sua reputação técnica. Uma atitude, sem dúvida, louvável, mas há de ter seu limite. O diabo é saber qual o prazo de validade do crédito concedido a Rivaldo.
A questão, já levantada pelo bom José Trajano, é a seguinte: e se o Milan não puser Rivaldo pra jogar no Campeonato Italiano, como é que vai estar ele, em novembro, quando a Seleção Brasileira volta às Eliminatórias? Jogando de três em três meses, Rivaldo não retoma ritmo de jogo, nem aqui, nem na Conchinchina.
Par-ou-ímpar na zaga
Outra questão à vista: será que a receita continuará a ser a mesma dos dois primeiros jogos, quando a equipe emperra, Parreira troca Emerson por Renato e um meia-atacante por Kaká? A equipe renasce. É de esperar que o técnico esteja testando formações. Afinal, a caminhada é longa; serão dois anos e meio de Eliminatórias. Um dia, porém, o bom senso vencerá!
Não vejo com otimismo a zaga central, até aqui, a preferida de Parreira. O futebol brasileiro tem coisa melhor.
Caro leitor, imaginemos que, hoje é dia da nossa pelada. Está na hora de formar os dois times. Como sempre, a divisão dos times se faz democraticamente, por sorteio. Sorteamos os goleiros, sorteamos os laterais, vamos à zaga central. Temos duas duplas: Roque Junior-Lúcio, Luisão-Alex. Então, vamos lá: mãos fechadas: um... dois... três: par-ou-ímpar? Ímpar! Ganhaste. Pode escolher.
Meu bom leitor, eu sabia que, de bobo, tu não tens nada, mesmo...