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Não sei falar difícil como a Regina Guerreiro ou a Lilian Pace sobre as tendências do próximo verão, e, pra falar a verdade, o único julgamento que faço diante de uma passarela é "seria capaz de sair na rua vestindo isso? Desse eu gosto, daquele eu não gosto". E invento minha própria moda: posso aproveitar o look de cima com aquele meu jeans! É, você deve estar rindo e constatando que eu não entendo nada de moda mesmo... Mas pelo menos respeito. Moda é história, comportamento social e certamente há mais coisas por trás da última tendência que alcança minha vã filosofia.


A estranha sensação de "você é o que você veste" impera nos corredores. Na semana mais hype do ano, é natural que cada passante respire ares de "imagem é tudo". Não suporto passar por isso a cada edição. Meu drama pessoal obviamente começa em casa, diante do espelho. Fico num dilema sobre as roupas com as quais vou circular pelos próximos cinco dias consecutivos. Definitivamente não sou superultracool!


E os releases de cada grife? São inacreditáveis. Todos descrevem um ponto de partida, a tal "inspiração". Me pergunto se não foi feito o contrário. Depois de montar a coleção, o estilista observa o conjunto da obra e desenvolve a retórica que costura melhor aquelas criações. Sabemos que inspiração representa 5%, o resto é transpiração mesmo, por isso não fiquem tão preocupados em explicar um conceito. Vamos poupar adjetivos, tomar o belo como referência estética e pronto.


Ah, e os mesmos vídeos dos patrocinadores do evento que somos obrigados a assistir antes de cada desfile? Das quantias astronômicas que eles investem no evento, poderiam reservar uma parcela para a produção de filmes mais criativos, ou pelo menos diversificar. Na terceira vez a gente já não quer mais prestar atenção. Pior que música baiana quando cola no ouvido.


Tenho simpatia pela Eloysa Simão. Deve ser duro passar a semana sendo chamada de carrasca. Ela está apenas tendo o necessário pulso firme (leia-se dar esporros quase sempre merecidos) para fazer a coisa acontecer. Também é dela a voz que dá o ultimato para os convidados se sentarem e expulsa quem ocupa o corredor, seguindo, pela primeira vez, as normas da Defesa Civil.


Diante da superprodução da Salinas me perguntei se faltaria banana na cidade. As feiras da semana e o meu desjejum estariam comprometidos? Fiquei feliz ao saber que após a apresentação, elas foram destinadas à caridade.


Sardinhas em lata eram os fotógrafos no pit. Esse ano tinha uma novidade que não acredito ter sido muito respeitada. Os principais veículos tinham um quadrado de fita crepe delimitando a área que o fotógrafo deveria ocupar, nesgas de chão, é claro.


Estacionar é sempre um martírio. Melhor mesmo é seguir os conselhos da Angélica. No primeiro dia, tive sorte de não ter sido o meu, um dos carros arrombados do outro lado da passarela. No outro, arrisquei um estacionamento lateral reservado para veículos credenciados. Me ofereceram um esquemão: uma credencial válida para todos os dias por 40 pratas, mas como recusei, logo em seguida pintou outra condição especial: "Se quiser parar só hoje, qualquer 10 real resolve" (sic). País da cervejinha...


Que pena ver meninas de 14 a 18 anos, que beiram a anorexia, sem convite para nada, desfilando no asfalto na esperança de serem descobertas por um Ike da vida.


Na vida nem tudo é fila A e isso não tira de você sua importância. Gente muito gabaritada senta em qualquer lugar enquanto uns jornalistas tupiniquins se sentem ofendidos por estar na B. O esquadrão das assessorias de imprensa, aqueles blocos uniformizados, é que sofre.


Tirando as Havaianas customizadas, nada é mais chato do que circular pelos estandes. Falo pra quem não está atrás de boca-livre, principal atrativo desses espaços. Olha que ainda tenho a guarida de ser imprensa, entrar nos desfiles por um acesso exclusivo, usufruir de uma sala privada com dezenas de computadores, toalete sem fila e aperitivos. Estou mesmo mal-acostumada. Quanto tempo você ficaria em pé numa fila esperando para entrar numa tenda de desfile? Se a resposta for "nem quinze minutos", é melhor ficar em casa.



Mas o saldo disso tudo é a oportunidade de encontrar as pessoas, tirar a poeira do armário. É sem dúvida um evento que agita o calendário da cidade e fortalece nossa indústria da moda. Só o vizinho Fashion Business, movimentou nesta edição R$ 200 milhões.


E como vocês podem ver na foto, a pose dessa criança fofa diz tudo. A futura geração já foi picada pela mosca azul da moda!



GAROTA VERSATILIDADE

O Fashion Rio, evento que rola todos os anos a cada duas estações é sempre uma festa! São milhares de pessoas circulando pelo MAM. Elas se encontram, fazem contatos ou simplesmente vêem quem é que passa, querendo se divertir. E tivemos a feliz coincidência de ter uma exposição de Andy Warhol no salão principal para os amantes da arte. Verde bandeira foi eleita a cor nesta estação: estava presente em todas as coleções. Outra coisa em comum eram os acessórios... Vamos usar muitas pulseiras e colares neste verão que está para chegar. Os cabelos totalmente despenteados são regra. Tudo a ver com a música às alturas, som de festa. Festa que dura a noite toda. Percebi que as modelos que são tops, como Letícia Birkheuer, Isabeli Fontana e Ana Claudia Michels, são as que têm os corpos mais modelados e com curvas. Alguém mais reparou? Essa ditadura da magreza esquelética está indo pras cucuias... E com a chegada do verão 2006... O sol brilhando, o dourado está voltando com tudo. E ah! Pela segunda vez esse ano, Gisele Bündchen deu o ar da sua graça!

www.garotaversatilidade.com


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[26/JUN/2005]


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