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Com meus botões


Os bambambãs todos já se manifestaram - e muito brilhantemente, diga-se de passagem - a propósito da última bobagem disparada do Palácio do Planalto: a tal da cartilha do politicamente correto.

Como, neste caso, faço absoluta questão de ser farinha do mesmo saco, vou dar aqui meu conselho ao presidente Lula - este deficiente das normas gramaticais - apossando-me de seu estilo único, inimitável: ''Menas, Excelência, menas.''

Aproveito também para dar meu pitaco na forma de tratamento que ele devota à primeira-dama, a quem chama de ''galega''. Galega não pode, Excelência. É de quinta. Que tal ''meu amor''? É mais correto.

Estou escrevendo na tarde de segunda-feira já aflita com o que possa se passar, logo mais, na Granja do Torto, quando Sua Excelência receberá para jantar o presidente Néstor Kirchner, que anda muy aburrido, para usar uma palavra leve, com o colega brasileiro. É lógico que o vinho vai rolar e as línguas, por supuesto, vão se soltar. Ui! E já que o assunto é falar e escrever bem, encontrei no Dia das Mães um dos meus queridinhos da novíssima geração: João Maurício Lacerda, neto de Carlos Lacerda, que foi um ás tanto na oratória quanto na escrita, pra não dizer que foi, na minha modesta opinião, o maior governador que teve este nosso Rio de Janeiro. João Maurício, 25 anos, me disse que pretende seguir os passos do avô: quer ser político. Deus o ajude e ampare! Que a providência divina o mantenha longe, muito longe, dos andrés luizes e dos waldomiros da vida.

João Maurício, agora, pesquisa em qual partido se filiará. E a quem interessar possa: fisicamente, ele já é a versão mais nova do avô - falta apenas impostar a voz e meter uns óculos. Aí, não vai ter pra ninguém.


Conheci Zuenir Ventura, tratado nas internas como Mestre Zu, na redação deste Caderno B, há muitos e muitos anos, quando aqui vim ser a interina das segundas-feiras de outro inesquecível mestre: Zózimo Barrozo do Amaral.

Comprei correndo e já li seu novo livro, Minha história dos outros. Quero dizer que adorei. São histórias deliciosas - algumas engraçadas, outras tristíssimas, mas por todas elas passa o rigor da apuração, a elegância do texto, a generosidade do profissional que sempre soube ser chefe - sem gritos, sem ataques de pelanca, sem estresse. Mestre Zu é também um mestre zen.


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[10/MAI/2005]


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