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Assim caminha a humanidade

 


Assim caminha a humanidade


Pois é: quando a gente acha que não vai se espantar com mais nada, dois imortais arregaçam as mangas e partem pra briga nos salões do alheio. Francamente. Se até os imortais, tão ciosos de seus punhos de renda e de seus ricos fardões, tão enfatuados com sua própria inteligência, brilho e cultura, andam estressados a ponto de chegar à agressão física, apesar das idades avançadas, o que esperar dos mortais? Só a falta de modos generalizada que se instalou no país.

Ou alguém aí está achando fino, de bom tom, o que o ex-casal Suplicy anda aprontando? Ela culpando o ex por sua derrota; o ex choramingando de vítima, mas já anunciando uma possível candidatura ao governo de São Paulo; correndo por fora, os atuais dos ex: a jornalista que falou demais e o maridão que só fala em off e sabe lá Deus o quê.

Os nossos governantes, os Garotinho, depois de seus acessos de falta de modos em Campos, quando engasgaram com o pudim, deram um tempo e sumiram. Passaram uns dias em Brocoió e literalmente brocoiaram. Enquanto a bandidagem continua dando as cartas, nosso secretário licenciado de Segurança, abatido pela derrota, chora as mágoas e veraneia - apesar da chuva invernal dos últimos dias.

É um país realmente surrealista. Depois de quatro meses de leseira, nossos nobres deputados deixaram seus rincões - onde defenderam os interesses de seus candidatos - e voltaram a Brasília. Pra pleitear aumento de salário: R$ 12.720 é pouco. Suas Excelências querem R$ 14.628. Fora todas as mordomias, é claro. Limpinhos. É um escárnio, um deboche, um acinte.


Os 60 anos de Chico Buarque foram mais do que merecidamente badaladésimos. Mas só li no nosso Informe JB, semana passada, uma menção aos 58 anos de sua ex-mulher, Marieta Severo, uma dama, uma diva da arte de representar, a talentosa atriz que faz uma Dona Nenê hilária e comovente, que brilha no cinema, no teatro e na TV, seja lá qual for o papel da vez. O Chico é gênio da raça, é inteligente, culto, bonito, rico, tudo. E teve a graça de ter tido por mais de 20 anos - e de certo modo ainda ter - a Marieta ao seu lado.


Por falar em Chico, é absolutamente imperdível a coletânea de sua obra, lançada pela Seleções Reader's Digest. Não paro de ouvir. Como também não paro de ouvir o disco do Francis Hime e o da Elis e Tom Jobim. Pra agüentar a falta de modos reinante, só ouvindo o melhor da MPB. Era o que faltava passar por todas essas vicissitudes ao som, por exemplo, do encarcerado Belo.


Falando em falta de modos, o que é a Fernanda Young? Ela não apenas trabalha no Saia justa. Ela é a saia justa. Dia desses, zapeando, saí de Senhora do destino e caí no Saia justa. Foi quando concluí que a Fernanda Young é o Shao Lin da TV a cabo. Tal como o personagem detestável da novela do Aguinaldo Silva, vivido com competência pelo Leonardo Miggiorin, a moça se acha, é prepotente, tem um cabelo estranhíssimo e é coberta de tatuagens. Tudo a ver.


As licenças dramatúrgicas de Senhora do destino andam extrapolando um pouco. Um chef que se preze tem que estar sempre de olho no soufflé, sob pena de vê-lo murchar, ou de olho na omelette para garantir a baveuse que faz a diferença, ou ainda picando milimetricamente os temperos que darão sabor ao prato. Tudo isso se aplica a um chef da vida real, mas não ao Edgard Wattel. Este, além de nunca ter sido visto pilotando o fogão (que inexplicavelmente é sempre ocupado pelo sommelier do seu bistrô), passa o tempo todo beijando a Lindalva/Isabel. E o soufflé do freguês que se dane!

E o Dirceu? Jornalista experiente, enquanto trata da compra de um jornal, porta-se como um adolescente débil, daqueles de ler Playboy no banheiro, só porque a maduríssima namorada foi jantar com um amigo. É um pouco demais, né não?


O jogo foi decidido nos Estados Unidos e ontem mesmo o presidente já estava anunciando as medidas que tomará contra a união dos homossexuais.

Portanto, aos americanos que votaram em Kerry e a todos aqueles que torciam pelo democrata, só resta botar o bush dentro e tocar a vida. Assim caminha a humanidade.


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[09/NOV/2004]


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