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Astrologia da Alma
Rio, cidade de cura mundial

João Paulo Cuenca
Avestruz à moda da Pérsia no Metrô da Carioca

Estilo
Carmem Miranda

 


Rio, cidade de cura mundial


Eu sou uma carioca. E por motivos que foram totalmente fora do meu controle, tive que viver 28 anos longe da minha cidade. Um ciclo inteiro de Saturno. Quando finalmente consegui voltar, apesar de meus amigos dizerem para que eu não fizesse isso, eu nunca tive qualquer dúvida em meu coração. Eu tinha que voltar. Eu queria voltar. É a minha casa, esta cidade maravilhosa.

Mas o que foi feito dela? Por que está tão abandonada?

Hoje, quando escrevo este texto, é dia 1º de março. Um dia perfeito para refletir sobre o mapa astrológico desta cidade. O Rio de Janeiro é muito especial. Tem um mapa astral com o potencial de desempenhar um papel importante no mundo.

Com quatro planetas no meio do céu: o Sol, a Lua, Mercúrio e Plutão, todos no signo de peixes, esta é uma cidade que jamais passará despercebida a qualquer viajante. Ela tem o impacto e o potencial de promover a cura, a sabedoria, o prazer e a felicidade como direito de todo o ser humano ao nascer. O Rio de Janeiro poderá um dia vir a ser uma cidade de cura mundial.

Num mundo que não mais conhece o sentimento da alegria, o Rio, com toda essa absurda violência, ainda assim, por incrível que pareça, proporciona esse oásis.

Com os quatro elementos perfeitamente equilibrados: ar, terra, fogo e água, qualquer estrangeiro ao pisar neste solo se apaixona imediatamente pela cidade e se sente bem. Muito bem.

E ainda temos essa figura que é o carioca. Um ser de uma sabedoria instintiva nata. Ele é filósofo, artista, sambista, intelectual e sexual. Do varredor de rua ao empresário, somos todos místicos, conectados com a Natureza e reverenciamos o Sagrado.

Mas mesmo com tudo isso dado em nossas mãos, acabamos por desperdiçar e deixar a vida nos levar (desculpa Zeca Pagodinho, mas nós já temos um excesso disso). Com o ascendente e a Cauda do Dragão no signo de gêmeos temos uma tendência a falar, falar, falar e reclamar, reclamar, reclamar, mas não fazer nada sobre o assunto.

Invalidamos nossa intuição e nos mobilizamos num estado perpétuo de indecisão, impaciência, buscando constantemente novas informações, em vez de agirmos sobre aquilo que sabemos urgente e necessário.

Será que precisamos chegar coletivamente a um estágio mais agravante para decidirmos que queremos sair de cima do prego?

Quando será que vamos confiar em nós mesmos e perder o complexo de Peter Pan, querendo ficar eternamente jovens e irresponsáveis?

Esse é o nosso desafio. Amadurecer. Crescer. Nos responsabilizarmos por nossa cidade.

Daqui a pouco vocês vão dizer que estou muito ''papo cabeça''. Mas não é isso. Eu sinto que se a gente continuar a não fazer nada, nós estaremos, no mínimo, cometendo um grande pecado.

Não temos mais tempo a perder!


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[12/MAR/2005]


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