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Fidel, Pelé, Oiticica e Nise










Fidel, Pelé, Oiticica e Nise

O carioca Francisco Dagmar Pfaltzgraff acaba de escrever um livro sobre a sua experiência de guardar, desde os cinco anos de idade, tudo do dirigível Graf Zeppelin. Esta aeronave de 236 metros de comprimento (dois campos do Maracanã mais um de vôlei) fez rota, de 1930 a 1937, entre Frankfurt, Sevilha, Recife e Rio. Dos seus mais de 500 vôos, quase 100 foram no Brasil. Quem, 70 anos depois, se habilita a editar Seu Francisco, um servidor aposentado? Ele ganhou de Seu Augusto Mousinho, cearense que trabalhava na Casa Zeppelin, em Santa Cruz, um pedaço de viga (30cm) de duralumínio, a liga metálica da estrutura em anéis do dirigível. É peça rara porque Hitler mandou derreter tudo como esforço de guerra. Ganhei de Seu Francisco 5cm da peça pela ajuda que lhe dei no texto. Troco meu pedaço de Zeppelin por um apoio. Sem contrapartida social. É obra, com fotos para babar, escrita na primeira pessoa pelo maior especialista brasileiro naquele mais leve do que o ar. Alô Bienal do Livro...

Foi inaugurada, há dias, exposição do genial Hélio Oiticica no Rio. É preciso perguntar: onde está a gravação de uma conversa entre Hélio e Antonio Dias, outro nome top das artes plásticas? Emprestei o original (duas fitas Basf que nem foram transcritas para o papel) ao louco do Tavinho Paes. Este poeta, com o fotógrafo Marcos Bonisson, fez um curta sobre Hélio em NY. Disse ele que usaria um minuto da gravação de fins dos anos 70. Mas Tavinho, depois que morreu Hélio em 1980, usou 10 minutos das fitas no filme de 18 minutos. E pior, não devolveu nada e, nebulosamente, agora diz que as cedeu ao Centro de Artes Hélio Oiticica. Perdeu ou cedeu o que não era seu? Antonio Dias e Hélio estavam felizes, gargalhando como nunca. Antonio Dias dizia que não gostava mais de ir a NY, onde estivera um tempo, porque detestava ser confundido, ao desembarcar, com latino-americano ou colombiano. Isso foi há 25 anos.

Hélio fez o penetrável Tropicália em 1967. O tropicalismo explodiu só em 1968. Hélio se orgulhava da primazia e dizia: ''Eu faço música''. Caetano, descartando minha fofoca plástica, quase perdida, respondeu citando o músico John Cage. ''Odeio a harmonia''. I hate harmony. Waly sintetizaria: Hélio experimenta o experimental.

Também há 25 anos, entrevistei três mulheres apaixonadas e admiráveis pelo amor aos gatos: Nise da Silveira, Anna Bella Geiger e Hilda Rodrigues. A reportagem felina saiu na Revista de Domingo editada pelo saudoso Humberto Vasconcellos. Mas só 5% da entrevista com a Dra. Nise foi aproveitada. Sobrou um longo pingue-pongue sobre gatos. Qualquer hora o texto mia.

Do amigo do peito e também saudoso Oldemário Touguinhó guardo originais em que o repórter relata a aventura de cobrir praticamente toda a carreira de Pelé. Não é qualquer um que tem histórias inéditas do Rei do Futebol. Alô Pepito, braço-direito, desde a infância, do Negão, ou Cocada Preta, que era como Oldemário às vezes chamava Pelé, e Pelé o chamava de Cocada Branca. ''É questão de honra publicar essas memórias de Oldemário'', disse-me Dona Gina, viúva, no velório do nosso querido repórter campeão! Ô Antonico...

Algumas pautas do finado amigo José Gonçalves Fontes - um craque Prêmio Esso, produzidas no JB, foram guardadas e integram originais sobre experiência jornalística. Material bom para jovens em início de profissão: dia-a-dia da redação, malandragem, glossário de conceitos e jargões, considerações sobre as fontes e as assessorias, além de causos... Troco meu pedacinho de Zeppelin...

Fidel, em entrevista, confirma senilidade: argumentou que mandou executar três que queriam fugir de Cuba para evitar que Bush atacasse Havana como fez com Bagdá. No futebol, três vitórias do Flamengo sobre o Vitória da Bahia em 10 dias. Você já foi à Gávea? Não. Então vá.

Patrícia Menegale envia e-mail: ''Estava numa sala de espera e resolvi dar uma olhadinha básica no JB. Adorei! Você, como todas as pessoas de bom gosto que compactuam a paixão por gatos (Ruy Castro, Miguel Falabella, Cora Rónai... Ah e Mauro Rasi e Jorge Amado também...), escreve de uma maneira que cativa o leitor à primeira letra''. Nesta segunda, depois de 25 anos, o umbigo é meu.

[19/MAI/2003]

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