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Crise da saúde chega ao Pan

Dossiê sobre a situação dos hospitais será entregue ao COI, Odepa e Ministério dos Esportes

Ricardo Albuquerque

Daniel Ramalho - 9/8/2005
Emergência do Souza Aguiar: servidores querem usar pressão de entidades ligadas ao Pan para resolver problemas nos hospitais municipais

Emergência do Souza Aguiar: servidores querem usar pressão de entidades ligadas ao Pan para resolver problemas nos hospitais municipais

Um dossiê sobre a situação das 143 unidades municipais de saúde do Rio de Janeiro será entregue ao Comitê Olímpico Internacional (COI), à Organização de Desporto Pan-Americana (Odepa) e ao Ministério dos Esportes, dentro de 15 dias, por técnicos da comissão de mobilização de servidores municipais. Membros da comissão explicam que o objetivo é chamar a atenção dos organizadores dos Jogos Pan-Americanos de 2007 para a crise do setor, que poderá ser agravada durante a competição. A sobrecarga no atendimento e a falta de condições de prestar socorro imediato serão apontados no documento como fatores que poderão levar a um colapso na rede municipal de saúde.

- Estamos preocupados porque a crise não atrapalha somente o paciente, afinal, o servidor também trabalha estressado, prejudicando o atendimento. Se continuar assim, há o risco de uma falência do setor - avisa Paulo Murilo, representante do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde, Trabalho e Previdência Social do Estado do Rio de Janeiro (Sindsprev).

A crise na saúde foi debatida ontem em uma assembléia da categoria, que decidiu suspender a paralisação de 24 horas prevista para amanhã. Os servidores marcaram uma nova reunião, no Clube Municipal, para 13 de setembro, com indicativo de greve por tempo indeterminado prevista para começar dia 15 de setembro. Paulo Murilo explicou que o sindicato não teve tempo para comunicar as unidades de saúde do município sobre o protesto que estava marcado para amanhã.

Os servidores reivindicam a incorporação imediata da gratificação por produtividade - em torno de 40% - que estaria sendo retirada do contracheque quando o funcionário fica doente, auxílio-refeição para as unidades que não dispõem de refeitório, implantação do Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) e melhores condições de trabalho. Segundo Paulo Murilo, a gratificação é maior para quem trabalha no Centro e na Zona Sul.

- Conforme o grau de escolaridade (médio ou superior), o valor da produtividade sofre alterações, particularmente se a pessoa trabalhar nas unidades da Zona Norte exercendo a mesma função de quem trabalha em outros bairros do Rio. Queremos a paridade, sem que a localização do posto ou hospital sirva como fator de discriminação - explica Murilo.

A assembléia também decidiu que será feita uma passeata, no Centro, para chamar a atenção das pessoas sobre o que os servidores chamam de sucateamento do setor de saúde no Rio de Janeiro. O protesto ainda não tem data marcada, mas segundo Paulo Murilo, a manifestação terá o apoio dos servidores federais que trabalham nas unidades municipalizadas.


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[24/AGO/2005]


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