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Paraty mobilizada contra dragagem

Despejo de detritos preocupa pescadores e ambientalistas

Duilo Victor

PARATY - Moradores da cidade histórica de Paraty se mobilizaram ontem contra o que consideram uma ameaça ao seu maior patrimônio natural. Em um dia perfeito para navegar, o mar de Paraty foi tomado pela barqueata de quase 100 embarcações contra o polêmico projeto do estaleiro Brasfels de lançar uma montanha de 520 mil metros cúbicos de sedimentos marinhos na Baía da Ilha Grande. O lodo viria da dragagem de um canal no cais do estaleiro, em Angra dos Reis, para comportar a construção da plataforma P-52, encomendada pela Petrobrás.

Pescadores, maricultores e políticos de Paraty têm a mesma opinião contra os possíveis pontos de despejo dos sedimentos da dragagem. Segundo eles, caso o lodo seja lançado em qualquer um dos dois locais propostos pelo estaleiro, as atividades de pesca, navegação turística e até o mergulho esportivo ficariam inviáveis.

- Nossas águas são conhecidas pela boa área de mergulho e transparência. Uma simples ventania na direção sudoeste traria toda a lama para cá. A pesca seria a primeira a ser prejudicada, além do turismo - contou o presidente da Associação de Maricultores de Paraty, Luciano Vidal.

Depois do turismo, responsável por cerca de 70% da receita do município, a pesca e criação de frutos do mar são a maior atividade econômica da cidade. A maioria dos integrantes da colônia de pescadores da região produzem para subsistência e, por isso, são os que mais têm medo.

- Toda Paraty ficou ofendida com esse projeto. A lama vai dificultar muito a pesca de arrasto e de sardinha - disse Roosevelt José Albino, 43 anos, pescador há 25, atividade com que sustentou seus três filhos.

Em audiência pública realizada no dia 11, a Brasfels explicou onde seriam os dois pontos de despejo dos sedimentos. O ponto A ficaria a 12 milhas do litoral e o B, a 26 milhas. De acordo com o secretário de Agricultura, Pesca e Meio Ambiente, Marco Antônio de Paula, mesmo com o bota-fora dos detritos no ponto B, entre a Ponta da Joatinga e Ilha Grande, a pesca de camarão rosa, uma especialidade da região, ficaria comprometida. A alternativa proposta por Paraty é um ponto C, 20 milhas além do ponto B, e que teria proteção das correntes marítimas.

- O ponto A simplesmente não existe para nós. Foi apenas um meio encontrado pela Brasfels para negociar o ponto B. Há cinco grandes áreas de proteção ambiental que cobrem quase toda a cidade, o que tornaria esse despejo ilegal - explica o secretário.

O prefeito de Paraty, José Carlos Porto Neto, afirmou que se o Conselho Estadual de Controle Ambiental (Ceca) der parecer favorável ao bota-fora do lodo na bacia de Ilha Grande, vai solicitar uma medida cautelar na Justiça para embargar a obra.

- Não vejo a decisão do Ceca com pessimismo. Uma medida cautelar seria em último caso - responde o prefeito que manifestou preocupação com o destino dos cerca de 5 mil trabalhadores, quando as obras do P-52 no estaleiro em Angra terminarem.

- Não sou contra o desenvolvimento de Angra, mas Paraty não tem mão-de-obra qualificada para esse empreendimento. Ficaríamos só com o dano social: a favelização - disse o prefeito.


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[18/JUL/2005]


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