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Italiano nas mãos do STF
Pietro Mancini é cineasta e produtor de campanhas políticas há 25 anos
Gustavo de Almeida
[24/JUN/2005]
Alguém devia ter caluniado a Pietro Mancini, pois que sem este tivesse feito nada de mal foi detido uma certa manhã. A diferença entre o que aconteceu com o produtor cinematográfico e sociólogo Pietro Mancini, de 56 anos, preso na quarta-feira pela Interpol do Rio de Janeiro, e a personagem Joseph K., do escritor tcheco Franz Kafka, é que o livro O Processo tem final conhecido. Já a história de Mancini, que vive no Rio de Janeiro desde 1977, terá seu enredo desenvolvido pelo Supremo Tribunal Federal. Dono da conhecida produtora Studio Line, em Botafogo, Pietro acabou sendo preso por participação em um evento ocorrido há mais de 30 anos na Itália. Se nas leis brasileiras o suposto crime teria prescrevido, pelas italianas é diferente. Amigo da família, o secretário de Urbanismo do município do Rio, Alfredo Sirkis, mata a charada vivida pelo italiano:
- É perseguição política. A crise no governo de Berlusconi acabou levando a este revisionismo - diz o secretário.
- Pietro fazia parte de um grupo radical. Em uma manifestação, alguns anarquistas que o acompanharam compareceram armados, e um policial acabou morto. Ele então foi o bode expiatório do crime, que aconteceu a dezenas de metros do local onde ele estava - diz Sirkis.
Julgado à revelia na Itália, Mancini foi condenado a 19 anos de prisão. Segundo o delegado Wanderley Martins, da Interpol - Rio, não há nenhuma ligação de Mancini com mafiosos, tráfico ou contrabando:
- Ele vive uma vida normal no país. O caso dele é mais confuso porque tem uma condenação e ele responde pela morte de um policial. Neste caso, a responsabilidade é global. De qualquer maneira, nem que prendêssemos o Osama Bin Laden poderíamos extraditar na hora.Quem decide tudo é o Supremo Tribunal Federal.
O secretário acredita que o pior de tudo pode ser a demora no julgamento.
- Pode levar quatro, cinco meses. É um absurdo que ele fique preso enquanto isso.
O Studio de Mancini produziu todas as campanhas eleitorais de televisão do Partido Verde (PV), ao qual pertence o secretário Sirkis.
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