A Guarda Municipal teve uma redução de quase metade dos veículos de patrulhamento. Desde o início do mês, 130 de 280 Kombis e Gols estão parados para pequenas manutenções. A espera por reposição de peças também afetou a Ronda Escolar. O serviço é responsável pela proteção de 688 das 1.054 escolas municipais. A cobertura da ronda está comprometida em 204 escolas. Sem a presença dos guardas, professores, pais e alunos sentem-se mais vulneráveis. A situação fica ainda mais tensa nas escolas próximas de favelas.
– A Ronda Escolar apenas circula pelos bairros e já não garante a tranquilidade na escola. No entanto, o serviço cria um efeito psicológico de proteção. Quando os carros somem ou são reduzidos, ficamos à mercê da sorte – avalia Gesa Linhares, coordenadora do Sindicato Estadual dos Profissionais de Ensino (Sepe), que também representa a rede municipal.
Revoltada com a insegurança nas proximidades do Ciep Presidente Tancredo Neves, na Rua do Catete, próximo à Favela Santo Amaro, a servente Cátia Regina Ambrósio, 38 anos, vai transferir a filha de nove anos da escola no segundo semestre. A menina já havia sido transferida de outro colégio, em Duque de Caxias, segundo Cátia, por causa da violência.
– Na semana passada, dois mendigos estavam pelados em frente à escola. Pedimos ajuda na delegacia do outro lado da rua, mas não adiantou. Também não encontramos nenhum guarda municipal. Nunca vi a Ronda Escolar passar por aqui – protesta a servente.
A situação de medo também não é diferente a poucos metros do Ciep. Pais reclamam da ausência da guarda municipal na Escola Vital Brasil, na Rua Silveira Martins. A dona de casa Lúcia Ramos, 42 anos, que tem duas filhas estudando no local, afirma não ter visto guardas na escola nos últimos quatro anos.
– Só vejo os guardas cuidando dos camelôs. Enquanto isso, a porta da escola fica vazia – diz Lúcia.
No Ciep José Pedro Varela, na Rua do Lavradio, no Centro, segundo algumas pessoas que trabalham na região, a ausência dos guardas municipais já é uma constante. Funcionária de uma banca de jornal que fica na mesma calçada da escola, Solimar Lessa, 41 anos, também reclama da presença de mendigos e menores cheirando cola. Ela afirma que a região está abandonada pelo poder público. Por causa da insegurança, a banca de jornal não funciona aos sábados.
– Há poucos dias, de dentro do pátio um aluno mexeu com um menino de rua que estava na calçada. Eles prometeram que iriam brigar na saída. A polícia foi avisada e, pouco depois, apareceram uns guardas. Esta foi a única vez que os vi em dois meses – contou.
Alunas da Escola Municipal Calouste Gulbenkian, Fernanda de Souza, 15 anos, e Evelyn Oliveira da Cruz, 14 anos, dizem que os guardas municipais aparecem no local, pelo menos, uma vez por semana.
– Estamos ao lado da 6ª DP, não acredito que as rondas deixem de acontecer – comentou Fernanda.
Segundo a Guarda Municipal, a Ronda Escolar conta com 34 veículos, 31 Gols e três Kombis, além de seis motocicletas. Os guardas percorrem as escolas em duplas e seguem um roteiro de 25 estabelecimentos. O comandante da Guarda Municipal, coronel Carlos Moraes Antunes, explicou que os veículos foram parados, gradativamente, enquanto a prefeitura analisava contratos e processos de licitação, como a compra de pneus.
– A prefeitura estava fazendo uma readaptação do orçamento. Passada esta fase, já estamos fazendo um pregão. A situação dos veículos deve ser regularizada em 15 dias – frisa Antunes.
Antunes disse ainda que foram adotadas medidas para reforçar o patrulhamento enquanto os veículos estão parados, entre elas, a utilização de guardas lotados nas inspetorias de cada região.
Sobre as reclamações das mães, professores e alunos, Antunes comentou:
– As mães estão vivendo no Rio. Aqui não é Londres. A Ronda Escolar não está em todos os lugares ao mesmo tempo.
A Guarda informou que todas as escolas citadas recebem visitas da ronda pelo menos uma vez na semana.