Secretaria de Segurança manda apurar denúncia de que disputa política teria motivado matança na Baixada Fluminense
A polícia investiga uma nova possibilidade de motivação para a chacina em que morreram 29 pessoas na Baixada Fluminense. Em uma audiência realizada ontem pela Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa do Rio (Alerj), o deputado Paulo Ramos (PDT) revelou que recebeu a denúncia de que, por trás da ação dos bandidos em Queimados e Nova Iguaçu, está a disputa por poder político na região. De um lado, segundo Ramos, estaria o ex-comandante do Comando de Policiamento da Baixada (CPB), coronel reformado Francisco D'Ambrósio. Do outro, o Inspetor-Geral da PM, coronel João Carlos Ferreira.
Ao deixar a audiência, o secretário de Segurança Pública, Marcelo Itagiba, afirmou que vai requerer à comissão a denúncia e encaminhá-la ao delegado titular da 58ª DP (Posse), Roberto Cardoso, responsável pelas investigações da chacina. D' Ambrósio negou as acusações, enquanto João Carlos afirmou que só falaria sobre o caso hoje, em entrevista coletiva.
- Esse depoimento é importante para os autos do inquérito. O delegado vai avaliar essas informações e tomar as decisões cabíveis. Mas acho que tudo tem que ser verificado - afirmou Itagiba, ressaltando que, caso seja necessário, o autor da denúncia ao deputado Paulo Ramos terá proteção.
O deputado adiantou que vai sugerir aos outros integrantes da comissão a convocação de Francisco D'Ambrósio e João Carlos para prestar esclarecimentos sobre o caso. De acordo com a denúncia, a disputa política entre os dois envolve as eleições de 2006. Em dezembro, D'Ambrósio teve que deixar o Comando de Policiamento da Baixada, depois de 20 anos trabalhando na região, em função da aposentadoria. Com sua saída, João Carlos iniciou mudanças nos comandos dos batalhões locais, o que, segundo o depoimento do denunciante, atrapalhou os planos de D'Ambrósio e gerou reação da tropa.
Paulo Ramos contou que, ainda conforme afirmou o denunciante, o grupo de 11 policiais militares acusados da chacina teria forte ligação com o coronel D' Ambrósio.
- Não tenho dúvidas de que a motivação da chacina foi essa disputa. Em algumas conversas, me certifiquei dessa versão. Essa ação teria o objetivo de desestabilizar a cúpula da Secretaria de Segurança Pública com fins eleitorais - afirmou o parlamentar, ex-oficial da PM.
Vice-presidente da comissão, o deputado Paulo Melo (PMDB) também confirmou a informação de que os acusados da chacina são ligados ao ex-comandante do CPB.
- Pela minha experiência, não acredito que esses policiais tenham se reunido de uma hora para outra, sem uma orientação superior, e decidido matar 29 pessoas. As investigações precisam chegar à cadeia de comando dos agentes deste crime - argumentou Melo.
Desde dezembro do ano passado fora da PM e atualmente secretário de Segurança de Belford Roxo, Francisco D'Ambrósio negou as acusações. Sem falar sobre o caso, disse apenas que não é candidato a qualquer cargo eletivo.