Direção decide não assinar contrato de gestão com Secretaria Municipal de Saúde por causa de verbas insuficientes
O Hospital da Lagoa está desde ontem sob a ameaça de colapso financeiro, com a decisão tomada ontem pela direção da unidade. Após reunião com o Conselho Regional de Medicina (Cremerj) e com o Sindicato dos Médicos, a direção do hospital decidiu não assinar o contrato de metas com a Secretaria Municipal de Saúde. Em médio prazo, isto significa que o hospital fica sob ameaça de não receber mais verbas do município. A decisão teve apoio dos chefes de serviço do hospital. Segundo eles, os R$ 12,6 milhões previstos para a unidade são insuficientes para o funcionamento. Para piorar, no último dia 4 a Vigilância Sanitária Estadual interditou o centro cirúrgico.
- Com o contrato, a secretaria lava as mãos e joga a responsabilidade para os diretores. As metas não foram discutidas com os chefes de serviço e estão sendo impostas aos diretores - disse a presidente do Cremerj, Márcia Rosa de Araújo, informando que os funcionários preparam documento para entregar ao secretário de Saúde, Ronaldo Cezar Coelho, ''mostrando que a verba não condiz com a necessidade do hospital''.
A direção do Hospital da Lagoa alega que os R$ 12,6 milhões cobrem apenas as despesas da farmácia. Para o pleno funcionamento, o hospital precisaria dispor de R$ 45 milhões.
Há quatro meses a Secretaria Municipal de Saúde tenta, com um contrato de metas, descentralizar a gestão dos hospitais da rede.
- Por meio deste contrato, o Hospital da Lagoa passaria a receber R$ 12,6 milhões para a compra de material e insumos, de acordo com metas de atendimento previamente estabelecidas - explicou ontem o vice-presidente da Comissão de Saúde da Alerj, deputado estadual Paulo Pinheiro (PT).
Até janeiro, o Hospital da Lagoa costumava atender a uma média de 30 mil pessoas por mês. Com a diminuição dos recursos, a maioria dos pacientes internados recebeu alta. A unidade sofre com a falta de medicamentos, insumos e manutenção dos equipamentos.
- O Hospital da Lagoa é pólo oncológico (tratamento de câncer) e de tratamento de diabetes, em nível municipal. Mas a situação está tão crítica que na semana passada não tínhamos nem toalhas de papel para enxugar as mãos - disse o diretor do Centro de Estudos, Cesar Barros.
Dos 200 leitos de que dispõe, apenas 34 estão sendo usados. Internações, cirurgias e primeiras consultas estão suspensas. Somente pacientes em tratamento e os que correm risco de morte são atendidos.