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Hospital da Lagoa à beira da falência

Direção decide não assinar contrato de gestão com Secretaria Municipal de Saúde por causa de verbas insuficientes

Ana Paula Verly

Paulo Nicolella
Hospital da Lagoa

Hospital da Lagoa: defasagem nas verbas e falta de recursos desde o início do ano ameaçam paralisar atendimento aos pacientes

O Hospital da Lagoa está desde ontem sob a ameaça de colapso financeiro, com a decisão tomada ontem pela direção da unidade. Após reunião com o Conselho Regional de Medicina (Cremerj) e com o Sindicato dos Médicos, a direção do hospital decidiu não assinar o contrato de metas com a Secretaria Municipal de Saúde. Em médio prazo, isto significa que o hospital fica sob ameaça de não receber mais verbas do município. A decisão teve apoio dos chefes de serviço do hospital. Segundo eles, os R$ 12,6 milhões previstos para a unidade são insuficientes para o funcionamento. Para piorar, no último dia 4 a Vigilância Sanitária Estadual interditou o centro cirúrgico.

- Com o contrato, a secretaria lava as mãos e joga a responsabilidade para os diretores. As metas não foram discutidas com os chefes de serviço e estão sendo impostas aos diretores - disse a presidente do Cremerj, Márcia Rosa de Araújo, informando que os funcionários preparam documento para entregar ao secretário de Saúde, Ronaldo Cezar Coelho, ''mostrando que a verba não condiz com a necessidade do hospital''.

A direção do Hospital da Lagoa alega que os R$ 12,6 milhões cobrem apenas as despesas da farmácia. Para o pleno funcionamento, o hospital precisaria dispor de R$ 45 milhões.

Há quatro meses a Secretaria Municipal de Saúde tenta, com um contrato de metas, descentralizar a gestão dos hospitais da rede.

- Por meio deste contrato, o Hospital da Lagoa passaria a receber R$ 12,6 milhões para a compra de material e insumos, de acordo com metas de atendimento previamente estabelecidas - explicou ontem o vice-presidente da Comissão de Saúde da Alerj, deputado estadual Paulo Pinheiro (PT).

Até janeiro, o Hospital da Lagoa costumava atender a uma média de 30 mil pessoas por mês. Com a diminuição dos recursos, a maioria dos pacientes internados recebeu alta. A unidade sofre com a falta de medicamentos, insumos e manutenção dos equipamentos.

- O Hospital da Lagoa é pólo oncológico (tratamento de câncer) e de tratamento de diabetes, em nível municipal. Mas a situação está tão crítica que na semana passada não tínhamos nem toalhas de papel para enxugar as mãos - disse o diretor do Centro de Estudos, Cesar Barros.

Dos 200 leitos de que dispõe, apenas 34 estão sendo usados. Internações, cirurgias e primeiras consultas estão suspensas. Somente pacientes em tratamento e os que correm risco de morte são atendidos.


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[17/FEV/2005]


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