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Onde as cores se encontram

Ao sul de Maceió, as fascinantes paisagens do caminho que leva às Dunas de Marapé, no solitário município de Jequiá da Praia

Josie Jeronimo

JEQUIÁ DA PRAIA, AL - Marapé significa caminhos para o mar. E, em Alagoas, o verde e o azul disputam a paisagem do litoral Sul em direção ao paraíso ainda selvagem das Dunas de Marapé. O verde compacto da cultura de cana de açucar mistura-se aos densos azuis dos rios e lagos. O espetáculo termina quando os olhos descansam no azul-piscina das praias onde os coqueiros se estendem pela orla. O trajeto até o pequeno município de Jequiá da Praia, em Alagoas, onde ficam as Dunas, concorre em beleza com o próprio destino. Os olhos viajam por uma infinidade de cores ao passar pelas praias de Jatiúca, Ponta Verde e Pajuçara.

Os 67 quilômetros que separam as Dunas de Marapé da capital Maceió são encurtados pelos rios que serpenteiam em torno das verdejantes manchas de Mata Atlântica. A vegetação produz um deslumbrante espetáculo de cores. Os resquícios da floresta ganham aspecto exótico, apresentando matizes de verde contrastados com o vermelho das folhas secas, que lembram a cor de massapê.

O vermelho e o verde da paisagem também ganham tons amarelados no trecho próximo à lagoa do Roteiro que leva à Praia do Gunga. As palmáceas de coco amarelo à beira da estrada colorem ainda mais o itinerário. O coco amarelo tem grande importância na região: funciona como repositor de nutrientes, a fruta possui taxa protéica semelhante ao leite materno. Por isso, criadores de gado usam o coco amarelo para alimentar os bezerros.

Deixando Maceió, chega-se a Jequiá da Praia em menos de duas horas. Até as Dunas de Marapé, atravessa-se o povoado de Duas Barras, onde fica uma vila de pescadores. Barra é o nome popular que se dá à foz. Além da vizinhança com o mar, o povoado é cortado pelos rios Jequiá e Poxi. A travessia para Dunas de Marapé é feita pelo Jequiá por meio de escunas. O marinheiro – como gosta de ser chamado – Paulo Roberto de Souza tem o apelido de carranca e orgulha-se em dizer que pilota um barco ornado com “uma dessas figuras mitológicas”.

– Só turista mesmo atravessa de barco. A gente nada um pouquinho e já está lá do outro lado – disse.

O passeio de escuna dura menos de cinco minutos e já se chega à outra margem. Sobre as areias claras, ergue-se uma pequena ponte que dá acesso às dunas. No complexo de Dunas de Marapé há um restaurante. Diferentemente dos estabelecimentos sofisticados da orla central de Maceió, o restaurante ainda está em fase de estruturação, assim como o restante do complexo. A comida é saborosa, mas o atendimento fica devendo.

As belezas da fauna e da flora locais compensam a estrutura turística incipiente da região. A vegetação rasteira cobre as dunas e abriga animais selvagens. Já acostumados à presença de visitantes, eles não se escondem e até posam para fotos. O complexo tem um mascote: uma iguana que sempre aparece quando percebe alguma movimentação diferente. O restaurante também tem um anexo de redes para o descanso depois do almoço. Lá, os micos se dependuram nas estruturas de sustentação. Mansos, comem na mão das pessoas e oferecem a cabeça para um breve cafuné.

Atravessando as dunas por uma senda cercada por arbustos floridos, chega-se à praia de Jequiá. O cenário é selvagem. Apenas um bar instalado no local quebra a imagem de paradisíaco isolamento urbano. Cintos de corais prolongam a praia fazendo com que as ondas quebrem mansas. A areia é fina, branca e suave. E a praia se estende por cerca de 30 metros graças à presença de arrecifes. Além da paisagem suavizada pelos coqueiros que pendem ao toque do vento, há trechos da orla em que se pode vislumbrar faixas de Mata Atlântica. Assim são as dunas de Marapé, reunindo com harmonia os azuis do mar e rios com os verdes tropicais de mata ciliares e o frescor dos coqueiros de beira-mar.


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[12/ABR/2006]


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