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É capenga, mas surpreende

Kim Basinger ainda empolga a ala masculina da platéia

Rodrigo Fonseca

Divulgação

Kim Basinger ainda empolga a ala masculina da platéia

Andam reclamando por aí que Celular - Um grito de socorro não passa de um grande comercial da Nokia. Mas para chegar a essa conclusão, não é preciso muito esforço mental: o trailer já esclarece isso. O difícil é descobrir o que há para além dos reclames do filme dirigido por David R. Ellis. E há muito. Bastante energia e bastante vigor, segurando o divertimento, apesar de o roteiro não dar bola para a lógica. Quem dera que toda publicidade fosse assim. Se fosse, a TV poderia até não ficar mais inteligente, mas intervalo não seria motivo para sair da sala ou zapear a emissora vizinha. Não se pode negar que o longa começa mal, clichezão. Mas, pouco a pouco, a montagem frenética de Eric A. Sears (de Top Gang!) impõe o ritmo certo a uma história batida, que parece nova em folha, contada com a agilidade na medida. O olho do diretor, nesse caso, pesou menos que o do produtor: ninguém menos do que Dean Devlin, responsável pelo fenômeno Independence day. Depois de muita bola fora, Devlin soube arregimentar bons ingredientes, trabalhando com orçamento (US$ 25 milhões) bem abaixo de seu astronômico padrão. Boa parte do acerto vem do elenco. Ainda que sobre canastrice, em um primeiro momento, os atores esbanjam uma química rara, que tonifica um gênero tão combalido quanto o dos thrillers de ação. Chris Evans, em especial, surpreende, já que cativa a platéia até o fim. Kim Basinger deu uma ''embagulhada'', mas ainda arranca suspiros da marmanjada. Já William H. Macy dispensa comentários: perfeito é pouco.


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[12/NOV/2004]


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