Lula e o PT modelaram, em três campanhas frustradas, a fórmula vencedora de 2002
Foram quatro campanhas para a Presidência da República, três derrotas sucessivas - em 1989, 1994 e 1998 -, até que se modelasse a fórmula vencedora deste outubro histórico de 2002.
A apoteose de 2002 (com a providencial ajuda do marketing bem-feito) resultou na união das qualidades que, isoladamente, não impediram que se colasse em Lula uma agora esquecida imagem de perdedor. Desde a derrota conceitual, a de 1989, quando o PT imaginou que a emoção resolveria a guerra contra Fernando Collor - que não teve pejo em usar a ex de Lula, Miriam Cordeiro, para, em rede nacional, acusar o petista de ter sugerido que ela abortasse a filha Lurian. Até a jovem ficou do lado do pai. E os seguidores de Lula fizeram muito barulho, cantaram, foi emocionante. O povo, em silêncio, votou no outro candidato.
No início da campanha de 1994, Lula admitiu que, cinco anos antes, nem tinha programa de governo. No mitológico debate do segundo turno de 1989 - 14 de dezembro, quinta-feira, todo mundo lembra até a roupa que estava vestindo -, o hoje presidente levou uma carta de princípios que acreditava ser suficiente. Não que o adversário tivesse consistência, mas restou a Lula engolir a primeira derrota, privado até do direito de dizer, três anos depois, ''eu avisei''.
A vitória de ontem talvez tenha começado na terapia que o petista adotou na campanha de 1994, as Caravanas da Cidadania. Lula percorreu o país para efetivamente conhecê-lo, acumulando informações que alcançaram sucesso na batalha atual. Não deu certo naquela época, porque o petista teve adversário, esse sim, imbatível - o Plano Real, o fim da inflação, o sonho. Nele, rebatizado de Fernando Henrique Cardoso, votou maciçamente o povo.
Mais aprendizado. Lula e o PT entenderam que, noves fora pecados hoje evidentes, o real enfeitiçou os brasileiros, a ponto de reeleger Fernando Henrique, novamente no primeiro turno, em 1998. Lula foi candidato a contragosto, por decisão do partido, com Leonel Brizola como vice, formando uma frente de oposição demolida impiedosamente.
Quase 13 anos depois, o amador virou profissional. Do vice empresário ao estilo paz e amor, da barba grisalha ao minucioso programa de governo, acertou em tudo. E o Brasil se entregou ao presidente operário.