As últimas eleições gerais representaram um passo importante rumo à construção de uma sociedade participativa, mais consciente de sua cidadania, de seus direitos e deveres. Hoje o Brasil acorda com a certeza de ter realizado uma das maiores demonstrações de civismo, com o maciço comparecimento às urnas, representando um belo exemplo para o mundo.
Apesar do quadro econômico adverso que marcou os últimos meses, podemos nos orgulhar de um processo eleitoral transcorrido dentro da mais perfeita ordem, no qual os eleitores puderam expressar sua vontade, conferindo legitimidade aos novos dirigentes para conduzir com segurança os destinos do país. Aí reside todo o charme da democracia. Porém, nenhuma eleição deve ser entendida como um cheque em branco da sociedade para o eleito.
Conhecido o resultado, a nação está pronta para se unir em torno das mudanças responsáveis que precisa e deseja. Sabemos que os desafios a serem superados pelo próximo presidente e sua equipe não serão poucos. Para começar, é preciso reafirmar o compromisso de buscar um equilíbrio entre a manutenção da estabilidade, tão duramente conquistada nos últimos anos, e a retomada do crescimento sustentado, com geração de emprego e renda, tão ansiosamente almejada. O segmento do comércio de bens, serviços e turismo depende essencialmente desse binômio - crescimento e estabilidade - para se desenvolver.
Alcançar esse objetivo não é tarefa das mais fáceis, especialmente num mundo conturbado, com crises político-econômicas eclodindo por todos os lados. A confiança no futuro, entretanto, nos impulsiona a participar - no âmbito de nossa atuação estadual - deste esforço.
É muito importante que o novo governo lidere um grande processo de negociação, com a participação dos setores representativos da sociedade civil, como caminho para construção de um novo pacto. Certamente, será necessário enfrentarmos algumas questões fundamentais. Uma delas é a reforma tributária.
Nosso sistema tributário tem hoje uma única função: arrecadar cada vez mais. Sua estrutura é injusta com aqueles que produzem e consomem. A ampliação da base de arrecadação e a simplificação do sistema são essenciais para tornar a tributação no Brasil menos desigual.
Uma das mais danosas conseqüências do atual sistema é a elevada informalidade e a proliferação de atividades ilegais, como o contrabando e a pirataria, portas de entrada para o crescimento da violência, por intermédio de sua forte vinculação com o tráfico de armas e de drogas, sobretudo no Rio de Janeiro. Aliás, somos nós, empresários do comércio, uma das principais vítimas dessa escalada de violência. Muito porque nossa atividade tem nas portas abertas e no contato direto com a população sua principal forma de atuação.
Nosso Estado, que deu ao presidente eleito uma soma de votos expressiva, tem uma economia eminentemente voltada para o comércio de bens, serviços e turismo, atividades representadas pela nossa Federação. É esse o verdadeiro motor da economia fluminense, sua mais expressiva força econômica.
As entidades empresariais devem cada vez mais se empenhar na busca de um relacionamento com os poderes públicos que não se baseie somente nas reivindicações e na defesa dos interesses específicos dos segmentos, mas que se traduza no estabelecimento de parcerias de interesse do conjunto da sociedade. E essa é uma tarefa que o Sistema Fecomércio-RJ já vem realizando. Nós do Estado do Rio de Janeiro, por meio do Serviço Social do Comércio (Sesc-RJ) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac-RJ), temos feito o nosso dever de casa, levando ações sociais, culturais e de desenvolvimento profissional a milhões de fluminenses, na busca da inclusão social e da criação de melhores oportunidades.
Sabemos que ainda há muito a conquistar, desenvolver e compartilhar. Temos esperança de que o novo governo seja um parceiro na busca pela prosperidade econômica com justiça social que queremos para o nosso Estado e o nosso país. Acreditamos que a democracia é o regime político que exige do cidadão mais do que ser mero espectador: é preciso participar!
Não basta mais se limitar a pagar impostos e esperar que o Estado faça tudo. Nas sociedades modernas, crescem as responsabilidades sociais de empresas, cidadãos e comunidades, superando a visão assistencialista ou de benemerência, transformando o cidadão em ator principal na construção da cidadania e no desenvolvimento da democracia, com vistas à diminuição da pobreza e das desigualdades.