Os homens fortes do momento

Grupos de velhos amigos e novos aliados devem ocupar principais cargos de confiança do presidente

Gustavo Krieger e Nelson Breve

BRASÍLIA - Quando se instalar no quarto andar do Palácio do Planalto, Lula estará no comando de um pequeno exército. O governo federal tem 18,5 mil cargos de confiança, que serão preenchidos pelo novo presidente e seus aliados. A melhor fatia está em Brasília. Hoje, são 23 ministérios e outros 604 cargos de primeiro e segundo escalões.

A batalha por esses postos começou meses antes da eleição, na hora das composições políticas. E vai se arrastar até meses depois da posse do presidente. Mas um grupo de assessores e parceiros políticos do futuro presidente sabe que tem seu espaço garantido.

O presidente do PT, José Dirceu, será o homem forte do governo. Dirceu foi sempre o mais graduado general de Lula nas lutas internas do PT. Comandou articulações para que o partido aceitasse uma política de alianças antes considerada intolerável, para vencer as eleições. Na campanha, negociou com o presidente Fernando Henrique Cardoso medidas destinadas a evitar a radicalização da disputa. Dirceu pode ser o ministro da articulação política, com gabinete no Palácio do Planalto. Ou ficar no Congresso, como líder do governo.

Outros quatro integrantes do alto comando da campanha são referência certa na Brasília de Lula: Antonio Palocci, ex-prefeito de Ribeirão Preto (SP) e coordenador do programa de governo; o ex-deputado Luiz Gushiken; o professor José Graziano da Silva, do Instituto de Economia da Unicamp, e o ex-secretário de governo da Prefeitura de Santo André, Gilberto Carvalho.

Eles exibem semelhanças. São todos discretos, de fala mansa e preferem os bastidores aos comícios. Palocci deve ter como primeira missão a negociação da reforma tributária. Pode integrar a equipe econômica, na pasta da Produção ou do Planejamento. Gushiken deve conduzir as reformas previdenciária e trabalhista. É improvável que algum nome alcance cargos relevantes nos ministérios da área sem passar por seu crivo preliminar. Graziano é aposta certa para a Reforma Agrária. Carvalho cuidou da agenda de Lula na campanha. Pode permanecer como assessor na Presidência.

Dois gurus de Lula terão o cargo que quiserem no governo. O geógrafo Aziz Ab'Saber foi uma espécie de preceptor de Lula nos últimos dez anos. Acompanhou-o nas viagens das Caravanas da Cidadania, explicando-lhe cada peculiaridade das mais diversas regiões do país. Frei Betto é o amigo de todas as horas.

Ao redor de Lula, há uma espécie de ''conselho'' formado nas discussões do Instituto Cidadania, organização não-governamental que ele preside. O economista Guido Mantega é o interlocutor com os agentes do mercado. Também são ouvidos o deputado (agora senador eleito) Aloizio Mercadante, os economistas Luiz Gonzaga Belluzo e Paulo Barbosa (ABN-Amro), os empresários Oded Grajew e Antoninho Marmo Trevisan - que podem integrar a equipe econômica ou da Produção -, o economista Luciano Coutinho - talvez deslocado para o musculoso Ministério do Planejamento -, o sindicalista Luiz Marinho - uma peça importante no Ministério do Trabalho - e o jurista Márcio Thomaz Bastos, cotado para a Justiça. Lula ouve também Eliezer Batista, com muitas fichas na área do Planejamento.

O secretário-geral do PT, Luiz Dulci, o secretário de Organização, Silvio Pereira, e Delúbio Soares, tesoureiro da campanha, organizaram juntos a estratégia e estrutura da caminhada rumo ao Planalto. Terão lugar por lá. Lula quer mudar a estrutura econômica. Vai reforçar as pastas de Planejamento e Produção, reduzindo o peso do Ministério da Fazenda.

No setor do Desenvolvimento, o nome do vice-presidente José Alencar é aposta muito forte. Lula quer formalizar o prestígio do companheiro de chapa e Alencar, empresário de patrimônio considerável, é bom sinal para o mercado. O economista João Sayad, hoje cuidando das finanças da prefeitura de São Paulo, é mais um concorrente a levar em conta.

Outros nomes figuram nas especulações. A senadora Marina Silva, do Acre, talvez seja designada para o Meio Ambiente. O ex-governador do Distrito Federal Cristovam Buarque lidera a relação de candidatos ao Ministério da Educação. O deputado o José Genoíno tem a simpatia dos quartéis para se tornar ministro da Defesa. Aloizio Mercadante pode ser indicado para a Secretaria de Comércio Exterior, que terá status de ministério.

Chefe da área de imprensa da campanha, o jornalista Ricardo Kotscho deverá assumir papel equivalente ao desempenhado por Ana Tavares no governo FH: alguém a quem se pode recorrer a qualquer hora. O PL, parceiro de campanha, terá uma fatia do governo além da Vice-Presidência.

Velho aliado, o governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra, não ficará sem o que fazer ao fim do mandato. Candidatos derrotados a governador também devem ser aproveitados. E há os nomes que surgirão das conversas que Lula terá com outros partidos a atrair para a sua base parlamentar.

[28/OUT/2002]


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