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Responsabilidade Social: Transformando o país

Viviane Senna é eleita líder empresarial nacional por sua atuação à frente do Instituto Ayrton Senna, que já atende 24 estados brasileiros na área educacional

“É um estímulo para continuarmos no caminho que estamos seguindo”. Assim a presidente do Instituto Ayrton Senna, Viviane Senna, definiu o que representa para ela o prêmio de Líder Empresarial Nacional de Responsabilidade Social, edição 2005, concedido pela Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil, ADVB. Escolhida por um júri formado por empresários de vários setores, ela recebeu o prêmio em uma cerimônia, no último dia 23, em São Paulo. “A escolha de Viviane Senna foi justa e coerente com o que ela representa para o país”, afirmou o presidente da ADVB, José Zetune, arrematando: “É o reconhecimento do trabalho que a empresária desenvolve ao longo de sua carreira como uma gestora socialmente responsável”.

A Ong que dirige com tanto zelo, foi criada em 1994, concretizando um desejo do inesquecível Ayrton Senna. E, como o tricampeão mundial, coleciona prêmios importantes. Como o concedido pela Unesco(órgão da ONU) no ano passado.

JB Ecológico - Por que o trabalho do Instituto Ayrton Senna, através de você, foi o escolhido pelo júri da ADVB?

Viviane Senna – A razão que eles me deram para a escolha foi o nível de abrangência do trabalho do instituto, em termos territoriais. Estamos trabalhando em mais de 1.200 municípios, em 24 estados, atendendo a mais de um milhão e 200 mil crianças e jovens. O objetivo das ações é dar às crianças e jovens aquilo que você, eu e o Ayrton tivemos, que é a oportunidade de nos desenvolvermos como pessoas. Cada um de nós nasce com um potencial, só que a imensa maioria das pessoas no Brasil não tem a oportunidade de se desenvolver. O trabalho do instituto é justamente oferecer estas condições de desenvolvimento de capacidades, de potencialidades, de crianças e jovens, para que a gente possa transformar exceções em regra.

JB –Isso passa necessariamente pela educação?

VS – Sim, porque, se se der comida ou sapato ou teto e não der educação, não se desenvolve os potenciais da pessoa. Nós usamos como estratégia vários caminhos pedagógicos para desenvolver a pessoa por inteiro: através do esporte, da arte, da informática, da escola formal. Por exemplo, o esporte ensina a criança a respeitar regras, limites, hierarquia, trabalhar em grupo, estabelecer metas a longo prazo, porque não se ganha um campeonato, se não se esforça por um longo período para adquirir capacidade. Usamos a função pedagógica que o esporte tem para desenvolver competências nas crianças.

JB – E esse nome, tecnologia social, de onde surgiu?

VS - Tecnologia social é um conceito que adotamos há nove anos, quando ainda nem existia essa expressão. Porque a gente desenvolveu isso? Por que é preciso atender a todos. Eu descobri que, ao invés de fazer projetos, temos que fazer as chamadas tecnologias sociais, modelos que são aplicados em larga escala. Com isso, eu transformei o instituto de um centro de atendimento em um centro de produção de conhecimento e tecnologias sociais em desenvolvimento humano. Tanto que recebemos da Unesco, órgão da ONU, um título de cátedra em educação para o desenvolvimento humano. Fomos transformados em um centro de referência mundial nessa área.

JB – Qual a importância desse título conferido pela ADVB a você?

VS – Ele é mais um estímulo para a gente continuar nessa trajetória para ajudar o Brasil a enfrentar esse enorme desafio que é transformar a exceção em regra. Não podemos continuar a ser um país para poucos. Todos nós precisamos ajudar a construir um país para muitos. Isso é uma tarefa coletiva. E a gente se sente mais motivada a continuar nesse esforço conjunto

JB – Você pode citar alguma empresa que já trabalha com a lógica de que responsabilidade social não é um favor, mas um direito das pessoas?

VS - A Nokia e a Vivo, por exemplo. Há anos, elas vêm desenvolvendo com o Instituto uma ação muito consistente, para melhorar a qualidade do sistema público de educação em Goiás. A parceria já fez com que o governo estadual economizasse R$ 150 milhões. Só com essa ação de as crianças poderem aprender sem ficarem repetindo. O estado deixou de pagar repetência atrás de repetência.

JB – E empresas brasileiras?

VS - Duas delas estão se envolvendo mais com esse tipo de ação a Votorantin e a Vale do Rio Doce, que adotaram sozinhas todo o estado de Sergipe, investindo lá R$1 milhão cada uma, para resolver o problema da educação pública no estado. É muito mais do que responsabilidade social. São empresas estadistas. Tem também o Bradesco, que há mais de 60 anos, quando ainda não era moda, vem adotando, através da Fundação Bradesco, esse tipo de ação, com muito sucesso. Tanto assim que o banco está usando o seu know how na área econômico-financeira na participação com o Instituto de uma grande ação social, usando uma estratégia de título de capitalização . O banco criou um produto, chamado GP Ayrton Senna. A pessoa compra o título e boa parte desse recurso vai para as ações visando a desenvolver crianças no Brasil. São exemplos de empresas estadistas, que estão pensando no país.


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[01/DEZ/2005]


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