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Pensando Bem: Nuclear em tempos quentes
“O que o Brasil tem na frente como dilema é construir ou não a Usina Angra III. Os equipamentos estão aí e seu custo de armazenagem beira os US$ 20 milhões por ano. De novo, instala-se a divisão. Há os que consideram o nuclear estratégico e argumentam inclusive que não tem sentido perder o dinheiro da compra dos equipamentos e o de sua armazenagem” O fim da energia barata é também o fim do mundo, tal como o conhecemos hoje. Esta frase do ex-ministro francês do meio ambiente, Yves Couchet, refere-se ao fim da era do petróleo. Se as reservas garantem apenas 15 anos de exploração intensa e começam a cair, depois disto, os preços manterão alta constante. Os paises ricos estarão diante de um dilema: reorientar seu consumo de energia ou partir para uma política de guerra contra os produtores mais fracos. Dentro desse quadro, onde o aquecimento global e exaustão das jazidas empurram o petróleo para o fim, recomeça também o debate sobre energia nuclear . Há alguns autores sérios, como James Lovelock, consideram que é preciso repensar o uso do nuclear, diante das responsabilidades de se lutar contra o aquecimento. O nuclear, para ele, é a principal resposta viável para o desenvolvimento sustentável. A maioria dos ecologistas, entretanto, considera que o fim do petróleo abre alternativas para uma nova era: a da energia solar. Isto não significa negar experiências com o hidrogênio, já bastante avançadas. No caso brasileiro a questão nuclear coloca dois problemas interligados: segurança e preço. O Brasil foi capaz de erguer duas usinas nucleares. Mas o dinheiro não deu para as medidas adequadas de segurança. A rota de fuga em caso de acidente, a BR-101, vive bloqueada por barreiras, inclusive no momento em que escrevo o artigo. Inserido na crise mundial, o Brasil tem alguns recursos privilegiados. Mais de 90 por cento de nossa energia é produzida por hidroelétricas. Na substituição do petróleo, tanto o álcool como outros combustíveis de origem vegetal começam a serem adotados no mundo. Eles são também energia solar, uma vez que esta modalidade não se restringe ao uso das células fotovoltáicas. A própria energia dos ventos é solar embora já esteja sofrendo algumas transformações negativas, por causa do aquecimento global. O que o Brasil tem na frente como dilema é construir ou não a Usina Angra III. Os equipamentos estão aí e seu custo de armazenagem beira os US$ 20 milhões por ano. De novo, instala-se a divisão. Há os que consideram o nuclear estratégico e argumentam inclusive que não tem sentido perder o dinheiro da compra dos equipamentos e o de sua armazenagem. Algumas autoridades no campo energético, entre elas a ministro Dilma Roussef, consideram que o melhor seria empregar o dinheiro em outras formas de produção de energia. Daria mais retorno. Finalmente, há os que mencionam ainda os perigos e um esquema de segurança que não tem a verba necessária para ser eficaz. Se considerarmos o exemplo do país que nos vendeu a última usina, hesitaremos em colocar Angra III em funcionamento. A Alemanha decidiu abandonar a energia nuclear nos próximos anos e investe no solar como a fonte privilegiada dos novos tempos. Os elementos de decisão aqui são mais complexos, pois temos perspectivas sombrias para os próximos anos e investimos pouco em pesquisas. A existência de uma usina já paga e desmontada será sempre um grande
[01/DEZ/2005]
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