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Além do Fato: David Callaway
O mundo sem o Blackberry
[12/DEZ/2005]
A pergunta se torna freqüente entre executivos nos bares e festas dos Estados Unidos: você estava mais feliz antes de ter um Blackberry?
Até pouco tempo, era uma pergunta respondida com um sorriso envergonhado: “é, realmente o aparelho chateia quase todo mundo que conheço e me tornou um anti-social. Mas pelo menos estou sempre com minha caixa de e-mails atualizada”.
A verdade é que, se você é um dos quase cinco milhões de americanos viciados no Blackberry, nunca esperaria que um dia ele sumisse.
Essas pessoas estão acompanhando de perto a briga judicial por patentes entre a Research in Motion, fabricante do aparelho, e a NTP. Na última decisão, um juiz federal cancelou um acordo de US$ 450 milhões entre as empresas e determinou uma audiência para definir se o serviço do Blackberry deve ser suspendido nos EUA.
Muitos analistas acham que essa decisão resultará em mais um acordo. A Research in Motion também já declarou que se for forçada a interromper o serviço, lançará uma alternativa temporária para os clientes. E, por fim, não haverá falta de concorrentes dispostos a conquistar os executivos que descobrirem a tela preta em seus Blackberries.
Mas a possibilidade de que todos os viciados no crackberry, inclusive eu, tenham que voltar à idade da pedra dos programas de e-mail nos PCs de mesa traz cenários fascinantes.
Será que os funcionários de Wall Street ficariam mais tempo em frente dos seus computadores? E o governo federal? Isso seria uma boa idéia? Será que todos passaram a conversar mais entre si. Ou será que entraríamos num estado de mau humor tecnológico, como o que surge quando o servidor cai ou os crachás não funcionam?
Mais importante é saber o impacto no debate sobre o design inteligente. Depois de finalmente descobrirmos uma razão evolutiva para o porque de termos dedões, teremos que aceitar que a nova razão para a existência – mandar e-mails – é apenas uma falha no design maior de um ser superior. Seria igual a levar a democracia ao Iraque?
Enfim, é provavelmente um delírio. Mas acho que eu sei como o problema me impactaria.
Eu perco meu relógio de pulso a cada dois ou três anos, quando a pulseira de parte ou eu bato com ele em uma mesa e o relógio pára. Quando isso acontece, minha vida passa por uma transformação radical, já que perco a relação com o tempo.
Por algumas semanas, eu atravesso os dias me sentindo livre e sem o estresse de perder uma reunião ou evento. Continuo produtivo e no horário. Só não tenho o fator de tensão preso ao meu pulso. E isso faz muita diferença.
Então, alguém me dá um relógio novo e sou puxado novamente para a corrida.
Aqui está a resposta. Como viciados em comunicação e informação, pulamos pela revolução tecnológica de aparelho em aparelho, com velocidade crescente. E isso acontece achando que estamos melhorando a produtividade, quando simplesmente nos prendemos cada vez mais a uma rotina de trabalho de 24 horas.
Por isso, vossa senhoria, eu peço: desligue todos os Blackberries. Liberte as pessoas desses aparelhos de bolso escravizadores. Mas, por favor, não nos prive dos celulares...
Dow Jones Newswires
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