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O cinema ao seu alcance
'The movies' mistura simulação de Hollywood com criador esperto de filmes e comunidade online
Marcelo Nóbrega
O canadense Peter Molyneux é considerado o criador dos God games, em que o jogador tem poder para influenciar o cenário a sua volta e seus habitantes. Em The movies, sua última investida, o escopo foi reduzido para uma empreitada divertida, a criação de um estúdio de cinema.
Fãs de The sims se sentirão à vontade no game. A aventura começa no início do século, quando o cinema desponta para se tornar o mercado bilionário de hoje. Mas o jogo tem outra parte, inédita na diversão eletrônica. The movies apresenta a interface Sandbox para a ''machinima'', como é conhecida a produção de cinema usando jogos de computador. Embora esteja vinculada à aventura, é possível criar, editar e distribuir os filmes na internet no formato WMV sem passar pela simulação. O game conta com a comunidade estabelecida na homepage oficial para a troca de vídeos. Com a evolução do estúdio, o jogador passa a ter ferramentas mais elaboradas para a pós-produção dos filmes, com a possibilidade de corte, inserção de trilha sonora e cortes avançados. Depois de contratar seus faxineiros, construtores, extras, atores e diretores, de construir seu primeiro set e criar o roteiro, é hora de rodar o filme. O processo é automático mas o usuário pode intervir a qualquer momento numa cena, tornando-a mais intensa, mudando o cenário e até seu desfecho. Levando em conta o gênero da película, é possível influenciar seu resultado final, que renderá melhores críticas e bilheteria. Uma linha do tempo apresenta eventos importantes à frente, como premiações e acontecimentos gerais, que elevam o interesse do público em um determinado tipo de filme. É preciso calcular o tempo necessário para escrever o roteiro, ensaiar as cenas e gravar a obra para lançá-la a tempo do sucesso. No início, a administração do estúdio parece tarefa fácil, principalmente a quem já experimentou o gerenciamento de parques de diversão, academias de ginástica ou cidades em games semelhantes. Mas à medida que o complexo cresce, o jogador se vê no limite entre a diversão e a frustração, pela lista extensa de variáveis a controlar. Atores e diretores precisam ser mimados com trailers e assistentes exclusivos, além de ensaios freqüentes e relações especiais entre si. O terreno construído tem que ser decorado para acabar com a monotonia e o gerente do estúdio deve acompanhar a evolução tecnológica, adquirir pesquisadores, novos sets e técnicas. Quando a linha de montagem da diversão cinematográfica passa a funcionar a todo vapor, é preciso atenção a tudo o que acontece no complexo. Felizmente, The movies conta com um bom assistente, que informa o jogador sobre os problemas urgentes. Outra ajuda são as linhas contextuais que aparecem ao manipular um dos elementos do estúdio, informando quais funções eles podem ativar. A mesma complexidade da simulação, que pode afastar o jogador, é o seu ponto forte. Aos poucos fica claro que os elementos do jogo estão bem interligados, apresentando desafios cada vez maiores. Como estrelas de cinema, seus atores são sensíveis e podem cair em depressão, recorrendo à bebida e acabando em uma clínica de reabilitação. Mas o álcool pode ser um fator positivo se o jogador aproveitar a bebedeira para a foto do ano pelo paparazzi de plantão. Mesmo as estrelas se estressam...
[12/DEZ/2005]
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