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Entrevista: Tom Healy
A pesquisa em evidência
Marcela Canavarro
A Microsoft, maior empresa de software do mundo, busca o apoio das universidades para desenvolver tecnologias adaptadas à cultura de cada país e estimular seu programa de inclusão digital. O Microsoft Research, braço de pesquisa da empresa, existe desde 1981, quando começou nos Estados Unidos. Há cinco anos, o projeto se estendeu para a América Latina e, no Brasil, está presente em centros acadêmicos de excelência, como USP, Unicamp e PUC-Rio. Com programas de bolsa para mestrado e doutorado, estágios para graduação, financiamentos para laboratórios de pesquisa e treinamentos em Redmond, EUA, na sede da empresa, o projeto pretende ''avançar o estado da arte da tecnologia'', como explica o gerente de Programas e Pesquisas Externas da Microsoft, Tom Healy, em entrevista exclusiva para o JB. Os interessados em apresentar projetos podem acessar as informações no site da Microsoft.
http://research.microsoft.com/us/us/fundingopps/RFPs/digitalinclusion_2005_RFP.aspx
Como é a pesquisa e desenvolvimento nas universidades brasileiras? – Visitei universidades da China, Europa e EUA e posso dizer que o nível de pesquisa e entusiasmo em universidades como PUC, Unicamp e USP é de nível mundial. O estágio que a tecnologia está quando o aluno entra na faculdade é muito diferente de quando ele sai. A pesquisa tem que avançar também. É desafiador inovar. Se não fosse, qualquer um faria. Quais são os programas de inclusão digital desenvolvidos pela Microsoft? – Falamos sobre tecnologia. Para nós é normal ter acesso a esses dispositivos, mas não o é para 80% das pessoas do mundo. Direcionamos a pesquisa para alguns desafios como “por que essa tecnologia não está disponível para todas as pessoas? Vemos alguns desafios, como banda larga, por exemplo, que não é uma realidade em muitos lugares do mundo. Aparelhos como PC e celular, por exemplo, são caros. Como eles vão evoluir para que estejam disponíveis para outros grupos de pessoas? A forma como nós apresentamos essa interação do ser humano com o computador influencia, por exemplo, na forma como um analfabeto vai interagir com a tecnologia. A Microsoft não produz esses dispositivos. Até que ponto podem influenciar neste aspecto? – O objetivo é colocar conhecimento novo para mostrar novos caminhos para criar produtos. Trabalhamos para isso no mundo acadêmico mundial. A Microsoft já tem exemplos de iniciativas nesse sentido? – Ainda não. Estamos recebendo propostas até janeiro para fazer a seleção em fevereiro. Em seis a 12 meses, os pesquisadores devem começar a anunciar o resultados para colocar em domínio público. Qual é o retorno econômico desse programa para a Microsoft? – É uma pergunta difícil. Como pesquisador, mantenho o foco nos resultados positivos na vida das pessoas. Pessoalmente, penso que podemos fazer diferença. Estamos em um momento de maior preocupação com a inclusão digital? – É um momento singular na história. As pessoas começam a perceber que a tecnologia trouxe benefícios sócio-econômicos que devem ser ampliados. As universidades brasileiras, mesmo as públicas, são, de modo geral, elitistas. Existe alguma iniciativa para utilizar o desenvolvimento tecnológico gerado no programa para a inclusão digital? – Esta é uma questão relevante em todo o mundo. Queremos estimular colaborações entre a universidade e as ONGs, para levar o resultado dos estudos para trabalhos de campo com as comunidades. A Microsoft pretende estimular a presença de ONGs nos projetos do Brasil? – O documento para solicitar os recursos indica a possibilidade de projetos que ligam as universidades a ONGs e estabelece os critérios de seleção. Um dos que alavanca o projeto é ter o trabalho ligado a essas organizações. Como está a pesquisa nas instituições brasileiras em comparação com concorrentes tecnológicos como Índia e China? – Tem um ditado americano que diz que a maré que sobe levanta todos os barcos. Se levantarmos uma tecnologia será benéfico para todos. Cada região tem seus pontos fortes e tem que os aproveitar. A Índia investe nisso desde os anos 60. A China está fazendo coisas interessantes e aproveitando sua capacidade humana, pois tem um número grande de engenheiros. Cada geografia tem seu ponto forte: o Brasil é um centro de biodiversidade. Será que vocês podem capitalizar isso? Quais são as deficiências brasileiras? – Não há uma resposta imediata. Isso nos remonta ao papel da pesquisa, catalisadora para aumentar o entendimento de como as pessoas aprendem e quais os benefícios do desenvolvimento. Talvez se resuma ao ponto de qual é o valor da pesquisa, uma questão mundial. Vocês pretendem incluir programas voltados para a pesquisa em TV Digital? – Seria interessante ter esse tipo de pesquisa relacionada à inclusão digital no Brasil.
[12/DEZ/2005]
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