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Diversão com qualidade

Com bom enredo, realismo gráfico, ação de sobra e o melhor da inteligência artificial, 'Fear' é um dos melhores jogos de 2005

Marcelo Nóbrega

Em raros momentos, a indústria cultural consegue unir características que tornam um produto superior. No caso dos filmes, um bom roteiro, fotografia e direção, além de atuações impecáveis, tornam uma película inesquecível. Os jogos eletrônicos, que se aproximam do cinema em passos largos, têm um candidato a essa conjunção: Fear.

O game de tiro em primeira pessoa da Monolith cerca o jogador com um dos melhores roteiros da história da diversão eletrônica, gráficos e som impecáveis e a inteligência artificial mais apurada até agora. Fica difícil não se atirar na experiência do jogo, que conta a história de um experimento militar que sai muito errado.

O jogador é um soldado de um pelotão especial (Fear) especializado em lidar com o paranormal. Ele é chamado quando Paxton Fettel, um comandante com qualidades psíquicas, foge ao controle. Ele é a cobaia do teste secreto e também líder de um exército de clones, que junto com ele devem ser combatidos.

O combatente começa o jogo sabendo pouco. Esse é um dos triunfos de Fear, ao apresentar devagar detalhes sobre a experiência secreta. Para complicar, o jogador tem visões aterrorizantes de Fettel e de uma misteriosa menina.

O personagem também tem sua porção sobrenatural, ao usar o SlowMo, que por alguns instantes freia o tempo e permite atingir inimigos em série ou escapar de situações perigosas. O soltado tem um arsenal à disposição, mas só pode usar três armas ao mesmo tempo. Além do combate com armas, é possível se aproximar sorrateiramente e golpear os inimigos com socos e pontapés.

Grande parte da aventura, dividida em 11 seções, se dá dentro de prédios. O jogador tem que aprender a se movimentar devagar, aproveitando o cenário para cobertura.

É possível ouvir a comunicação dos inimigos, que oferece pistas do que pretendem fazer. A inteligência artificial de Fear surpreende mesmo o jogador acostumado com games do gênero. É impressionante ver os adversários descendo pelo cenário para encontrar o melhor ponto de tiro, lançando granadas para forçar a saída de um esconderijo ou até derrubando mesas para se abrigar. Os tiroteios são ferozes e lembram o melhor do cinema de ação. Para maior realismo, o cenário reflete o impacto das balas, com buracos nas paredes, vidros quebrados e sangue.

O som do game é impecável, com destaque para a música que chega em pitadas e aumenta a sensação de terror. Os diálogos entre os inimigos se repetem, mas variam o suficiente para não cansar.

Fear, no entanto, exige do computador para apresentar o realismo. No micro testado, um Pentium 4 com 2,6 GHz, 1 GB de RAM e placa de vídeo GeForce 6800 GT, o jogo rodou bem na resolução 1024 x 768 com todos os efeitos ativados.

E se a diversão offline não bastar, o jogo tem um modo multiplayer eficiente, que adapta as características do popular Counter-strike.


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[05/DEZ/2005]


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