A maior briga da Microsoft é na internet

Além do Fato / Serviços na web

Chris Reiter

[05/DEZ/2005]

A Microsoft desviou do seu caminho para mostrar que aceita o desafio de desenvolver softwares baseados na web. A criação de serviços na internet para Windows e Office, o memorando enviado por Bill Gates à empresa incentivando ao ataque à web e a reorganização que junta as divisões do Windows e do MSN certificam o novo foco da Microsoft.

Mas a empresa já perdeu uma briga importante nesse espaço. Em vez do Windows, o Linux é a plataforma de escolha para os vendedores de software por demanda. Empresas que incluem a rival Google e outras iniciantes como a WebEx, RightNow e Taleo optaram pelo código aberto. A escolha reflete a confluência de duas tendências da indústria: softwares na web e open source. Combinadas, elas ameaçam o papel da Microsoft no mundo da computação.

Os serviços de programas baseados na web são conhecidos também como softwares como serviço ou por demanda. Eles refletem o que muitos acham ser uma mudança de paradigma na computação similar ao advento do desktop e à marginalização do mainframe. Ela pode ter efeito semelhante para a Microsoft, que domina o micro de mesa, na medida em que o poder de computação é acessado pela internet e o computador passa a ser apenas um meio para chegar aos serviços. Embora essa mudança esteja na infância, a importância do software por demanda deve crescer rápido. A empresa de pesquisa IDC estima que 1,5% do total gasto com programas em 2004 foi em soluções pela web. Em 2009, esse valor chegará a 3,8%.

Mas o impacto no mercado é maior do que os números mostram. O analista do IDC, Erin Traudt, diz que a penetração é mal representada pelos valores porque normalmente os serviços pela web são mais baratos e a receita é espalhada pelo tempo. No software tradicional, o dinheiro chega em grandes pagamentos antecipados.

Embora o Linux seja gratuito para instalar na sua forma pura, o preço não é a razão principal para a adoção do software por demanda, mas sim a performance e a possibilidade de alterar o código. Essa última razão é mais difícil para a Microsoft combater.

A possibilidade de reescrever partes do Linux para acelerar o processamento é crucial. O controle também tem sido citado pelo Google como a razão para adotar o Linux. Mas mesmo as versões sem modificação do software são vistas como mais adequadas para os softwares por demanda, pela resposta rápida.

A CrownPeak oferece gerenciamento de sites pela web e é uma rara exceção, desenvolvendo os programas no Windows. Jim Howard, presidente da empresa, diz que deve mudar o sistema de busca para Linux em breve, por causa da melhor performance.

A Taleo, que oferece um sistema de recrutamento e gerenciamento de funcionários, começou a migração para o Linux no início de 2005, de versões do Unix.

Brad Benson, vice-presidente executivo explica que o Linux já cortou os custos pela metade, mantendo a performance.

Experiências como essas colocam pressão na Microsoft, que tem que responder para defender sua posição de liderança.

“Está claro que a empresa sabe da necessidade do software como serviço. Mas ainda é incerto em qual velocidade a Microsoft responderá e até onde poderá chegar”, diz Rick Sherlund em um relatório recente da Goldman Sachs, que tem relação de investimento com a empresa de Bill Gates.

Mas os investidores parecem dar crédito à Microsoft. Desde o começo de novembro, quando o Windows e Office Live foram apresentados, as ações da empresa subiram.

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