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Brasil testa evolução do vídeo

Tecnologia de compressão de dados H264 para TV digital pode desbancar MPEG2

Marcela Canavarro

Tecnologia recente de compactação de dados, o padrão H264 é estudado pelo consórcio do Sistema Brasileiro de TV Digital e concorre com o já tradicional MPEG2 para compor a caixinha de imagens dos brasileiros. O grupo de estudos do padrão destaca que suas vantagens são determinantes para que desbanque o concorrente.

Entre as características estão taxas de compressão duas a três vezes maior, o que exige menor uso de banda, e o fato de ser uma tecnologia mais recente.

Enquanto o padrão MPEG2 foi concluído em 1994, o H264 foi proposto em 1998, surgiu em 2003 e foi finalizado em março deste ano. O desenvolvimento foi de um grupo de estudos da União Internacional das Telecomunicações (UIT), que reúne centenas de empresas e universidades.

- É uma excelente opção para o Brasil - enfatiza o professor da Coppe e da Escola Politécnica da UFRJ e coordenador de Software dos estudos do H264, Eduardo Barros.

A tecnologia de compressão de dados é primordial para a implementação da TV digital, já que a migração do analógico para o digital implica em um aumento exponencial da quantidade de informações trafegadas pelo aparelho.

Colocando em números: o H264 é capaz de comprimir em até 100 vezes os dados transmitidos. Assim, na mesma faixa de freqüência em que cabia um canal analógico, podem ser incluídos de dois a três novos canais em alta definição ou de oito a 12 em qualidade semelhante à analógica. Uma das grandes vantagens é poder combinar canais em alta e baixa definição para aproveitar melhor o espectro.

Por ser uma tecnologia recente, a adoção no mundo ainda é incipiente: o Japão usa o padrão para transmissões móveis, a França anunciou que vai utilizá-lo em seu modelo de TV Digital e os sucessores do DVD, o HD-DVD e o Blu-Ray, vão suportar o formato. Os aparelhos que já são comercializados, no entanto, usam o padrão predominante no mundo, o MPEG2.

- Os países que já implementaram a TV Digital com o MPEG2 devem migrar para tecnologias mais recentes em 10 ou 20 anos. O Brasil pode se colocar na vanguarda do mundo - afirma Barros.

No relatório que será entregue ao Ministério das Comunicações, no dia 10 de dezembro, o grupo de estudos do padrão recomendará a adoção do H264 e especificará os parâmetros de uso em baixa e alta definição, além das condições de fabricação de codificadores e decodificadores.

- Não há implicações relevantes no processo fabril do H264 em relação ao MPEG2 - adianta o professor de Engenharia Elétrica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e responsável pela parte de hardware do estudo, Altamiro Susin.

Este fator é relevante, uma vez que o projeto de TV digital brasileiro inclui uma política industrial de estímulo à produção de software, hardware e conteúdo nacionais.

De acordo com os acadêmicos envolvidos no estudo, não há riscos do Brasil ficar desabastecido de equipamentos com a adoção do padrão ou de ter dificuldades para exportar as tecnologias desenvolvidas no projeto.

Com uma tecnologia mais complexa que o do MPEG2, o H264 exige mais cálculos matemáticos e, portanto, processadores mais potentes. O segredo da maior compactação está em reconhecer redundâncias espaciais e temporais.

É o caso de duas imagens seguidas muito semelhantes, que são lidas como uma só. Outro fator é a percepção de que uma pessoa parada, por exemplo, pode ser transmitida por algum tempo como uma única imagem. Isso sem perder qualidade.

- Nos testes subjetivos feitos aqui no IME, a percepção do H264 foi mais agradável do que a do MPEG2 - afirma a pesquisadora do Instituto Militar de Engenharia (IME), Carla Pagliari.


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[05/DEZ/2005]


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