Conheça a 'folksonomy', classificação de informações públicas na Rede por usuários
O que têm em comum o site de compartilhamento de fotos
Flickr, os gerenciadores de favoritos
Delicious e
Stumble Upon, a ferramenta de busca de blogs
Technorati e o serviço de e-mail
Gmail, do Google? Além de fazerem um enorme sucesso, eles se valem de
tags (etiquetas, na tradução literal) para permitir que os usuários organizem por conta própria seu conteúdo, seja ele qual for.
- Estas ferramentas oportunizam a classificação colaborativa da informação. É o povo entrando na seara dos profissionais e organizando a web de baixo para cima - explica a pesquisadora Suzana Gutierrez, do Núcleo de Estudos, Experiências e Pesquisas em Trabalho, Movimentos Sociais e Educação da UFRGS.
A prática de ''taguear'' sites, fotos, e-mails e posts de blogs - também conhecida como folksonomy - tem sido encarada por muitos como uma solução para o dilúvio de informação, pois torna a própria comunidade responsável pela classificação desses dados - algo que seria impossível até para um exército de bibliotecários experientes e impreciso se deixado a cargo de sistemas automatizados.
- Folksonomy ou, abrasileirando, gentonomia (ou taxonomia popular) é a categorização ou classificação de informações feita por pessoas comuns usando palavras-chave (tags). Seria o mesmo que a taxonomia realizada por profissionais. Estas tags são dados sobre dados, ou seja, metadados que auxiliam a organizar a informação - diz Suzana.
O termo folksonomy é um neologismo atribuído ao arquiteto da informação Thomas Vander Wal e construído a partir da junção das palavras folk (pessoa) e taxonomy (taxonomia, a ciência da classificação). Dos exemplos citados acima, apenas o Gmail não se enquadra totalmente na definição de folksonomy, pois a classificação das mensagens não é compartilhada entre os usuários.
Um dos pioneiros das tags é o Del.icio.us, comentado no caderno na edição de 3 de janeiro, que permite que os internautas vejam os sites preferidos uns dos outros e procurem conteúdo relacionado ao que escolheram baseado nas tags usadas para classificar cada uma das páginas.
- Taguear aproxima interesses e facilita a localização de informações. Tenho marcado algumas informações no meu blog pessoal e no blog colaborativo Vamos Blogar? usando o Technoratti para ver no que dá - conta Suzana.
Usuário de sites como StumbleUpon e AudioScrobbler, o publicitário Bruno Alves, 22 anos, se orgulha de achados como o Harlem.org, site especializado em jazz, com rico acervo de músicos, instrumentos e fotos para os amantes desse gênero musical.
- Quando sei exatamente o que buscar, uso o Google. Já esse tipo de site é uma espécie de brincadeira, em que dá para procurar algo que você não conhece. Isso tem muito a ver com a bagunça da internet - comenta Bruno.
De fato, as tags promovem uma organização natural do caos do mundo virtual, feita pelos próprios usuários. Ao utilizar a já tradicional linguagem de hiperlinks da internet, a prática cria verdadeiras redes sociais de compartilhamento de informações.
- O perfil dos usuários é basicamente de pessoas que passam muito tempo na internet em busca de entretenimento ou informação e querem ser surpreendidas. É como no rádio, você nunca sabe o que vai encontrar - acredita Bruno.
Se compartilhamento é a palavra de ordem, outra questão se impõe no mundo digital: a segurança. Quem se cadastra neste tipo de site deve ter em mente que um sistema de organização alimentado tão livremente requer cuidados especiais. Além da estrutura básica de segurança do PC, com antivírus atualizado e firewall, os usuários contam com mecanismos próprios dos sites, como o report spam, com o qual a comunidade linkada através de tags pode se comunicar e regular o que circula. Alguns sites também possuem filtros para códigos maliciosos.
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