Parece não haver limite para a demanda por espaço de armazenamento em dispositivos portáteis como PDAs e MP3 players e os fabricantes não perdem tempo em atendê-la. Um exemplo é a PalmOne, que confirmou os rumores que circulavam há semanas nos sites especializados e anunciou, na quarta-feira, as especificações do gerenciador pessoal LifeDrive, já à venda no site da empresa por US$ 499. O PDA é o primeiro do mercado americano com um disco rígido embutido, o mesmo microdrive Hitachi de 4 GB usado em MP3 players como o Muvo, da Creative, e o iPod Mini, da Apple. O disquinho tem mais de 30 vezes a capacidade de memória do melhor dos Palms comercializados até então, mas também consome mais energia.
A proposta da PalmOne com o aparelho é justamente integrar as funções de PDA - com suporte a arquivos de Word, Excel e Powerpoint através do Documents To Go - e reprodutor de mídia, tanto aúdio MP3 quanto vídeos e fotos digitais. Compreensível se considerarmos que os computadores de mão estão em queda, enquanto MP3 players, câmeras digitais e smartphones não param de crescer.
Embora o LifeDrive não tenha câmera nem função de telefone, o produto tem uma série de recursos que o tornam um bom complemento para esses dispositivos, como a entrada para cartões de memória SD e a conectividade Bluetooth, além da comunicação WiFi no padrão 802.11b. O novo Palm tem processador Intel XScale de 416 MHz, tela de 320 x 480 pixels e 65 mil cores, 16 MB de ROM e 64 MB de memória para instalação de programas, que não podem ser executados do HD.
Se depender do avanço da ciência, no entanto, a capacidade do LifeDrive logo terá que ser atualizada. Pouco mais de um mês depois da Hitachi anunciar o desenvolvimento da técnica de gravação perpendicular, que permite o aumento da capacidade dos discos rígidos miniatura, a rival Toshiba surpreendeu o mercado japonês com o lançamento da nova linha de MP3 players Gigabeat baseada em discos de até 60 GB com a tal tecnologia. Por enquanto não há previsão de venda dos aparelhos fora do Japão.
A divisão de discos rígidos da Hitachi havia anunciado, no início de abril, que seus pesquisadores finalmente tinham obtido sucesso no desenvolvimento da chamada gravação perpendicular, uma mudança radical na forma como os HDs vêm sendo construídos nos últimos 50 anos. A empresa criou até uma sensacional animação para explicar o funcionamento do sistema, em www.hitachigst.com/hdd/research/recording_head/pr/PerpendicularAnimation.html, mas perdeu a corrida para o mercado: os produtos da Hitachi baseados em gravação perpendicular tiveram sua estréia comercial prevista para 2007.
A tecnologia, que alinha os bits de dados verticalmente sobre a superfície do disco, elimina o problema do superparamagnetismo, efeito que aparece quando as partículas magnéticas - dispostas horizontalmente - ficam tão pequenas que acabam afetando umas às outras. A gravação perpendicular permite a construção de discos muito mais densos.