Quinta-feira, 1 de Novembro de 2001
A realidade tem o seu preço

ALEXANDRE BOTÃO

Daqui a uns oito anos, lá pelo Fifa 2010, os fãs do jogo, além de disputar as partidas dentro de campo, terão de driblar problemas de relacionamento do time, apaziguar notícias sobre noitadas em boate e contornar greve de jogadores sem salário. A cada ano o jogo fica mais real. E, claro, mais difícil.

A versão 2002 é, definitivamente, um desafio para iniciados. O número de dribles para ultrapassar um adversário está limitado (como limitado anda o nosso futebol), os passes e lançamentos, agora, têm de ser precisos. Encher o pé (no caso, o dedo) em uma das teclas do computador significa passar o constrangimento de ver a bola desaparecer pela lateral do campo.

As mudanças significativas na nova versão começam justamente onde o futebol brasileiro pena mais: o passe. No mundo virtual do Fifa 2001 os jogadores eram quase perfeitos. O passe saía certinho, rasteiro ou pelo alto, em direção ao companheiro desmarcado. Na nova edição, a potência dos passes é controlada pelo usuário, com uma barra que fica no inferior da tela.

Mais grave: acabou o cruzamento automático e o jogador precisa virar o corpo para centrar a bola na área. Acertar esse lance é um exercício que causa dores físicas.

Inexistente nas versões anteriores e apresentado como a grande novidade do Fifa 2002, o deslocamento de jogadores facilita a vida de quem precisa furar uma retranca. A letra ''Q'' do teclado aciona um jogador do seu time para que ele fuja da marcação e esteja livre para receber a bola mais adiante.

Outro advento especial deste Fifa é a tabelinha. A barra de espaço permite que um jogador toque a bola curta para outro e receba-a mais à frente, melhor colocado. Anda meio raro no futebol real e, até por isso, fica sensacional no monitor, quando executado com perfeição.

Depois de muito tempo, finalmente, a EA Sports deu um jeito no goleiro do Fifa, que era, de longe, a peça mais mecânica num jogo que se apresenta como realidade virtual. O goleiro agora é mais ágil, responde melhor aos comandos do usuário e repõe a bola em jogo com mais rapidez. Continua sem tomar ''frangos'', mas a inclusão dessa ''falha'' deve ficar para 2003.

Na composição do jogador foram anunciadas grandes modificações ao longo de 2001, mas poucas realmente foram parar na caixinha do jogo. Pela primeira vez, há diferença de altura dos atletas e de habilidade nos pés (destros e canhotos). Falando em pés, uma nova bossa foi adicionada para quem usa o Fifa para brincar de estilista: as chuteiras podem ter até 40 combinações de cores diferentes.

Assim como no futebol brasileiro, fora de campo, infelizmente, o que já era ruim piorou. Ficou impossível, por exemplo, duas pessoas disputarem um campeonato revezando-se na frente do PC - quem quiser brincar com um amigo que compre outro CD e vá para a internet. Também continuam ruins a flexibilidade para se criar campeonatos e as pesquisas dos nomes dos atletas. Nesse aspecto, casos, como o da Seleção Brasileira, chegam a irritar.

O Fifa continua impondo ao usuário a Seleção que ele escala (mudar o nome de um jogador na Seleção implica mudar o nome dele no resto do jogo). Nesse caso, a EA Sports deveria recorrer a uma versão bem mais antiga do jogo: no Fifa Soccer 97 cada um podia escalar e atualizar sua própria seleção. Enquanto evoluiu em alguns quesitos, outros velhos problemas do Fifa continuam presentes.

Anterior Próxima



E-MAILS E TELEFONES :: EXPEDIENTE
Copyright© 1995, 2001 ,Jornal do Brasil, Primeiro Jornal Brasileiro na Internet

 
Versão para imprimir   Enviar por e-mail
 
 

C O L U N A S

Solucionática