Fifa 2002, novo jogo da série, traz mais realismo e liberdade para executar passes e lançamentos fiéis ao esporte real
Todos os anos, os peladeiros do computador batem ponto para conseguir a nova versão da série Fifa, da Electronic Arts. Já consagrada como o melhor game de futebol para PC, a cada nova edição, o jogo consegue ser um pouco melhor. Em
Fifa 2002, recém-chegado às lojas brasileiras, o título deu um salto, e vai exigir mais dos dedos e da mente do usuário para ganhar.
Quem passou noites em claro jogando Fifa 2001 e os games anteriores sabe que sempre há um jeitinho para fazer gols e enganar o computador. No 2001, era só cruzar a bola dentro da área e pronto - uma cabeçada para o chão era um tento quase certo. Agora, a ajuda para os lançamentos foi eliminada.
Embora possa parecer uma involução, o fim do auxílio automático do computador inaugura uma nova etapa na série Fifa. Na versão 2002, o ciberpeladeiro passa a ter controle quase total dos movimentos do time, podendo definir a intensidade e direção dos chutes, passes e lançamentos, além de determinar a estratégia dos jogadores, enquanto a partida está em andamento.
É possível fazer com que jogadores corram em espaços livres, para receber os passes. E com apenas um toque na barra de espaço, conseguir tabelinhas (1-2). E mesmo conseguindo bons passes, não é garantido que o parceiro os receba bem - como no futebol real, a distância entre os dois homens define a força do toque na bola.
Usuários atentos vão perceber uma diminuição da velocidade das partidas. O ritmo no Fifa 2001 e anteriores era sobre-humano e não representava o que acontece no campo real.
Fifa 2002 inclui vários torneios e campeonatos. O Troféu EFA, a Copa dos Campeões e as eliminatórias para a próxima Copa do Mundo. Pelo menos no computador, será possível tentar um desempenho melhor que o da seleção canarinho. De acordo com a atuação do time, torneios bônus são desbloqueados.
O jogo tem 13 equipes brasileiras: Atlético Mineiro, Cruzeiro, Grêmio, Internacional, Flamengo, Fluminense, Botafogo, Vasco, Corinthians, Santos, Bahia, Vitória e Atlético Paranaense. Ficaram de fora times tradicionais como o São Paulo e o Palmeiras, mas seus torcedores/micreiros vão ter apenas um pouco de trabalho para incluí-los no game. O Centro de Criação do Fifa 2002 é ótimo para editar equipes e jogadores, mudando os uniformes e a aparência dos craques.
Olho no lance - Os gráficos ficaram ainda melhores. A EA aperfeiçoou as fisionomias dos jogadores e sua dinâmica - agora parecem mais verdadeiros. Os bandeirinhas correm ao longo do campo e o técnico está lá, passando informações para o time. Os replays agora incluem faltas e impedimentos, além dos gols. Efeitos gráficos lembram as transmissões de TV, com as imagens voando pela tela para apresentar a repetição de um lance. E entusiasma ver a torcida, com melhores efeitos de animação, se movimentando na arquibancada.
Tradicionalmente, os jogos Fifa apresentam grandes músicas como carros-chefes do game. Já passaram pelo jogo Moby, Fatboy Slim e Blur. Desta vez, o trono é ocupado pelo Gorillaz, com a música 19/2000, a última do seu CD. Dentro do game, a trilha sonora é a música eletrônica do selo Ministry of Sound, da Inglaterra. Imperdível.
Os efeitos sonoros também estão mais realistas e dá para perceber claramente a gritaria de 30 mil pessoas no estádio. O ponto negativo sobra para a narração de Milton Leite, de uma empolgação funérea. Fifa 2002 merecia mais - até a narração inglesa é melhor que a brasileira, conhecida como uma das mais animadas do mundo no futebol de verdade.