A tecla F7, para quem (ainda) não conhece, é o atalho para ativar o corretor ortográfico do Microsoft Word, o programa de edição de textos mais usado no mundo. Para quem se garante nos quesitos ortografia e gramática, o corretor automático é um chato que fica sublinhando, em verde ou vermelho (conforme o caso), nomes de pessoas, palavras que não estão no dicionário e erros que não existem - como segue regras rígidas, muitas vezes ele aponta como erro formas que na verdade são opcionais ou licenças poéticas.
Mas, para os usuários não tão craques em português, o corretor é a salvação, é aquele que impede que se entregue ao chefe um relatório cheio de erros ortográficos constrangedores. Basta apertar F7 e abre-se uma janelinha mágica, que vai apontando possíveis erros e oferecendo soluções.
Assim, formou-se uma verdadeira legião de viciados em F7. Indiferentes à discussão sobre qual é o melhor dicionário, eles dispensam cuidados ao digitar e não se preocupam com a ortografia. O relaxamento pode chegar ao ponto de a pessoa repetir o mesmo erro diversas vezes, ignorando a possibilidade de aprender a grafia correta. Foi o que percebeu, há três anos, a avó do então adolescente Leandro de Almeida Camargo. Dona Elza ditava um texto e alertava quando o rapaz cometia um erro. Mas ele reagia: ''Tudo bem, vó, o computador corrige depois''. Com esse argumento, o rapaz se permitiu digitar os mesmos erros várias vezes.
Então, criou juízo e hoje é um ex-dependente. Estudante de administração e estagiário do Banespa de Petrópolis, Leandro conta que tira suas dúvidas no dicionário e matriculou-se num curso de digitação. ''O mercado de trabalho exige que se escreva corretamente, e eu pretendo acompanhar o mercado'', explica.