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Do blog para a revista
[18/OUT/2003]
Com idéias sobrando e dinheiro faltando para produzir uma revista, os criadores do Paralelos escolheram para a apresentar o projeto justamente a Casa da Palavra, que não costuma publicar literatura contemporânea.
- O que nos atraiu foi a identificação da editora com a história do Rio de Janeiro. Nosso caso é quase um saudosismo literário - justifica Augusto Sales.
Alvo escolhido, o próximo passo era marcar a primeira reunião.
- Os meninos me ligaram dizendo que tinham me escolhido - lembra a editora Martha Ribas, que ficou impressionada com o que viu e resolveu bancar a revista.
Nas conversas que se seguiram, o entusiasmo de Martha só cresceu.
- Eles são muitos simpáticos e o material é muito profissional. Sempre me perguntei por que o Rio não tinha uma prosa atual. Sou um pouco bairrista nesse aspecto - brinca a editora, que desde então se tornou uma ávida leitora de blogs.
Ciente de que a divulgação dos textos é a melhor maneira de fixar o nome dos novos autores, Martha ajudou também a imprimir os pequenos folhetos que estão sendo distribuídos no evento, com oito minicontos de 300 toques.
Prova de que o Paralelos não representa uma disputa entre Rio e São Paulo é o apoio que vem do outro lado da ponte aérea.
O escritor Nelson de Oliveira, organizador da revista PS:SP - que reúne alguns dos melhores nomes da produção paulista recente -, comemora a chegada de uma nova publicação.
- No último século, todos os grupos literários importantes surgiram com uma revista, vide a Antropofagia de Oswald de Andrade, e a Klaxon, dos modernistas. Hoje sinto falta de revistas de prosa - comenta Oliveira.
O escritor acredita no potencial dos cariocas e vê a internet com bons olhos.
- Dos blogs tem surgido muita qualidade. Encontro ali muito desprendimento e bom humor - avalia.
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