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Rio de cinco séculos
Rose Esquenazi
A origem das ruas, o caminho do gás, as riquezas naturais da Baía de Guanabara, a magia da luz elétrica, a alegria do carnaval... Os inúmeros livros de luxo sobre o Rio que enfeitam as charmosas livrarias têm algo em comum: a maioria deles foi feita no Arquivo Geral da Cidade, que reúne milhares de registros e documentos, fotos, publicações, revistas, mapas sobre a fantástica história do Rio de Janeiro. Endereço corriqueiro para pesquisadores de todo o país - e até do mundo, através da internet - o Arquivo também é visitado pelo público leigo que desconhece a longa trajetória de uma das mais antigas instituições brasileiras.
Fundado em 1567, época da reconstrução da cidade por Mem de Sá, no Morro do Castelo, o Arquivo segue uma tradição portuguesa de guarda de documentação. De lá para cá muita coisa mudou. Depois de algumas mudanças de endereço - ocupou as duas sedes do Paço Municipal - o Arquivo sossegou na Cidade Nova, em 1979, em um prédio construído para exercer as funções de preservação e, cada vez mais, aquisição de acervos. A diretora Beatriz Kushnir comemora a nova era. Todas as 15 mil imagens do fotógrafo Augusto Malta (1864-1957) estão sendo digitalizadas e serão disponibilizadas em um portal. Contratado pelo prefeito Pereira Passos, Augusto era um trabalhador incansável e registrou as grandes mudanças pelas quais a cidade estava passando. - É imensa a importância da renovação do acervo do Arquivo Geral da Cidade. E vem ocorrendo sobretudo nos últimos cinco anos, já tendo acontecido algumas vezes de eu mesmo comparecer a leilões para adquirir peças de grande valor - festeja o secretário das Culturas Ricardo Macieira. Outras boas notícias já podem ser anunciadas. Já está disponível, desde a semana passada, através do site www.rio.rj.gov.br/arquivo, um livro esgotado e muito requisitado: Memória da destruição, sobre as mudanças ocorridas no Rio. Todos os livros publicados pelos selos da casa, Biblioteca Carioca e Memória Carioca, estarão acessíveis em breve. - Temos aqui também o maior acervo da imprensa alternativa, incluindo alguns originais. Os do jornal Movimento estão riscados pelos censores. Era a famosa giletepress, que censurava tudo - revela Beatriz. O Arquivo também oferece ao público uma série de atividades. Da exposição de fotos da Avenida Central no hall da Av. Amoroso Lima, a palestras com escritores, concertos musicais e exibição de filmes, como a recém-terminada mostra É tudo verdade. A confiança entre os doadores vem aumentando. Recentemente, a família do professor de História Manoel Maurício, perseguido pela ditadura, doou todos os livros para o Arquivo. Chegaram também à Cidade Nova as coleções particulares de Samuel Malamud, Pereira Passos, Alaor Prata e Haroldo Barbosa. O que poderia ir para o caminhão de lixo da cidade encontra destino digno no arquivo.
[09/ABR/2006]
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