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Minha Casa: Lulí Bevilaqua
[30/OUT/2005]
Dê algumas revistas antigas, alguns catálogos de moda e livros de arte para Lulí Bevilaqua e receba em troca esboços de acessórios inusitados e pra lá de coloridos, que são sucesso no ateliê da estilista, no Jardim Botânico. Quem conhece assegura que o seu trabalho tem tudo para fazer sucesso no exterior. Atravessar fronteiras, aliás, é um sonho da estilista que desde a adolescência, quando percebeu que não aprenderia nenhuma profissão na escola, decidiu dar asas à sua imaginação, partindo para o universo da moda.
- Trabalho com moda desde os 14 anos de idade, tenho 51, então dá pra ver que faz tempo! Participei do movimento hippie e gosto da moda de rua, embora não siga modismos. Sou irreverente, ousada e não faço coleções. Vou agregando valor ao produto e pesquiso coisas antigas - conta Lulí, que no ano que vem deverá apresentar suas peças na França.
Autodidata, também foi modelo nos anos 70.
- Minha formação é o tesão que tenho pelas cores, pelas formas e pelo brilho - diz ela, que recebe total apoio do atual marido e sócio Egas Santiago Filho, quem administra o ateliê.
O casal vive entre um apartamento no Flamengo e as obras de um sítio na localidade de Areal, próximo a Itaipava, onde a família dele tem uma fazenda. Idéias para bolsas, sandálias, bijuterias etc surgem quando ela está em casa, deitada no sofá da sala e de frente para a janela com vista para o Pão de Açúcar, ou então reunida com as costureiras e bordadeiras que trabalham para ela, em Areal. A fazenda deveria ser um refúgio, mas Lulí é elétrica e acaba trabalhando também nos finais de semana.
- Estamos numa fase em que o trabalho está consumindo muito tempo. Por isso a razão deste núcleo lá em Areal, onde posso ficar dois dias resolvendo mil coisas ao mesmo tempo em que desfruto da casa e da minha sagrada família, comendo frutas frescas à beira da piscina.
Em breve, o casal deverá trocar o atual apartamento por um menor, na Zona Sul, para acampar durante a semana.
- Lá no sítio que estamos construindo, nós brincaremos e teremos alguma atividade agropecuária. Ele realmente será a nossa casa. Vou levar os cachorros pra lá e estou convencendo a minha empregada a mudar-se também. Prefiro casas, pois tenho mais espaço e mais liberdade nelas. Pena que no Rio de Janeiro isso seja praticamente impossível.
(E.B.)
Vista mais bonita
As árvores do Aterro do Flamengo, os barcos ancorados na Baía de Guanabara e o Pão de Açúcar.
Meu lugar na casa
Chama-o de cantinho. É um espaço da sala onde faço minhas pesquisas e orações, leio e ouço boa música, tendo o Pão de Açúcar como paisagem.
Perfume para casa
Mádrafa é um aroma suave, mas bastante perceptível pois é exótico e agradável.
Habilidade doméstica
Sou organizada e tenho mania de limpeza. Aprecio comidas simples com um toque de sofisticação, mas como o meu forte não é a culinária e o tempo não me permite cozinhar, tenho excelentes livros de receita, inclusive muitas da vovó, aquelas com sabor de amor.
Objeto de desejo
Tenho verdadeira loucura pelos trabalhos do artista espanhol Antoni Gaudí. Religioso, ele fazia esculturas e São Jorge, meu santo de devoção e curiosamente a sua obra mais importante foi o templo expiatório da Sagrada Família, obra esta inacabada à qual dedicou-se até a morte (1926). Nossa casa em Areal se chamará ''Casa da Sagrada Família'' e na borda da piscina faremos um mosaico reproduzindo seus traços.
Quero mudar
Tudo. Nos grandes centros urbanos nossas residências passam a ser quase um dormitório. Não conseguimos usufruir do que realmente gostamos: almoços em família, reunião de amigos etc. Então estamos pensando em mudar para um apartamento estúdio, no Leblon.
Visita não entra
Todos entram. Todos são bem-vindos.
Madeira, vidro ou metal
Adoro a combinação do vidro com a madeira.
Não dou, não empresto
Não dou e não empresto as comendas do meu avô. Para pessoas queridas e cuidadosas como eu, empresto tudo. Até as comendas quem sabe...
Gato ou cachorro?
Cachorro. temos três lindos malteses: Gucci, Kenzo e Victoria, amorosos e muito queridos.
Acertei em cheio
No meu atual marido, que gosta de casa, decoração, jardim, arte, iluminação. É um parceiro perfeito.
O que me atraiu no imóvel
A necessidade de mudar, pois quem casa quer casa.
Não entra na minha casa
Gente má e invejosa.
Nunca falta na geladeira
Água mineral com gás, Coca-Cola Light e docinhos caseiros para beliscar à noite.
Onde guardo a bagunça
Que bagunça?!
Coleciono
Já colecionei caixas de fósforos, vidros de perfume, canetas, lápis, chapéus de época... Hoje coleciono experiências.
Cor na casa
Sou eclética. Não gosto de nada convencional, não me prendo a padrões e tendências.
Flores
Gosto de arranjos pequenos de flores do campo e de grandes com galhos de eucalipto ou costela de Adão, com flores exóticas como estrelicias.
Luxo que não vive sem
Vivo sem luxos, gosto de coisas simples: um barco simples, um simples Rolex, um simples helicóptero, meus sonhos.
Lençóis
Os brancos de algodão puro ou de linho. Me dói quando os queimo com cigarros.
Não vou dormir sem
...um banho relaxante, conversar com Deus, agradecer o meu dia, rezar uma Ave-Maria, um Pai Nosso e a primeira oração que aprendi (Anjo da Guarda) e nem sem dar um beijo de boa noite no Egas.
Minha casa é...
...meu ninho, meu porto seguro.
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