Heróis do Passado: Nome complicado, engenharia mais ainda

Hofstetter atrai olhares de curiosidade e cobiça pelas ruas paulistas e dá nó na cabeça de muito mecânico

Meier Ginzel

[03/DEZ/2005]

Falar do meu Hofstetter é falar de uma verdadeira máquina do tempo. Não, ele não é o carro do filme De Volta Para o Futuro. Aquele é um DeLorean. Porém, dentro dele volto a ter uns vinte e poucos anos de idade. Não sei se é por estar muito próximo ao chão, como num kart - pois o carro tem apenas 1,08 m de altura - ou pelo som do motor, que fica literalmente no interior do carro. Na verdade, meu Hofstetter rejuvenesce quem o dirige pelos amigos que ele aproxima. Até hoje não consegui ir de um lugar a outro sem que alguém me parasse para perguntar sobre o motor (um Volkswagem AP 2.0), elogiar o desenho, perguntar qual a velocidade final ou apenas para dar um sorriso simpático e tentar repetir seu nome. Poucos conseguem.

Somos companheiros há mais de dez anos e, como toda relação, essa também é permeada de altos e baixos. Os baixos, sejamos honestos, quase sempre são provocados por terceiros - geralmente, mecânicos que não faziam a menor idéia de como reparar defeitos num carro em que o cofre do motor fica atrás dos bancos, a suspensão traseira é, na verdade, a suspensão dianteira de um Santana, o câmbio fica embaixo do porta malas traseiro, a suspensão dianteira é de um Chevette e o sistema de embreagem, de uma Alfa Romeo. Os altos, como é fácil imaginar, são quando ele anda. É um carro em que é possível acender um cigarro mesmo a 200 km/h com as janelas abertas, pois não entra vento. E, graças ao bom Deus, seu ar-condicionado é ótimo.

Certa vez, cheguei a correr com o meu carro a 293 km/h. Hoje já não faço mais essas loucuras. Agora, me contento com provas de arrancada, que me dão muito prazer e exigem pouco esforço de minha parte. Com quase 50 anos, não dá pra abusar muito.

Por ser de tração traseira, leve, aerodinâmico e ter um motor muito bem preparado, o Hofstetter costuma dar muito trabalho aos concorrentes. Um amigo meu já gastou mais de R$ 60 mil no motor de seu Logus e ainda não sei se ele vai andar mais do que eu. Na próxima corrida descobriremos.

Fica aí um pequeno relato do meu Hofstetter. Rosbife, para os íntimos.

Meier Ginzel é comerciante

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