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O primeiro da lista
Versão do Gol com motorização 1.0 lidera vendas de modelos com carroceria hatch
Julio Calmon
[03/DEZ/2005]
Uma rápida observação por qualquer rua do país seria o bastante para concluir que os hatchs dominam o mercado brasileiro. O número de vendas divulgado pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) dissipa qualquer dúvida. A carroceria responde por mais da metade dos carros comercializados no ano. E o líder disparado de vendas é o Gol, que chegou à quarta geração no meio do ano.
O hatch da Volkswagen deve muito do seu sucesso ao modelo de entrada, equipado com motor de mil cilindradas. Nos primeiros dez meses do ano, 83.842 modelos do Gol 1.0 Total Flex saíram das concessionárias - 13,51% de todo o mercado de 1.0. Cerca de 14 mil carros a mais que o Uno Mille Flex, segundo colocado.
E olha que o modelo de entrada do Gol ficou quase R$ 2 mil mais caro. A razão para o aumento foi que, com a chegada do Gol Geração 4, saíram de linha o Gol Special (Geração 2) - antiga versão de entrada - e as versões da Geração 3. E foi exatamente o Gol Geração 4 equipado com o motor 1.0 Total Flex que testamos em trechos urbanos e no íngreme caminho que liga o Rio de Janeiro à simpática Petrópolis.
Com relação à geração anterior, apesar de sutis, as mudanças estéticas são percebidas rapidamente - e deixaram o carro com aparência mais moderna. Na dianteira, o Gol ganhou novos pára-lamas, além de faróis mais altos e alongados. Destaque para as novas linhas do capô que acompanham as do pára-choque, formando um grande desenho em forma de V, como os modelos mais recentes da Volkswagen na Europa. Na traseira, as lanternas ficaram mais redondas e agora invadem a tampa do porta-malas.
O interior é que exibe as maiores diferenças. Como não foi alterada a distância entre-eixos, os designers da VW afastaram o painel dos ocupantes para aumentar o espaço interno. Assim, o novo Gol tem uma enormidade de porta-trecos - é bem verdade que alguns só servem para acumular lixo. As saídas de ar ficaram redondas e se assemelham às do Ford Fiesta.
A parte central do painel é bem parecida com a da geração anterior. Os botões dos vidros elétricos, no entanto, saíram do console central e foram para as portas. Melhor assim, os acionadores ficaram mais perto das mãos de motorista e carona. O conjunto dos instrumentos é o mesmo utilizado no Fox por uma questão de contenção de custos da montadora. Velocímetro, marcador de combustível e conta-giros em uma peça só. De péssima leitura, por sinal.
Pouco mudou mecanicamente na nova geração. O que pode ser considerado uma boa notícia. O Gol conserva a mesma suspensão firme, proporcionando estabilidade suficiente para encarar nossas péssimas estradas. Ela não faz milagres, claro. Mas é bem superior, por exemplo, à suspensão molenga do Palio. Infelizmente, principalmente para quem enfrenta estradas de terra ou quase sem asfalto, a versão 1.0 não tem a opção de suspensão elevada como as versões com motores 1.6 e 1.8.
No fim de outubro, o motor 1.0 Total Flex ganhou potência e torque maiores. A versão anterior do propulsor, que rendia 65 cavalos de potência, com gasolina, passa a entregar 68 cavalos. Movido a álcool, o propulsor desenvolve 71 cavalos, três a mais que a versão anterior. Já o torque máximo, que era de 9,1 kgfm (gasolina) e 9,2 kgfm (álcool), ambos a 4.500 rpm, foi elevado para 9,4 kgfm e 9,7 kgfm, respectivamente, a 4.250 rpm. Para tal feito, o motor sofreu algumas alterações como aumento da taxa de compressão, substituição do eixo-comando de válvulas e do catalisador.
Desempenho para o Gol City 1.0 não fazer feio na cidade e na estrada. As retomadas de velocidade, a suspensão firme e o bom funcionamento dos freios deixam a viagem mais segura. Claro que ele não tem nenhum desempenho esportivo.
É bem verdade que, apesar de mais espaçoso, o interior ficou mais feio que os das gerações anteriores. Porém, os números de vendas não deixam dúvida quanto à aceitação do consumidor, o Gol parece ser o mesmo de sempre.
Motor
Bicombustível, quatro cilindros, longitudinal, duas válvulas por cilindro.
Potência
68 cavalos (gasolina) e 71 cavalos (álcool), ambos a 5.750 rpm.
Torque
9,4 kgfm (gasolina) e 9,7 kgfm (álcool), ambos a 4.250 rpm.
Freios
Dianteiros com disco ventilado e traseiros a tambor.
Câmbio
Manual, de cinco marchas.
Preço
A partir de R$ 24.561.
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Copyright © 1995, 2000, Jornal do Brasil.
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