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Alta Roda
Fernando Calmon
[03/DEZ/2005]
Nos próximos dez anos o automóvel vai evoluir muito mais do que nos últimos 30. Essa foi a conclusão do 14.º Congresso Internacional de Tecnologia da Mobilidade organizado pela SAE Brasil, semana passada, em São Paulo, SP. Esse encontro de três dias vem se aperfeiçoando a cada ano com suas 220 apresentações de trabalhos técnicos, 25 fóruns e conferências temáticas, além da exposição que nesta edição reuniu 76 empresas – um minissalão do automóvel. Atraiu perto de 10 mil visitantes entre executivos, profissionais, acadêmicos e estudantes de engenharia automobilística.
Acelerar as pesquisas é uma necessidade de sobrevivência para enfrentar os desafios de proteção ao meio ambiente, encarecimento dos combustíveis e matérias-primas, conquista de novos consumidores e mesmo convencer que vale a pena trocar de veículo. Como alguns desses objetivos são conflitantes em diferentes regiões do mundo, torna-se muito difícil ter um produto globalizado, como se imaginava no passado. Abre-se, assim, uma janela de oportunidades para a engenharia brasileira com a sua especialização em projetar e produzir carros compactos.
Em mercados maduros, a sofisticação ditará o rumo. Como lembrou Cledorvino Belini, presidente da Fiat, haverá tantos controles e funções automatizadas que o automóvel poderá nem dar a partida, se a autochecagem detectar alguma anomalia. A coluna acrescenta: para alguém que possui dois ou três carros na garagem, pode não ser um problema. Em outros países, com baixa taxa de motorização, seria impensável. Aí entra a iniciativa das marcas que investiram em centros de pesquisa e desenvolvimento no Brasil, aproveitando criatividade, capacitação e competitividade em serviços técnicos.
O presidente da GM, Ray Young, confirmou que a exportação de serviços dobrará para US$ 400 milhões nos próximos dois anos e poderá aumentar o quadro de engenheiros em 50%. A posição do país sobressai, também, porque no exterior o custo intelectual é três vezes superior. Young apóia a iniciativa da SAE Brasil de coordenar ações para novos cursos de mestrado profissional, preenchendo lacunas específicas do setor. É a forma de se preparar para a competição dura com a China, sem esquecer de que o mercado interno deve voltar a crescer, a fim de garantir escala produtiva.
Entre os problemas atuais se discutiram as fraudes: solvente na gasolina, água no álcool. O aumento de consumo do combustível vegetal atraiu novos golpes contra os motoristas. É preciso algo mais do que adicionar corantes ou marcadores de qualidade. Fiscalização rigorosa e legislação tributária mais inteligente são providências inadiáveis.
O Congresso teve outros destaques. Um deles, o sistema de parada e partida automática do motor, apresentado pela Bosch, de custo relativamente baixo, embora não-revelado. Usado no VW Lupo, economiza entre 5% e 10% de combustível e será oferecido às fábricas. A Freescale, produtora de microprocessadores, estima que o rádio digital pode chegar aos automóveis já no final de 2006, fabricado no Brasil e por preço capaz de surpreender. Sistemas de navegação por satélite também estiveram entre as atrações da exposição.
ALÉM do Peugeot 307 sedã em 2006, virá da Argentina, em 2007, versão inédita do Citroën C4. É também um sedã, mas com distância entre eixos maior para combater o Vectra, igualmente um médio-compacto esticado. Outro alvo: Honda Accord mexicano, sem imposto de importação. Começa agora a ser vendido com motor de 2 litros, como antecipado pela coluna, pagando menos imposto do que o anterior de 2,4 litros.
JAPONESES terão ano agitado em 2006. Civic inteiramente novo chegará já em março ou abril, logo depois do Renault Mégane II sedã. Toyota espera surpreender a Honda com motor flex no Corolla ainda no primeiro semestre. Fit também terá motor flex, mas poderá perder a primazia dessa corrida tecnológica específica entre as marcas nipônicas.
FIAT Idea, com motor de 1.400 cm³, tem a grande vantagem do preço, mas desempenho deixa a desejar. Como pesa cerca de 1.200 quilos e é alto, aumentando a resistência aerodinâmica, a deficiência é sentida mais em estradas. Em cidade, com até dois ocupantes, vai relativamente bem, desde que não se tenha preguiça de usar a alavanca de câmbio. No geral, agrada pelo bom espaço interno e equipamentos.
ECOSPORT Freestyle é primeira série especial limitada do modelo, mas tudo indica que deve entrar em produção normal. Destaca-se por possuir um quebra-mato discreto, integrado à parte frontal, sem estruturas tubulares agressivas. Aliás, nem mesmo possui os dispensáveis estribos laterais, o que o deixou com um visual mais limpo.
DEZEMBRO marca os 25 anos do surgimento das bolsas de ar ou airbags. O primeiro automóvel a utilizá-lo foi o Mercedes-Benz Classe S. Sempre é bom lembrar de que se trata de um equipamento suplementar e só funciona bem se os ocupantes usarem os cintos de segurança, estes sim de primordial importância.
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